Archive for category Televisão

Casa de bonecas

dhPasseando por um site que gosto muito, o Portallos, li uma notícia que me deixou feliz. Joss Whedon, criador das séries Buffy, Angel e Firefly (cancelada após 14 capítulos), lança agora a ficção científica Dollhouse. A série é protagonizada por Eliza Dushku, que já fez a personagem Faith, uma caça-vampiros do mal, em Buffy. Dollhouse quase foi cancelada, mas a segunda temporada já está confirmada.

Fiquei ansioso para ver os episódios, já que sou fã do texto de Joss Whedon, além do simples fato dele ter criado minha série predileta até hoje. Sim, Buffy, a caça-vampiros. Desde o fim de Buffy, em 2004, esperava algo novo dele. Enfim, corri atrás dos episódios e baixei os 6 primeiros, dos 13 da primeira temporada.

Até agora vi 4 episódios e não sei se já posso avaliar com maior consistência a história. Mas a verdade é que estou gostando da trama criada por Whedon e seus parceiros, entre eles David Solomom, que vem desde os tempos de Buffy.

Echo, vivida por Eliza Dushku, é uma Ativa (como são chamados os homens e mulheres que vivem na organização ilegal chamada Dollhouse). Todos os ativos são programados com uma personalidade diferente a cada missão que devem cumprir. Após realizada, voltam à Casa de Bonecas e têm suas lembranças apagadas, transformando-se em “folhas brancas”, nas quais novas personalidades serão “escritas”. O agente federal Paul Ballard (Tahmoh Penikett) é o único que desconfia da existência da organização e tenta obsessivamente achar sua localização.

Bom, minha impressão foi positiva. Whedon é muito criativo e seus textos nunca são descartáveis, mesmo com possíveis falhas nos roteiros. Gosto da maneira como ele escreve os diálogos, principalmente as frases que possuem humor. Fico na esperança de Dollhouse se transformar em uma série forte que dure muitas temporadas. Talvez ele não faça nada mais como Buffy ou Angel, indiscutivelmente clássicos, mais já estou acompanhando Dollhouse com extremo interesse. Vamos ver no que dá!

Quem quiser conferir os episódios de Dollhouse, clique aqui.

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Smallville - 8ª temporada

s81Não sei por quais motivos acabei não prestando muita atenção em seriados como Família Soprano e Lost, ambos fenômenos de púlbico e crítica. Se bem que Lost eu cheguei a ver muitos episódios e me considero fã da série. Já Família Soprano mal sei como é a abertura. De qualquer forma, juro que ainda vou ver essas séries de forma mais profunda.  

Mas a série sobre a qual falarei é Smallville. Para quem não sabe, ela reconta a história do Super-Homem, mostrando sua evolução até se tornar o grande super-herói que todos conhecemos e desenvolve como o último homem de Krypton foi descobrindo seus poderes e como aprendeu a controlá-los.

Depois de 22 episódios desta 8ª temporada, ficou a impressão de que já deu o que tinha que dar e mesmo sendo um fã da série, reconheço que seu texto muitas vezes é fraco ou mesmo bem inconsistente. Clichês rolam a toda hora, apenas para justificar uma idéia. Um exemplo: quando Lois e Clark fingem ser um casal para tentar desvendar um caso. Dessa maneira, os roteiristas “criaram” um motivo para juntar o casal e  revelar a tensão sexual que obviamente deve existir entre os dois. Todo mundo sabe que isso é mais do que batido e demonstra falta de criatividade.

O que mais me interessou nesta temporada, apesar desse exemplo que citei, foi justamente a tensão sexual existente ente Lois e Clark. Já estava na hora de fazer surgir a ligação entre eles e confesso que a atriz que faz Lois, Erika Durance, conseguiu apagar Lana Lang da minha memória.

Fazendo uma análise geral, gosto das atuações de todos, talvez menos um pouco do personagem de Justin Hartley, o Arqueiro Verde. Mas considero que ela tenha a importante função de fazer com que Clark ponha para fora seu verdadeiro “ego” de super-herói. Outra que ganhou destaque foi a atriz Cassidy Freeman, com a personagem Tess Mercer. Ela conseguiu substituir, com personalidade, o vilão principal, Lex Lutor, interpretado pelo excelente Michael Rosenbaum (que volta na próxima temporada, acho). O resto dos personagens continuam iguais, sem muitas grandes mutações ou descobertas. Tom Welling, o Clark Kent, aos meus olhos, já consegue atuar de forma mais interessante.

Claro que nem todos gostam de Smallville, eu mesmo não considero uma excelente série. Mas acho interessante ter bolado uma evolução para o Super-Homem, retratando sua juventude. Espero que a 9ª temporada que vem por aí seja a última e a melhor de todas.

Eu gosto, eu gosto.

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A pornografia da morte

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Há muitos séculos, lá pela Idade Média (bem antes disso, também ,claro, com as lutas com Gladiadores, por exemplo. Mas vou começar a argumentação na Idade Média), o ser humano considerava a morte um espetáculo público, o que equivale a uma sessão de cinema com pipoca e guaraná. Naquele período, bruxas e hereges de todos os tipos eram queimados, enforcados ou decaptados sob aplausos e caretas do público espectador. É fácil sabermos como era, basta ver filmes ou séries que retratam ou lembram essa época. 

Com o passar dos anos e o avanço da medicina e dos costumes, a morte se tornou caseira, restrita aos lares. Parentes, amigos e o padre esperavam o último suspiro que representava o ser nesta Terra de meus deuses. Lágrimas, rezas e adeus.  Tudo muito discreto e silencioso. A morte começava a ser escondida. Falava-se nela, mas sem estardalhaço.

Hoje em dia, século XXI, temos medo de falar da morte, como se não pertencesse ao ser humano e só fizesse parte dos outros serem animados deste planeta (nosso descaso com o planeta, talvez seja um sintoma). Pois é justamente quando temos mais recursos tecnológicos, mais eficácia nos tratamentos e o ser humano chega com facilidade (cuidando-se, claro) aos 80, 90, até 100 anos, a morte vira tabu e para negar sua existência o ser humano a torna ponográfica, evento escatológico. Vou explicar!

Essa introdução foi apenas para dizer que a existência de programas que se dizem jornalísticos, como Bocão e congêneres, quando não nos próprios jornais ditos sérios, prestam um serviço ao escatólogico e à informação inútil, puramente sensacionalista. Jornlalismo, no meu simples modo de ver, não é isso nem de longe. Abordar um assunto como a guerra em um país africano, não significa mostrar pessoas sendo mortas ou estupradas, para deleite dos nossos olhos ávidos pelo terror. Um terror alheio, que nos causa atração, como se precisássemos comprovar sua existência.

“Sim, mas se dá audiência é porque funciona”, diria alguém pronto a justificar a existência de tais programas, jornais impressos (tem um jornal daqui de Salvador, que é fo…tribuna do sangue!). Sinto muito por negar essa afirmação, dando um exemplo. Quando passamos por um acidente de carro, no qual duas jovens garotas estão destroçadas pelas ferragens, sentimos o impulso de ver, de comprovar sua existência, como disse acima. Olhamos porque gostamos ou porque somos atraídos pela quebra da normalidade que essa tragédia traz, pela sua pornografia? Pornografia da morte, tão explícita, tão sedutora. Olhamos tapando os olhos, pelas fendas dos dedos, mas olhamos.

Hoje, avançamos tecnologicamente, mas consideramos a morte um tabu. E por isso mesmo, nos sentimos atraídos pela pornografia da morte, com suas dilacerações, queimaduras, facadas, estupros e suicídios em tempo real. Retornamos à Idade Média, mas somos muito mais medievais do que pensamos.

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Zoológico Humano

Quando George Orwell escreveu “1984”, em 1949, criou um panorama sombrio, onde todos eram vigiados 24h. O Grande Irmão, ou Big Brother, não deixava escapar nada. E quem se voltasse contra as regras duramente impostas pelo estado, sofria consequências gravíssimas, até a morte.

 

Cinquenta anos depois, chegamos à 9ª edição do Big Brother Brasil. O programa, ao longo desses anos provou que o ser humano tem o caráter voyerístico e adora ver a baixaria dos outros, melhor ainda se tiver sexo no meio. E no Big Brother sempre tem sexo, óbvio. Não é à toa que colocam moças e moços sarados juntos, enclausurados por meses. Rapazes e senhoritas já talhados para revistas como Playboy e G Magazine.

 

Esses moços e moças que são escolhidos a dedo, de acordo com suas personalidades, justamente para criar os embates necessários para o deleite da população que escolhe um lado e torce, como se o futuro ganhador do R$ 1 milhão fosse seu parente ou seu cônjuge.

 

Programas parecidos pululam pelas tevês a cabo. São reallity shows que apresentam temas variados como gastronomia, moda, tatuagens e modelos débeis. Gosto de alguns, porque nem todo reallty show abusa da incoerência e do mau gosto. O império do grotesco, como diria o teórico Muniz Sodré, é o reflexo de uma humanidade que facilmente descarta o esforço de pensar e se entreter com algo inteligente e deita no berço esplêndido das brigas banais. E não falo de intelectualismo tolo, não. Ver Bob Esponja ou assistir a um seriado de ação bem feito, não exige ser mestre em Filosofia. Penso que devemos exigir o melhor para a gente. Gosto de futilidades também, elas nos salvam da exagerada seriedade inútil que por vezes nos é imposta.

 

Vi Pedro Bial, apresentador oficial do BBB, dizer que o programa é um zoológico humano, que estamos observando as reações das pessoas como animais em jaulas. Exercício antropológico, psicológico e por aí vai. Seria dessa forma, se o programa fosse escrito e dirigido de forma mais instigante e menos focada na edição das cenas de sexo e das festas temáticas, nas quais fofocas e armações são tramadas.

 

O zoológico humano que Biaallllll falou é um nome de um programa inglês bem interessante. Psicólogos, especialistas em linguagem corporal e mais alguns outros profissionais que estudam o comportamento humano, tecem comentários interessantes sobre o grupo que a todo momento é colocado em situações que testam suas personalidades. Quando acabamos de ver um episódio, ganhamos informação. Pensamos sobre nossas atitudes.

 

O que se ganha com o BBB? A meu ver, nada. Não do jeito que é produzido. Gostaria que fosse um reallity show bom, mas não é. Pelo menos para o autor desse texto. Com o BBB valorizamos a mediocridade e a falta de talento.

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Maysa

Jayme, Larrisa e Manoel

Jayme, Larrisa e Manoel

Ontem teve início a minissérie Maysa – Quando Fala o Coração, escrita por Manoel Carlos e dirigida pelo próprio filho da cantora, Jayme Monjardim. Sou fã de Monjardim por ele ter feito Pantanal. Não gostei do seu filme “Olga” e não me lembro da última novela que dirigiu que eu tivesse gostado. Sei que ele saiu da direção da terrível “América” por incompatibilidade de visões.

Já Manoel Carlos não fica entre os 10 autores de novelas que mais gosto. Acho seus textos com um didatismo chato. Seus personagens, com exceções, não me despertam interesse. Se tiver que escolher três autores rapidamente, fico com Gilberto Braga, o inesquecível Dias Gomes, além de João Emanuel Carneiro.

Mas para não induzir ao erro e por conclusão acharem que vou falar que não gostei da Maysa, deixo claro que ainda é cedo para afirmar algo. Mas tenho ressalvas. Achei a atriz Larissa Maciel bem parecida com a artista. Mas, vendo apenas este capítulo, me pareceu faltar mais força dramática à atriz. Maysa era muito intensa, muito visceral…faltou algo na interpretação…!

A produção é muito boa, com certeza. Então, plasticamente a minissérie não vai perder nada.

Bom, veremos no que vai dar. Depois da ousadia maravilhosa da linguagem de “Capitu”, espero algo no mínimo bom.

Desculpem a brevidade e a falta de pesquisa. Essa semana está quase impossível publicar um texto mais consistente!

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Olhos de cigana oblíqua e dissimulada

Sono monstro, mas vamos lá!

 

Quem de vocês já leu algo de Machado de Assis? Meu primeiro livro foi “Dom Casmurro”, tardiamente aos 18 anos. Mas só fui perceber a qualidade da obra, algum tempo depois.

 

Machado escreveu o romance em 1899 e lançou a eterna dúvida sobre a traição de Capitolina, a nossa Capitu. Com esse e outros romances foi considerado por Harold Bloom – um dos maiores críticos literários que existem – um gênio da literatura mundial.

 

Talvez naquela época fosse difícil imaginar a traição de uma mulher, por questões morais. Embora os seres humanos sejam feitos do mesmo material, seja hoje ou ontem.

Talvez hoje, a possível traição de Capitu fosse mais facilmente digerível. Nossos valores em relação ao sexo estão mais elásticos, mesmo com os resistentes ranços moralistas que nos circundam. Enfim…Talvez a traição de Capitu tenha a ver com o momento em que a obra é analisada.

 

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Luiz Fernando Carvalho (Pedra do Reino, Hoje é Dia de Maria, os Maias) traz a minissérie baseada no clássico de Machado, sempre com sua assinatura teatral, pop, mágica.

 

Gosto muito desse diretor e é bom saber que temos alguém disposto a levar qualidade visual e lírica para as massas. É muito legal assistir a uma boa novela e logo depois bater de frente com uma estética menos convencional na TV aberta. Espero que o público goste.

 

Gostei do primeiro episódio e achei muito interessante ter uma Capitu tatuada. Não posso deixar de mencionar que Letícia Persiles é linda. E que é cantora de rock!

 

Se para mim ela traiu? Se Machado não soube responder, quem dirá eu! O fato é que Bentinho parece que pedia por isso!

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O maligno pênis de borracha

Ontem vi uma matéria no Fantástico sobre um pai que é contra o uso de um pênis de borracha nas aulas de educação sexual. Pois bem, o virtuoso senhor considera o objeto pornográfico. Disse ele: “O uso desse material fere o estatuto da criança e do adolescente, pois coloca o jovem diante de material pornográfico”. Quanta ingenuidade.

 

Primeiro que não fere estatuto coisa nenhuma e segundo que esse tipo de material foi aceito pelo Ministério da Educação. Não há absolutamente nada demais em utilizar um pênis de borracha para ensinar jovens de 10 a 15 anos (público alvo em questão) a colocarem corretamente a camisinha, por exemplo. E não é o uso desse objeto em sala de aula que vai fazer a galerinha sair praticando sexo por aí, como sugeriu o referido senhor.

 

A educação sexual é fundamental. Sexo é fundamental. E meninos e meninas de 10 a 15 anos estão mais do que aptos para conhecerem o funcionamento dos órgãos femininos e masculinos não apenas como meros geradores de filhotes (Bento XVI que me perdoe). Sexo é, além da procriação, prazer e muito. Sem prazer não há orgasmo e sem orgasmo não há criancinhas.

 

Outra questão: as DSTs. Não se pode fugir delas, infelizmente. E ligadas os sexo como estão, é lógico que quanto mais instruídos estiverem, menos riscos de contrair qualquer uma delas.

 

Querem mais outro motivo para a tolice do pai: a internet. Não há como negar que é fácil ver pênis e vaginas (detesto esse nome, prefiro o vulgar) juntos, em atrito lascivo. Qualquer um que use a web pode acessar sites que contenham imagens pornográficas ou não - podem até ser vídeos com propósito educativo, que contenham cenas de sexo explícito. No entanto, com a internet, tanto educadores como pais devem ter o olho mais clínico. Porque há muita coisa que não presta em todas as áreas do conhecimento. Quantas bobagens em relação ao sexo não são escritas e gravadas no ciberespaço?

 

Por isso - repito - quanto mais bem educados estiverem, melhor.

 

Não cabe mais essa hipocrisia em relação ao sexo, não é?

 

Pai preocupado, relaxe. Seu filho ou sua filha já devem ter visto coisas bem “piores”.

 

 

 

 

 

 

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O favorito

Vocês já sabem que eu gosto de novela. E como qualquer produto dramatúrgico, para mim, tem de possuir qualidades básicas, como boa história, personagens bem construídos e uma direção que entenda a proposta do autor (caso não seja o próprio que dirija seu texto).

 

A Favorita, nova novela das 21h, da Rede Globo, escrita por João Emanuel Carneiro (o mesmo de Da Cor do Pecado e Cobras & Lagartos), tem todas essas qualidades. Já nas chamadas, antes do folhetim começar, as duas atrizes principais me chamaram a atenção. Quem estaria falando a verdade? Como o autor revelaria esse segredo?

 

Embora eu, desde o começo, tivesse apostado na inocência das duas, não achei ruim ser Flora a assassina. O autor conseguiu, de forma coerente, transformar Patrícia Pillar na grande vilã da trama. Dessa forma, revelou o mistério que ficaria para o final. E, como dizem os especialistas, subverteu a lógica dos folhetins. Agora, é Donatela (Cláudia Raia) quem precisa provar sua inocência, após armação de Flora.

 

Outra coisa interessante da trama é a falta de pares românticos e suas intermináveis idas e vindas. Há romance, sim, mas não como centro da história. Isso é algo diferente.

 

Mas o que mais me espanta é saber que A Favorita estava perdendo em audiência para Os Mutantes, da Record. Nada contra esse tipo de ficção. Sou apaixonado pelo Senhor dos Anéis, X-Men e por aí vai. Mas, pelo que pude constatar, Os Mutantes não passa de uma salada sem pé nem cabeça.

 

João Emanuel Carneiro é quem é o mutante da vez, já que conseguiu oxigenar as tramas das 21h. 

 

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Uma paixão eterna

Joss Whedon ao lado de Sarah Michelle Gellar e do elenco

 

Desde que me lembro, eu, pequeno na cadeira da escola, gostava de desenhar uns rostos redondos com dentes pontiagudos, que às vezes continham asas de morcego. Eram certamente próximos dos vampiros.

 

Essa introdução talvez seja uma espécie de presságio para o que seria (ainda é) minha futura paixão: Buffy, a Caça-Vampiros.

 

A primeira vez que vi Buffy foi em um filme medíocre que teve estréia no ano de 1992 e foi dirigido por um dos produtores executivos da futura série, Fran Rubel Kuzui. A heroína era interpretada por Kristy Swanson, mas o elenco tinha atores tarimbados e alguns que seriam consagrados alguns anos mais tarde. Eram eles: Donald Sutherland, Rutger Hauer, Luke Perry, Hilary Swank, Paris Vaughan, David Arquette, Ben Affleck, entre outros.

 

Se dependesse desse filme para me apaixonar pelo universo de Buffy, certamente não estaria escrevendo esse texto – apesar do roteiro do longa ter sido escrito pelo criador da série, Joss Whedon. O próprio Whedon disse, em entrevista, que o resultado final não foi aquilo que ele tinha pensado. O filme tem o colorido pop que todos conhecemos, tem a centelha do que viria ser o seriado, mas a qualidade do texto passa a quilômetros de distância da densidade do show televisivo.

Depois dessa frustrante estréia, cinco anos depois, mas precisamente em abril de 1997, Buffy, a caça-vampiros surge na televisão. A idéia de Whedon era subverter os conceitos, dar à loira - que sempre é perseguida pelo assassinos - poderes e extrema inteligência para destruir o mal. Nesse caso, vampiros e demônios. E até mesmo pessoas, embora Buffy nunca tenha matado um ser humano.

 

Leia o que Whedon disse certa vez:

 

“Eu criei a série para provocar essa reação forte, criei ‘Buffy’ para ser um ícone, uma experiência emocional, para ser amada de um modo que outras séries não conseguiam ser. É sobre a adolescência, a fase mais importante, quando se amadurece e se torna um adulto, e a série mitifica isso de uma forma tão romântica, que basicamente diz: ‘Todo mundo que sobreviver à adolescência é um herói’. E isso é bastante pessoal, que as pessoas sintam algo com a série que é tão real. Eu não poderia ser mais pomposo, mas eu tive essa intenção, eu queria que ela fosse um fenômeno cultural. Queria que houvesse bonecas, Barbies com faixas de kung-fu. Eu queria que as pessoas abraçassem a série de uma forma além do normal ‘é um ótimo seriado sobre advogados, agora vamos jantar’. Eu queria que as pessoas a tornassem interior, que fantasiassem de estarem na série, que fosse mais do que um seriado de TV. E nós conseguimos isso”.

 

O que Joss Whedon disse acima se aplica a mim! Ele realmente conseguiu!!!

 

A rede Globo começou a transmitir o seriado no mesmo ano, às 14h15min da tarde. A primeira vez que vi, simplesmente me apaixonei. Confesso que Sarah Michelle Gellar roubou meu coração, mas depois, com o tempo, os personagens e a mitologia da série me tomaram de um jeito que esse produto da cultura pop e todas as referências contidas nos episódios – da literatura aos quadrinhos, passando pelo cinema e filosofia – me absorveram como nenhum outro audiovisual.

 

Quando a Globo resolveu tirar a série do ar, eu me desesperei. Soube que tinha mudado para um horário “nobre” do início da manhã: às 5, mais ou menos. E eu ficava acordado, no afã de conseguir ver mais um episódio. E….nada! Não era sempre que passava. Aí, desisti e fui procurar informações em revistas (Sci-fi). Mais tarde, com a TV a cabo em casa, retomei minha missão e mergulhei novamente.

 

Passei a acompanhar semanalmente as aventuras daquela turma da cidade de Sunnydale, que se autodenominava Gang do Scooby. Muitas vezes ri das tiradas de Xander Harris (Nicholas Brendon), fiz cara de ternura com a inocência nerd de Willow Rosenberg (Alyson Hannigan) e me vi muitas vezes na pele de Rupert Giles (Anthony Head) por sua paixão pelos livros e quis ter um pouco da sua sabedoria do mundo mágico. Mas não me identifiquei somente com os “ditos” personagens bons – e vemos no desenrolar da série, que o “lado negro” faz parte deles também. Willow, na sexta temporada sabe muito bem disso. Talvez tenha sido a pior vilã que passou por Sunnydale.

 

Me identifiquei com o vampiro Spike (James Masters) em determinado momento, pela sua determinação em ser melhor e pelo seu passado de poeta não reconhecido. Angel (David Boreanaz) somos tos nós lutando contra nosso mostro interior. Cordélia, a adolescente preconceituosa, no fundo esconde uma compaixão pela pessoas. E por aí vai.

Um livro de filosofia foi escrito sobre a série: “A Caça-Vampiros e a Filosofia – Medos e Calafrios em Sunnydale”. Coordenado por William Irwin, a obra traz uma coletânea de textos que analisa a filosofia presente na série. Eu li duas vezes. Um dos filósofos diz: não posso fazer você gostar da série, é algo pessoal. Ele tem razão, mas para que se emita uma opinião razoável sobre as qualidades ou falhas do seriado, é necessário mais do que um “que historinha boba sobre vampiros e monstros!”. Particularmente, e serei redundante depois de tudo que já disse aqui, acho a série extremamente bem escrita, bem dirigida e com atuações grandiosas. Por isso peço aos que não conhecem, que vejam alguns episódios. Tenho certeza que Buffy já se estabeleceu com um dos clássicos da cultura (pop ou não, tanto faz).

 

Foram sete temporadas deliciosas. Esperava cada episódio com uma angústia incrível. Lia tudo que podia. Mas, chegou ao fim, em maio de 2003 com o episódio “Chosen”. Maravilhoso, chorei. Era o fim da série, mas podia ser reprisada sempre que eu quisesse (internet). Até hoje vejo Buffy e como todo universo, as descobertas nunca terminam.

 

 

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