Quero dividir com vocês um livro que acabei de ler e que se chama “A vida sexual de Catherine Millet”. A obra causou muita polêmica pelos quatro cantos do mundo, pois trata-se de uma autobiografia, na qual esta eminente crítica de arte relata com pormenores pornográficos sua intensa vida sexual.
Catherine é francesa e atualmente está com 61 anos. Fundadora da elogiada revista “Art Press”, Catherine tem um olhar aguçado, clínico, e detalha de forma muito bem construída sua relação com o sexo.
Não foram poucos parceiros que a tocaram, que usufruiram do seu corpo em orgias que podiam chegar a ter 150 pessoas, ménage à trois, apenas um parceiro e mesmo sozinha - Catherine se diz expert na arte do onanismo. E não é só isso, ela fala de filmes pornográficos, felação como prática preferida, lambidas em lugares que muitos achariam escatológico e por aí vai.

Catherine um pouco mais jovem
Atitude corajosa dessa intelectual refletir de forma filosófica sobre suas aventuras, seus desejos mais particulares, seus gostos mais secretos. O que achei muito bonito no livro de Catherine foi a maneira como ela fala de sexo como se respirasse, como algo natural e que fizesse parte da vida. E no fundo não é isso? Mas séculos de convenções, culpas e pecados, tabus e repressões fizeram desse assunto algo um tanto distante da realidade humana, como se o sexo não estivesse intimamente ligado à nossa vida cotidiana: trabalho, casa, artes, etc. Não há humanidade sem sexualidade.
Talvez nem todos consigam falar de sexo como Catherine ou mesmo achem que sua sexualidade não diz respeito a mais ningúem, só a você e aos seus parceiros (até mesmo a autora tem suas reservas). Isso também é válido. Mas Catherine nos faz pensar que não há sentido distanciar o sexo da vida, como um objeto intocável. Sexo é o ar que respiramos, a comida que nos dá energia e o prazer que devemos e temos direito irrestrito de sentir: sozinhos ou acompanhados de uma, duas ou muitas pessoas.



#1 by Rodrigo - novembro 13th, 2009 at 22:22
Fiquei instigado a ler. Interessante que a gente não queira falar da nossa vida sexual - mas quer sempre ouvir pormenores dos outros. E, afinal, todos temos problemas sexuais hehehe
#2 by Bruno Porciuncula - novembro 15th, 2009 at 19:27
Esse livro é a sua cara, Sander!! hehehehe