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Jornalismo sem diploma pode existir?
Posted by Sandro Caldas in Textos Diversos on julho 17th, 2009
Manifesto-me tardiamente sobre o assunto, porque tinha a esperança de que o Supremo Tribunal Federal voltasse atrás e de uma vez por todas entendesse a necessidade do diploma para o Jornalismo. Mas foi por 8 votos contra 1 lúcido que, agora, para se exercer a profissão, basta a pessoa ter “intimidade com a palavra” ou “olho clínico”, como disse o ministro Carlos Ayres Britto, um dos que votaram contra a exigência do canudo.
Não considero que ter apenas intimidade com a palvara e certo olho clínico faça da pessoa um profisisonal qualificado para exercer a profissão. Nem todo escritor seria um bom jornalista, algo que requer mais do que domínio gramatical, mas o entendimento dos caminhos de chegada à notícia até sua escrita. Claro, muitos escritores seriam bons jornalistas e muitas outras pessoas devem ter talento e vocaçao para se tornar um. Mas, creio que é na universidade que o aprendizado vai ser sistematizado, que o aluno vai entrar em contato com as teorias (Frankfurt, agulha hipodérmica, agenda setting etc etc), com os autores que pensam sobre a profissão, com debates sobre o que aprendem.
Se durante o curso já temos professores mal preparados, incultos e com formação defeituosa, imaginem se qualquer pessoa se achar capaz de ser um jornalista? Mas os critérios de contratação devem ficar a cargo da empresa? Sim, pode ser, mas algúem que seja mão-de-obra barata e sem preparo intelectual pode vir a se tornar massa de modelar nas mãos das empresas. Este profissional pouco vai contribuir para a elucidação dos problemas sociais, sobre a tradução da sociedade de forma crítica. Jornalismo é traduzir e criticar a sociedade, dando aos cidadãos informações consitentes sobre o que se passa no mundo.
Se nosso ensino superior é defeituoso, pior ainda é uma profissão da importância do jornalismo prescindir do diploma. O relator Gilmar Mendes lembrou que “o decreto-lei 972/69, que regulamenta a profissão, foi instituído no regime militar e tinha clara finalidade de afastar do jornalismo intelectuais contrários ao regime”. Então foi por esse motivo que o diploma passou a ser importante? Que seja, mas ainda assim é com ele que temos a mínima garantia de que este ser humano passou 4 anos estudando antes de lidar com algo tão importante como a informação, ainda mais em tempos de Internet.
Gilmar Mendes também disse que a não obrigatoriedade do diploma não significa automaticamente o fechamento do curso. Que o preparo técnico é importante e deve continuar nos moldes dos cursos de culinária, moda e costura. Absolutamente nada contra estas profissões e quem as faça. Eu sou apaixonado por culinária e reconheço de forma contundente a importância cultural da moda em nossa sociedade. Mas ainda assim, penso que o jornalismo é mais do que preparo técnico.
A todo momento vemos na televisão, rádio, jornais, revistas e Internet uma enxurrada de bobagens ditas e escritas por jornalistas que possuem diploma. Esta é uma realidade mundial. O despreparo intelecutal de muitos destes profissionais é notório. Do outro lado, no entanto, vemos excelentes profissionais atuando. O raciocínio é: sim, mesmo com o diploma continuaremos a formar pessoas ruins. Mas sem o diploma, acredito que pode se estabelecer uma Torre de Babel informacional.
Creio, também, que sem o diploma a bilbiografia sobre o jornalismo pode ficar ainda menor. Durante minha faculdade, em muitos momentos deparei com a pequena bilbiografia sobre determinados assuntos que estava estudando. Se era assim, imagine agora! Não teremos mais pessoas pensando sobre os temas que cercam o jornalismo. Uma literatura de qualidade, que possa servir de base para o estudo da profissão. Outro ponto importante são os trabalhos de conclusão de curso (TCC), que refletem e aprofundam temas, propõem, traçam novos caminhos.
Talvez um dia eu concorde que o diploma não seja tão importante para o exercício da profissão, mas é imprescindível que a pessoa que lide com informação tenha preparo e conhecimento sobre sua área. De que forma será feito isso, eu não sei. Mas, hoje, acredito fortemente que o diploma não seja apenas um resquício da ditadura militar, mas um importante comprovante de que temos alguém que sabe o que está fazendo, que sabe chegar até a informação, tratá-la, traduzi-la, reportá-la para a sociedade.
Não basta ter a vocação e o talento, mas o conhecimento necessário para lidar com esse bem tão importante que é a informação. Para isso, é algo claro para mim, o aspirante a jornalista deve ter sede de cultura: deve ler, ouvir, ver, pensar, criticar e dominar minimamente os temas que cercam sua área. Deve estudar as teorias, saber os nomes técnicos (nota seca, escalada, dead line, nota coberta, lead etc etc etc). Saber os critérios de noticiabilidade, saber o que é new journalism, poder traçar as diferanças ente webjornalismo e jornalismo impresso, ter noção de diagramação, estudar ética etc etc etc etc!!! Tudo isso e muito mais é a faculdade que vai orientar. Ainda não vejo esta profissão sem o apoio da academia, mesmo que ela, como já disse, não seja perfeita ou tenha sempre profissinais fabulosos.
Acabaram com o diploma em jornalismo, mas não se pode acabar com o próprio jornalismo. Isso é muito arriscado para toda a sociedade. E para ter um jornalismo forte é precisso ter pessoas qualificadas. Isso é básico. Um jornalismo sem diploma pode até existir, mas um jornalismo sem competência é um retrocesso.
E para reforçar, como uma campanha publicitária: HOJE, SEM DIPLOMA NÃO DÁ!
Hoje é o dia mundial do Rock!
Posted by Sandro Caldas in Textos Diversos on julho 13th, 2009
Estava preparado para escrever sobre outro assunto, mas me deparei com o fato de que hoje é o dia mundial do Rock. Este estilo fundamental na minha vida e destruidor de regras. O Rock é mais do que um estilo voltado para adolescentes em alta voltagem hormonal. O Rock é mudança social, quebra de costumes, filosofia de vida, sexo que jorra dos instrumentos. O Rock é revolta, é a tentativa do corpo e da mente de nos dizer mais sobre nossa natureza selvagem.
O Rock nasceu na década de 50, nos Estados Unidos. Ninguém sabe ao certo de quem é a paternidade do Rock, mas Bill Halley figura entre os pretendentes, com sua gravação de “Rock Around the Clock” (1954). Mas foi com Elvis Presley que ganhou dimensão astronômica e sensualidade, além de um toque de breguice. Sim, o Rock também é brega. Todo mundo se lembra da farofagem das bandas dos anos 80, com suas roupas de oncinha e cabelos armados: Bon Jovi, Poison etc etc!
Cada década do Rock é marcada por um cenário diferente, no qual roupas carimbam imagens e sonoridades são misturadas. Na década de 60 temos o surgimento dos Beatles e Rolling Stones. Na década de 70 vemos surgir o punk rock de trajes pretos, cabelos moicanos e grampos pelas roupas - Sex Pistols é um dos mais importantes expoentes desse período. Na década de 80 temos algo mais pop, com o surgimento do New Wave e do culto a astros como Madonna e Michale Jackson. Nos anos 90, surge o Grunge do Nirvana. Hoje em dia há um retorno há estilos dos anos 60, 70, 80, 90 em bandas como Strokes, que tem uma pegada sessentista. Em nossa época não existe um tipo de rock que possa ser definido como a cara desse início de milênio. Talvez a cara seja uma fusão de todos os estilos.
O Rock tem uma lista infinita de bandas e muitas vertentes surgiram desde a década de 50. Só para citar algumas, temos: folk-rock, blues-rock, acid-rock, industrial, hard rock, rock alternativo, britpop e por aí vai. Como qualquer gênero musical, o rock se funde com outros, como o Funk, o Soul, o Eletrônico e os ritmos latinos. Não há fronteiras e as possibilidades são inúmeras. O Rock é um estilo esponjoso, que absorve tudo e sempre se dá bem. Por isso, ao contrário das previsões de alguns “especialistas”, o Rock jamais vai morrer.
E como não falar do Brasil? No meu caso, posso falar de cátedra dos anos 80, que me marcaram profundamente. A primeira fita (sim, K7) que escutei foi “Jesus não tem dentes no país dos banguelas”, 1987, dos Titãs, em um gravador portátil. A partir daí, artistas como Barão Vermelho, Blitz, Kid Abelha, Lobão, Legião Urbana, entre muitos outros, fizeram minha cabeça definitivamente. Minha porta de entrada para o Rock foi o BRock.
Gostaria muito de poder citar tudo que eu gosto aqui. Apesar de ter espaço ilimitado para isso, descofio que posso adquirir LER, caso o faça. Então, cito algumas bandas e artistas que me são muito queridos e ajudaram na minha formação como ouvinte e como ser humano, já que o Rock nunca esteve separado da minha vida, das minhas experiências pessoais e suas músicas e letras me fizeram crescer um pouco mais.
Algumas bandas já citei acima, embora Poison nunca tenha me agradado muito. Vamos a mais algumas delas, sem ordem cronológica:
R.E.M., Oasis, David Bowie, Blur, The Clash, The Bangles, Erasmo Carlos, Roberto Carlos, Led Zeppelin, Skank, Los Hermanos, Brava, Caetano Veloso, Os Mutantes, Cássia Eller, Trick, The Smiths, Aerosmith, Lulu Santos, Paralamas do Sucesso, U2, Luis Melodia, Belchior, Engenheiros do Hawaii, Ludov, Patu Fu, Smashing Pumpkins, The Cure, Raul Seixas, Elton John, Itamar Assumpção, Chico Science e Nação Zumbi, Zé Ramalho, Guns and Roses, Scorpions, Pretenders etc etc etc…Vamos parando por aqui!
É isso. Minha pequena homenagem a esse estilo que continua vivo e é camaleônico, sempre trazendo coisas boas. Sempre se reinventando por meio dos artistas que fazem dele um meio para despejarem no mundo suas emoções.
Estante virtual
Posted by Sandro Caldas in Textos Diversos on julho 2nd, 2009
Sou fã do programa Pequenas Empresas Grandes Negócios, que é veiculado pela rede Globo aos domingos bem cedo. Durantes esses anos vi muitas matérias interessantes e o programa sempre me passou a impressão verdadeira de que o capitalismo não é o demônio, mas um aliado do desenvolvimento social. Piratas existiriam e sempre existiram em qualquer sistema político e econômico. Gosto do capitalismo.
Foi, se não me engano, no programa de duas semanas atrás que vi uma matéria sobre um empresário que resolveu criar um site que juntasse sebos de todo o Brasil pra facilitar a venda e troca de livros, entre outros serviços oferecidos.
A Estante Virtual é um portal criado para revolucionar a comercialização de livros usados pela internet, colocando todos os recursos que a tecnologia é capaz de oferecer a serviço da comunidade de livreiros e do público amante dos livros.
São 1.476 sebos e quase 22 milhões de livros novos e usados à disposição. Pensei: “Faz uns sete anos que busco Personas Sexuais. Se não achar em um desses sebos, não acho mais em lugar nenhum”. Até em livrarias como a Cultura, de São Paulo, o livro está esgotado. Resolvi tentar e para a minha surpresa encontrei vários sebos que dispunham da obra da minha, nunca é demais dizer, ídola Camille Paglia.
Fiquei numa alegria incrível. Coloquei o livro em meu carrinho, esperei contato da livraria - que me enviou um email com os dados no dia seguinte - e neste mesmo dia depositei 38 reais - oito foram do frete cobrado - (um calhamaço como Personas, de quase 700 páginas, facilmente custaria uns 60 paus em alguma Megastore). Em cinco dias úteis a angústia dessas anos todos terminou. Estava com meu exemplar, em ótimo estado, de um livro que já se tornou clássico por desafiar, com extrema inteligência e erudição, o que achávamos que sabíamos sobre sexo. O sebo Comasa, de Florianópolis, deu fim a essa busca.
Bom, para quem procura um livro há muito tempo e não conseguiu achar ainda, fica a dica. De qualquer forma, vale a pena uma visita à Estante Virtual.
E claro, nunca é demais sugerir a leitura de Personas Sexuais. Vocês certamente não irão se arrepender.
Pílulas
Posted by Sandro Caldas in Textos Diversos on junho 29th, 2009
Confesso que relutei, mas não tem jeito, vou ter que dar o meu pitaco sobre a morte prematura de Michael Jackson. Nada do que eu diga aqui vai ser de grande valia para o entendimento dessa personalidade, mas vá lá…
Nunca fui grande fã de MJ (apenas fã), apesar de buscar suas músicas e adorar muitas. Até os anos 80 seus discos são bons e interessantes. Lá pelos idos dos anos 90 até hoje, já não faziam a minha cabeça. Intérprete de talento, dançarino magistral, bom compositor e homem de visão, que revolucionou o mundo pop com seus clipes inovadores (não preciso nem citar Thriller). Essa é a parte de MJ que devemos lembrar e reverenciar. O lado pessoal talvez seja uma incógnita eterna, com seus traumas, seu embraquecimento, as dívidas e as acusações de pedofilia.
Pedofilia? Sim, ele foi acusado, mas nada foi provado. E se ele tinha o prazer de dormir com crianças, não necessariamente precisava molestá-las. Mas a sociedade puritana e medonha, nao aceita determinados comportamentos em nome de uma decência tosca e acrítica. Se realmente abusou dessas crianças, merecia uma punição, mas se apenas sentia prazer (talvez até um prazer sensual), não podemos condená-lo. Esse assunto dá muito pano pra manga!
Enfim, seu legado continua mais vivo do que nunca e a ironia é que talvez ele consiga se livrar das dívidas, já que sua obra e os milhares de produtos ligados à sua imagem vão vender muito, mas muito!
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Não podia esperar para comentar um livro que comecei a ler: Vampes e Vadias (1994), da sempre maravilhosa Camille Paglia (não adianta, sou fã dos seus pensamentos). Ela destrona o puritanismo babaca que assola as sociedades ao construir ideias pungentes sobre pedofilia, estupro, assédio sexual, felação, sodomia, homossexualidade e por aí vai, sempre com uma erudição fabulosa, relacionando esses assuntos com a história da arte e conhecimento sobre antropologia, psicologia, biologia e outras áreas.
Para quem quer revirar do avesso sua visão sobre esses assuntos ou simplesmente deixar sua argumentação mais consistente, recomendo fortemente esse livro.
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O Brasil venceu a Copa das Confederações, mas tem muitos torcedores que ainda estão com o pé atrás com a direção de Dunga. Como não entendo muito de futebol, não posso me deter em análises farsescas, mas o fato é que a seleção jogou bem. Mas jogou bem ou pegou adversários que não jogaram bem? Sei lá. Só sei que Dunga ganhou um certo fôlego depois desse título. Vamos em frente!
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Camille Paglia ao escrever sobre a princesa Diana em Vampes e Vadias, redigiu algo que se adequa perfeitamente a Michael Jackson ou a qualquer grande personalidade.
“A deificação tem seus custos. A megacelebridade moderna, suportando o fardo do simbolismo, projeção e fantasia coletivos, é uma vítima ritual, canibalizada por nosso compadecimento e temor. Aqueles que estão no vértice da pirâmide são intocáveis, codenados a uma solidão horripilante”
Imerso nas HQs
Posted by Sandro Caldas in Textos Diversos on março 12th, 2009
Voltei depois de algumas semanas. É bom estar na blogosfera novamente. Visual mais clean e muita coisa pra postar.

O meu texto de estreia é sobre as HQs, esse universo maravilhoso que até há bem pouco tempo não despertava minha atenção. Sempre dei mais bola ao cinema e à literatura.
Mesmo lendo muito esporadicamente um X-Men aqui, uma Turma da Mônica acolá, um Homem-Aranha a cada dez anos ou um mangá a cada cometa Halley, resolvi mergulhar de vez nesse oceano e tenho descoberto coisas muito interessantes. O quê, por exemplo? Abaixo cito.
Baixei as 12 revistas de Watchmen (única HQ que está entre as 100 maiores obras da literatura em língua inglesa) e não me arrependi. O texto é muito bom e a forma como a história é contada estava bem a frente do seu tempo, destacando-se narrativamente. Os personagens da foto acima são dessa obra-prima de Dave Gibbons e Alan Moore. Inclusive, vai virar filme. Quem não conhece, não gosta de HQs, mas adora literatura, recomendo com facilidade. E quem já gosta desse mundo, não deve perder!

Pulando de Watchmen para o erotismo, esbarrei em um cara chamado Milo Manara. Esse é mais difícil de conhecer, mas digo a vocês que é muito bom. Manara é italiano e ganhou destaque após desenhar e criar histórias de cunho erótico (não é pornográfico). A obra “O Clic”, composta de 4 partes, deu a esse artista o reconhecimento internacional. Mas ele tem mais, muito mais: “Revolução”, “Gullivera”, “Kamasutra” e “WWW” são algumas de suas obras. Se recomendo? Óbvio. Baixem ou comprem já!
Mas como disse, esbarrei em Milo Manara procurando algo. E esse algo era uma HQ chamada “Maus”, de Art Spiegelman. Essa obra recebeu o Pulitzer (para quem não sabe, o Pulitzer é um prêmio importantíssimo dos Estados Unidos, entregue a quem produz obras valiosas nas áreas de jornalismo, literatura e música). A história conta os horrores da Segunda Guerra mundial, tendo bichos representando os humanos. Os ratos são os judeus e os gatos, os alemães. Fascinante!!!

E para finalizar- quem me conhece não vai se surpreender – baixei as 22 revistas da oitava temporada de Buffy – a caça-vampiros. Joss Whedom, criador da série, resolveu continuar a série, só que em quadrinhos. Está sendo uma experiência ótima ver os personagens que adoro, desenhados. Estou amando as histórias, embora as traduções sejam péssimas.
Bom, é isso. Estão aí dicas para quem quer começar nesse universo dos quadrinhos e ele é infinito. Sim, se vocês conhecem coisas boas em HQ, me digam. Estou louco para conhecer mais artistas, mais obras.

Beijos e abraços em todos!!!
Nosso Obama
Posted by Sandro Caldas in Textos Diversos on janeiro 21st, 2009
Tenho postado bem pouco. Fruto do momento. Mas já já volto com uma frenquência maior de publicações. Achei essa imagem bem engraçada! É o nosso Obama!
Memória 2008
Posted by Sandro Caldas in Textos Diversos on janeiro 2nd, 2009
O primeiro post do ano é uma espécie de retrospectiva. Todo mundo fez isso e eu que amo listas, não poderia ficar de fora. Fiquei muitos dias sem publicar nada. Apesar de estar de férias, não tive tempo justamente porque quis aproveitar para fazer coisas que eu não faço há muito: alugar filmes, ir ao cinema, ler despreocupado com horário, visitar livrarias, comer pizza na rua etc.
Bom, o que de legal eu ouvi, li e vi? Sentidos que foram alimentados por produtos muito interessantes, instigantes, quase sempre. Uns maravilhosos outros nem tanto, sem falar das porcarias que fazem parte desse universo cultural. Vou fazer um pequeno balanço, privilegiando o que me animou. As listas não refletem a produção cultural de 2008, mas o que eu absorvi neste ano.
Começo pelos filmes. Costumava ver muito mais filmes, porque amo cinema, mas o tempo agora é mais escasso. De qualquer forma vi uma quantidade razoável e o principal é que a maioria foi de boas produções.
A Rainha
Cartas De Iwo Jima
A Conquista da Honra
O Ultimato Bourne
O Bom Pastor
Piaf
Stardust
Homem de Ferro
O Incrível Hulk
Juno
Batman: O Cavaleiro das Trevas
Sangue Negro
Speed Racer
Sweeney Tood
As decepções ficam por conta de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal e Southland Tales, com Sarah Michelle Gellar. Eu torço por ela, mas a atriz insiste em fazer filmes ruins. Os filmes nacionais que vi, antes que sintam falta de algum, não merecem ser incluídos na listinha.
Com os livros, eu posso dizer que a leitura ficou um pouco abaixo em relação a anos anteriores, mas me deparei com livros excelentes…na maior parte das vezes!
Crepúsculo (Stephenie Meyer)
Sobre Entrevistas (Stela Guedes Caputo)
História Sexual da MPB (Rodrigo Faour)
Grande Sertão Veredas (Guimarães Rosa)
Neve (Orhan Pamuk)
A Mulher de Trintas Anos (Balzac)
Os outros que eu li, prefiro não comentar!
E o que dizer dos discos? Com certeza ouvi muito mais discos do que li livros e vi filmes. Fica muito difícil fazer uma lista, até porque eu não anoto os discos que ouço, passo para CDs os álbuns que mais gostei. Abaixo, uma pequena parcela do que coloquei nos meus ouvidos. Só tem coisas legais.
Accelerate (R.E.M.)
Safari (Lorenzo Jovanotti)
Call Me Irresponsible (Michael Bublé)
Corpo e Alma (Gutto)
Onde Brilhem os Olhos Seus (Fernanda Takai)
One Kind Favor (B.B. King)
Coco (Colbie Caillat)
One Of The Boys (Kate Perry)
Sou (Marcelo Camelo)
Dig Out Your Soul (Oasis)
Little Voice (Sara Bareilles)
Red Album (Weezer)
Littlel Joy (Littlel Joy)
Bom, essa foi um pedaço das coisas que passaram pela minha mente. Espero que o ano de 2009 seja repleto de descobertas, redescobertas e novidades interessantes, criativas, belas. Feliz novo ano para todos!
Esta é minha cidade
Posted by Sandro Caldas in Textos Diversos on dezembro 15th, 2008
Salvador foi a primeira capital do país durante 214 anos, de sua data de fundação em 29 de março de 1549 até 1763. Para muitos, talvez isso seja apenas um dado, mas é bom pensarmos que fomos os primeiros a dar os passos para a criação dessa nação, mesmo num contexto colonizador como o da época e mesmo isso soando um pouco bairrista. Mas esse texto, afinal, pretende ser bairrista, embora não seja cego para os problemas e nem despreze a cultura de outras regiões. Que fique clara tal afirmação. Disso, me surge a pergunta: como é minha cidade?
Pierre Verger, antropólogo e fotógrafo francês veio para Salvador em 1946 e nunca mais voltou para a terra da Torre Eiffel. Foi um grande estudioso do sincretismo religioso e um dos principais divulgadores de sua cultura. Outro artista importante que tem seu nome ligado à cidade é o escultor Carybé, argentino que desde 1938 até 1997, ano de sua morte, morou em Salvador. Estrangeiros que eram soteropolitanos e adotaram esse pedaço de terra baiana com amor, dedicando suas vidas à tradução da realidade cotidiana desse lugar. Minha cidade, então, é o farol que ilumina a expressão artística de quem a acolhe como mãe.
Tenho em mente que até boa parte de nós, soteropolitanos de nascença, pensa que mestres como Jorge Amado, Castro Alves e um dos articuladores do Cinema Novo, Glauber Rocha, são autênticos seres dessa cidade. Jorge Amado nasceu em Itabuna, Castro Alves em Muritiba e Glauber Rocha em Vitória da Conquista. Romance, poesia e cinema fazem dessa terra o leito onde nomes geniais não morrem, eternizam-se. Esta é minha cidade.
A cidade de Salvador possui mais de 80% da sua população constituída de negros e negras que trouxeram do passado escravagista sua herança cultural perpetuada em lutas como a capoeira; em comidas como o acarajé e o caruru; na música com sensualidade rítmica da percussão; na tradição religiosa do candomblé e seus orixás etc. Os retratos de Sérgio Guerra, que um dia foram espalhados pela cidade, estamparam a face real da metrópole, que infelizmente ainda é obrigada a conviver com a cretinice do preconceito disfarçado e da miséria que é estratégia política para ganho de votos e que nunca é solucionada. Se Salvador fosse uma cor, seria iluminada de preto. Esta é minha cidade.
Eu: antes e depois de São Paulo
Posted by Sandro Caldas in Textos Diversos on dezembro 4th, 2008
Passei dois anos de minha vida em uma cidade que muitos, por não conhecerem, acham fria (metaforicamente falando) com pessoas apressadas que não prestam atenção às outras na rua. Cidade de concreto, de coração de granito. Posso dizer, enfaticamente, que São Paulo é muito mais que o preconceito que existe sobre ela. Aliás, tudo é muito mais que um simples preconceito. Os baianos são mais do que o bobo mito da preguiça.
Com esse texto revelo um pouco das minhas experiências em São Paulo. Experiências estas que me mudaram profundamente.
Voei de Salvador para São Paulo no ano de 2000, para fazer faculdade. Passei em dois vestibulares. Escolhi a Anhembi-Morumbi, que fica no Brás. Era metrô e ônibus todos os dias. Comecei a fazer Comunicação Social, mas voltei definitivamente em 2002 e me formei em jornalismo por aqui.
Entre esses dois anos houve as linhas abaixo.
Quando o avião desceu no aeroporto de Congonhas, sabia que não tinha como voltar. Confesso que chorei e quase desisti de tudo. Foi difícil. Sozinho na garganta do monstro. Um táxi me levou para uma pensão. A partir daqui mudo o nome de todo mundo. A pensão de dona Margarida. Lá conheci suas duas netas. Loucas. Uma loira, outra morena. Pais presos por estelionato.
Conheci Rogério, um mato-grossense gente boa. Seu sonho era ser tripulante da TAM. Rogério era amigo de Karla, uma mineira atraente que trabalhava no Hotel Pathernon. Tinha o Lucas. Também mineiro. Muito apreciador da banda Gênesis e de certa erva. Essa erva, muitas vezes ficava guardada em meu quarto. Não sei por que ele insistia em guardá-la em meus aposentos! Sorte que todos os amigos e amigas das netas de dona Margarida não resolveram fumar maconha em meu quarto. Não sou adepto da fumaça. Mas o melhor foi ouvir de Michele, a neta loira, que ela não curtiu mais a “farinha”. Farinha? Sim, cocaína. Ainda bem!
Na casa, ainda havia espaço para um casal que se separou pouco tempo depois de ter chegado à pensão. Ela ficou lá, ele partiu. Os dois faziam muito barulho depois de certa hora da noite. Algo com gemidos e sussurros. E por fim, dois gaúchos: Carlos e Murilo. Caras tri legais que me apresentaram um famoso cantor e compositor das bandas de lá. Poxa, não me recordo o nome agora. Carlos era apaixonado por Karla e Murilo tinha uma namorada, a Joice, que também estudava para ser tripulante da TAM.
Todas essas pessoas curtiram juntas alguns momentos bons em Sampa. Bienal do Livro, shows no Parque do Ibirapuera, boates, bares, luais, conversas. Foi bom. Foi ruim. Sentia-me só. Briguei com a neta loira – entrava no meu quarto e pegava minhas coisas sem permissão. Beijei Karla, em uma noite de vinho e Marisa Monte. Nossa amizade ficou diferente. Carlos já tinha ido embora da pensão. Ufa!
***
Caminhei muito só pelas ruas de São Paulo. Queria descobrir as coisas.
Um dia, voltando da Exposição dos 500 anos do Brasil, no Parque do Ibirapuera, a chuva começou a cair. Andando sem guarda-chuva, logo estaria encharcado. Eis que um táxi parou ao meu lado. Eu olhei para dentro e disse ao motorista que não queria. Ele abaixou a janela e pediu para eu entrar.
- Te dou uma carona, rapaz.
Mesmo completamente surpreso com a situação, resolvi entrar. Meus preconceitos diziam: “Esse cara é suspeito”. Mas não, ele foi apenas gentil. Não era bicha. Me deixou na porta de um shopping e seguiu sua rotina de trabalho.
***
Na faculdade, consegui meu primeiro emprego. Era na Livraria Horizonte.
Minhas aulas começavam às 18:10, mas eu chegava tão cedo que dava tempo de ficar horas na internet, além de fuçar toda a livraria de minha futura amiga Márcia Neuber (nesta parte todos os nomes são verdadeiros). De tanto andar por lá, conquistei sua amizade e fui chamado para trabalhar.
Márcia confiava em mim. Chegou a me emprestar a sua casa no Guarujá, para que eu pudesse me encontrar com uma possível namorada. Josy (vulgo Afrodite) não se tornou minha namorada.
Foi lá na Livraria Horizonte que comecei a montar minha biblioteca. Comprava livros a preço de custo, aí já viu, adquiri muitos!
Foi também na Anhembi-Morumbi que conheci Ivan Garro. Ficamos amigos. Ivan era músico, tocava baixo e bateria. Montamos uma banda de rock e blues, basicamente. Gravamos vídeoclipe de uma de nossas músicas. Quase fomos contratados por uma gravadora, mas a dona achou que o nome Chave Mestra era numerologicamente ruim. Só mandando tomar na bunda!
Me apaixonei por Letícia, que amava Janis Joplin e por Fernanda, que era tão simples que não tinha a mínima vergonha de dizer que ia ao banheiro fazer cocô e já voltava. Achava isso bonito. As duas eram lindas.
Na minha faculdade tinha vampiros e bruxas. Uma bruxa era minha colega. Ela dizia poder fazer coisas que eu nunca presenciei. A irmã confirmava tudo.
Uma japinha chamada Flávia se apaixonou por mim. Escreveu muitos poemas em minha homenagem e me deu uma pedra vermelha de presente. Infelizmente os seus traços nipônicos não me atraíram.
Fiz curta-metragem. Minha primeira experiência como roteirista e diretor. Achei o máximo. Elogios de alguns professores. Ego inflado!
***
O que foi mais difícil na minha passagem por São Paulo foi o fato de morar sozinho, logo depois de sair da pensão. A casa de dona Margarida já não me agradava mais. Era gente demais, com hábitos muito díspares. Viver sozinho foi muito interessante, mas foi desolador.
Na primeira noite que passei no apartamento, que eu mesmo pintei de pêssego, faltou luz. Agora penso que a falta de luz foi simbólica, porque me sentia apagado, embora estivesse enriquecendo minha vida como em nenhuma outra fase. Até fui chamado para dar entrevista à revista Istoé, mas a matéria não saiu.
Um dia, passeando pelo shopping Paulista, que fica na Av. Paulista, resolvi almoçar. Era um restaurante a quilo. Caro, muito caro. Comi muitos camarões. Mas não reparei que estava sem um centavo no bolso.
- A senhora espera um momento? Vou retirar dinheiro e já volto.
Não voltei. Só tinha dinheiro em casa. (vergonha!)
***
Conheci de perto a Paulicéia Desvairada. Muito menos do que eu gostaria, porque não é possível conhecer São Paulo em 100 anos. Fiz amigos que entro em contato até hoje. Vivi momentos que nem em sonho presenciei em Salvador. Cresci culturalmente. Me tornei mais maduro. São Paulo foi um divisor de águas em minha vida. Existe um “eu” antes e depois de São Paulo.
Não sou Caetano Veloso, mas cruzei a Ipiranga com a Av. São João – literalmente. Senti emoção. Nunca mais fui o mesmo.
Um giro pela blogosfera
Posted by Sandro Caldas in Textos Diversos on dezembro 2nd, 2008
Resolvi dar um giro pelos blogs que acho legais e oferecer a vocês alguns posts que encontrei por lá. Existem os científicos, os inúteis e os sexuais. Vocês vão ver que tem gente que vacila na rede, e ela não perdoa. Os chegados a uma cerveja, também vão comemorar. E até uma surpresa para quem gosta de receitas exóticas (nesse caso, fico de fora!)
Mais uma grande descoberta de nossos grandes cientistas, desta vez a boa notícia vem da Espanha através do Prof. Manuel Garzon da Universidade de Granada.
Os pesquisadores espanhóis alegam que as bolhas de gás carbônico da cerveja dão um maior poder de satisfação em relação a sede e que os carboidratos contidos na cerveja ajudam na recuperação das calorias perdidas.
O estudo foi feito com um grupo de estudantes que foram expostos a temperaturas de até 40ºC enquanto faziam exercícios. Ao término das atividades físicas, para metade do grupo foram destinados um copo grande (aproximadamente 570 ml) de cerveja a para o restante a mesma quantidade de água.
Segundo Prof. Garzon os resultados apontaram uma pequena vantagem em relação a hidratação para o grupo que consumiu cerveja.
De acordo com Juan Antonio Corbalan, ex-cardiologista do Real Madrid e da seleção nacional de basquete da Espanha, a cerveja é um líquido perfeito para reidratação no pós exercício.
Nota do Blog
O estudo foi feito com apenas um pequeno e seleto grupo de pessoas, não especificando a idade, condição física e nem o número de participantes. É bom destacar que as condições em que os participantes foram impostas eram extremas, aproximadamente de 40ºC, o que torna a atividade física muito mais desgastante e gera uma maior perda de líquidos.
Infelizmente para nós gordinhos não foi constatado que os participantes perderam algum peso e que o objetivo do estudo era só sobre a reidratação do corpo.
Mas vale destacar que uma cervejinha depois de uma longa e cansativa atividade física feita em um dia muito quente é bom demais
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Amy Winehouse reencarnada. Bela imagem.
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Olha o vacilo dessa menina! Ela tem o direito de fazer o que quiser, mas tem o dever de tomar cuidado, pois a web não perdoa!
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Como disse no início desse post: não pretendo provar as iguarias feitas com esse ingrediente.
Receitas à base de sêmem
O sêmen não é só nutritivo, mas também tem uma textura maravilhosa e propriedades culinárias incríveis. Assim como vinhos e queijos, o gosto do sêmen é complexo e dinâmico. Barato para se produzir e disponível na maioria, se não em todas as casas e restaurantes. Apesar de todas essas qualidades, o sêmen continua negligenciado como alimento. O objetivo desse livro é mudar isso…”
Esse é um trecho da apresentação do livro de receitas “Natural Harvest – a collection of semen-based recipes” (algo como Ingrediente natural – uma coleção de receitas à base de sêmen). É isso mesmo, tem entradas, pratos principais e sobremesas feitas com o inusitado ingrediente. Achei esse tipo de culinária meio bizarro, mas o assustador mesmo foi o trecho da apresentação que diz “…barato para se produzir e disponível na maioria, se não em todas as casas e restaurantes..”. Imagina o garçom te explicando o que é a sobremesa e acrescentando “eu mesmo fiz o ingrediente principal, há alguns minutos”. Pra mim é demais, prefiro comer insetos exóticos na Ásia ou em qualquer outro lugar…
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