Archive for category Livros

A mulher de 32 anos

30anosTem quase um ano, me parece, que eu li pela primeira vez o escritor francês Honoré de Balzac. O livro que escolhi foi “A mulher de trinta anos” porque tinha imensa curiosidade em saber o motivo pelo qual as mulheres de 30 eram chamadas de balzaquianas. Claro, a despeito do título do livro, devia existir mais do que uma referência ao nome do autor.

Linguagem rebuscada, construída a cinzel. Análise dos costumes de sua época escritas por uma mente observadora, que estava atenta aos detalhes da alma ou das almas do seu tempo e uma personagem magnífica, considera a primeira personagem da literatura a demonstrar a emancipação feminina. Seu nome: Julieta Aiglemont.

Fiquei apaixonado por ela, pelas suas frases, pela sua força, pelo temperamento que exalava sensualidade. Como uma mulher do século XIX podia estar tão a frente dos valores arraigados, fixos no cimento? Julieta estava.

Balzac traça Julieta com extrema força, mas sem nunca desprezar suas características femininas, sua personalidade entre uma grande mulher e um ser que transmite a necessidade de querermos cuidar, proteger. A mulher de trinta anos de Balzac possui a maturidade necessária para dissimular sua infantilidade.

Eis que chego a uma mulher de 32 anos, uma amiga do meio virtual, que na primeira vez que vi me lembrou Julieta. Talvez pela sua beleza, pelo seu sorriso, pela aparência de quem mal passou dos 20 anos. Ela me inspirou a escrever sobre esse tema.

Lendo seus textos, descortina-se sua inteligência e gosto refinado. Creio que ela seja um perfeito exemplo da balzaquiana que li no livro. Pelo menos, imagino.

Dedico esse texto a ela, Elga, e a todas as mulheres de trinta anos, trinta e dois, mais até.

Quando conheço uma mulher de trinta anos, olho perplexo para a fúria da natureza, que esconde beleza e medo. Somos irremediavelmente atraídos, não temos controle sobre nada. Criança de colo que é mãe, filha e Afrodite.

E quem não conhece seu blog, o link está logo ao lado: Prometeu Acorrentado.

8 Comments

O fim de uma saga

amanhecerk2Acabei de ler o 4º volume da série Crepúsculo, da autora americana Stephenie, que se chama Amanhecer, e confesso que me decepcionei com o último livro. Na minha análise é o pior dos quatro. Penso que se a autora condensasse em uma trilogia, poderia tornar a história de amor entre Bella Swan e Edward Cullen um pouco menos arrastada.

Stephenie abarrota Amanhecer de páginas e mais páginas de pura enrolação. E sabem qual o nome do último capítulo? “Felizes para sempre”. Nada mais clichê, não? Ela estica tanto a massa, que quase cria buracos.E por falar em buracos, os livros estão cheios de falhas narrativas. Vou citar uma de Amanhcer, que afinal está mais fresco em minha memória. Antes, uma aviso: quem ainda não leu o livro e pretende fazê-lo, não leia as linhas abaixo. Mas caso você seja um leitor que não se importa com spoiler, siga em frente.

Qual pai e mãe não se dariam conta da estranheza de um casamento que foge aos padrões católico? Falo nesse caso específico. Será que uma mãe e um pai não perguntariam a sua filha o motivo de não casar na igreja, mesmo por mínima curiosidade? Não, Charlie e Renné, respectivamente pai e mãe, apenas deixam o barco seguir, sem nenhum tipo de questionamento. Assim também o fazem todos os convidados humanos: ninguém questiona em nenhum minuto a escolha de Bella em prescindir dos rituais católico.

Bom, a série é um fenômeno de sucesso no mundo e claro, como todo produto da cultura pop, arregimentou fãs enlouquecidos. Quem encontra falhas narrativas nos livros ou os acha escritos de forma medíocre (eu, por exemplo), no mínimo não entendeu a história ou não conseguiu compreender a “linguagem” da autora. Li isso em comentários em outros blogs.

Para mim, o que fica dessas quase 2 mil páginas dos romances é uma história previsível, cheia de furos, com poucos coisas interessantes a acrescentar na mitologia dos vampiros, como por exemplo o fato deles não queimarem ao sol, mas irradiarem pontos de luz que os tormam brilhantes. Desa forma, suas identidades seriam reveladas. Isso achei legal. Agora, vampiros sem presas? Ficam muito menos assutadores. Isso eu não gostei! Outra coisa que eu não gostei é que os livros são quase assexuados, sem tesão. Vampiros e sedução andam juntos; sempre há um forte apelo erótico. Coisa que não li e nem senti, talvez pela formação religiosa da autora.

Os livros de Stephenie Meyer já começaram a ganhar os cinemas. Crepúsculo foi adaptado em 2008. Fui ver na esperança de quê a narrativa cinematográfica tornasse a história melhor. Não aconteceu. Achei o filme chato, ruim, bobo. Lua Nova, segundo volume da série, está programado para estreiar em novembro deste ano. O diretor foi trocado. Será o começo da salvação da saga cinematográfica. Veremos.

5 Comments

O que jamais Alice vai esquecer

aliceAlice Howland é uma mulher com um intelecto invejável. Professora de Psicologia de Harvard e pesquisadora reconhecida, escreveu junto com seu marido um livro que se tornou referência no meio acadêmico. Alice é daquelas mulheres que guardam como um computador bibliografias inteiras. Mas, para a sua surpresa, vem esquecendo coisas básicas do seu dia-a-dia, como onde deixou o carregador de seu celular ou mesmo uma tradicional receita de Natal que é acostumada a fazer desde a infância.

 

A eminente profissional desconfia que seus surtos de esquecimento estejam ligados ao estresse ou à menopausa que está prestes a se instalar. Nada disso, Alice Howland é diagnosticada com o mal de Alzheimer e pouco a pouco vai deixando de ser quem ela é para se tornar uma sombra de si mesma. Mas é justamente neste ponto que página a página, embora não reconheçamos mais a brilhante profissional, nos deparamos sempre com Alice, pois ela nunca vai deixar de ser ela mesma e de amar sua família.

 

Lisa Genova

Lisa Genova

Lisa Genova é ph.D. em neurociência por Harvard e este é seu primeiro romance. Para Sempre Alice é uma história comovente, muito bem escrita, que revela a necessidade primordial a qual todos ansiamos: o amor. Não basta ser um prestigiado membro da sociedade, que tenha contribuído com um pensamento fértil e inteligente no desvendamento do ser humano. Necessitamos dos mais “fúteis” presentes que a vida nos dá. Seja tomar um sorvete ou assistir ao pôr-do-sol. E vivemos melhor essas pequenas grandiosas coisas se estamos ao lado da nossa família.

 

Talvez todas as famílias tenham problemas e suas desavenças, mas é nela que nos encontramos, que parte de nossa identidade está guardada e que mesmo com uma doença tão devastadora como o mal de Alzheimer, não nos esquecemos de quem somos. Alice sente essa certeza e no fundo do seu ser que já não lembra de tudo, há algo que grita que ela sempre será a Alice que tem um marido, três filhos e dois netos.

 

Lendo o romance percebemos que o texto parece ele mesmo ter o mal de Alzheimer. Por vezes lemos a mesma frase repetida em um parágrafo anterior. Isso nos dá a noção dos efeitos da doença de Alice e sua evolução.

Para sempre Alice é um livro muito delicado, que fala das pequenas alegrias, do valor da família e que a única verdade a ser descoberta e jamais esquecida é a verdade derramada pelo amor, mesmo que um dia esqueçamos nosso próprio nome.

 

Clique aqui para visitar o mini-site de Para Sempre Alice

3 Comments

Os homens que não amavam as mulheres

m1Mikael Blomkvist é um jornalista econômico e um dos criadores da prestigiada revista Millenium. Acaba de ser condenado a três meses de prisão por difamar um poderoso empresário. Poucos dias depois é contratado por Henrik Vanger, outro grande empresário, que o incumbe de descobrir o paradeiro de Harriet Vanger, sua sobrinha desaparecida há 40 anos.  Este é resumo, em poucas linhas, do primeiro livro da trilogia Millenium, Os homens que não amavam as mulheres, de Stieg Larsson. Tragicamente o autor faleceu aos 50 anos, vítima de um ataque cardíaco, logo após entregar os livros para a editora. 

As 522 páginas fluem depressa, porque somos apresentados a uma história envolvente, com personagens cativantes, reviravoltas, revelações surpreedentes e enigmas indecifráveis. Claro, trata-se de um romance policial bem construído, embora tenha ficado em mim a sensação de que o livro podia ser menor sem comprometer o enredo. Gosto de detalhes e percebi a satisfação do autor em criar um história tão recheada de pormenores. Mas talvez seja excessivo descrever com tamanha filigrana os hábitos dos personagens.

Lisbeth Salander, a hacker punk que ajuda Mikael a resolver o mistério, caiu no meu gosto imediatamente. É uma dessas criaturas que repelem os costumes sociais convencionais e é fechada aos relacionamentos afetivos, embora também seja afetuosa ao modo dela e possa até amar. No fundo, é uma alma boa e prestativa, que usa sua inteligência para o bem. Feminista furiosa, mas sem deixar de amar os homens, Lisbeth pode ser violenta quando encontra um canalha. Bissexual, apenas realiza seus desejos sem mesuras. Lisbeth foi feita para agradar ou ser odiada, depende do leitor. 

Não vou contar como o mistério foi desvendado ou as grandes revelações que aparecem no decorrer da leitura. O fato é que a série Millenium é uma obra que merece atenção, mesmo que caia vez por outra nos clichês.

2 Comments

Zonas úmidas

zuAcabo de ler o primeiro romance da jornalista Alemanhã, Charlotte Roche, 31 anos. Zonas Úmidas é mais um livro que retrata a sexualidade de um jovem, neste caso, a de Helen Memel. E como me interesso pelo tema, já que escrever sobre sexo não é das coisas mais fáceis que existem, resolvi investir no livro.

Helen, 18 anos, é internada no hospital para realizar cirurgia das hemorróidas. Enquanto espera receber alta, relembra suas aventuras sexuais e seus fetiches pessoais, que digam-se de passagem são, creio que para muitos leitores, escatológicos. Será que comer esperma grudado debaixo das unhas é uma iguaria? Helen é avessa à higiene.

Em meio a suas lembranças, a personagem faz uma análise da sua família e da imporância que ela tem em sua vida. E por conta disso, resolve promover o encontro de seus pais, que são divorciados. A moça decide que vai uni-los novamente. Será que vai conseguir?

A autora

O romance é escrito de forma visceral, ágil, e faz com que o leitor queira seguir em frente para saber qual será o próximo pensamento ou plano de Helen. Mas mesmo assim, acho que faltou algo, ou melhor, sobrou algo. A autora descreve muitas paisagens que, para mim, são puro excesso.

Outra coisa que fico chateado é com os textos elogiosos que encontramos nas contra-capas. Neste caso específico, Zonas Úmidas é vendido como um livro sem paralelos. Poxa, quem leu “Secreções, Excreções e Desatinos”, de Rubem Fonseca, sabe que a escatologia foi utilizada como forma de se alcançar o prazer. E muito melhor escrito, diga-se. 

Sim, Helen gosta e sente prazer em comer sua própria meleca e seu pus. Não é pra todo mundo! Fato: a autora disse que o livro é uma espécie de autobiografia.

2 Comments

O Tigre Branco

Demorei em postar algo novo, porque mudança sempre dá trabalho. 

tigrebrancoVou falar, de forma breve, de um livro muito interessante que se chama O Tigre Branco, do jornalista indiano Aravind Adiga. O romance foi vencedor do Man Booker Prize de 2008, este que é um dos maiores prêmios literários do mundo.

O Tigre Branco é escrito como se fosse uma longa carta endereçada ao primeiro-ministro chinês, que está prestes a visitar a Índia. Esta carta é escrita por Balram Halwai, um sujeito que veio de um mundo pobre, imundo, de crimes, a Escuridão da Índia, como ele mesmo chama. Balram, ex-motorista, muda de vida e passa a ser um grande empresário depois de assassinar seu patrão.

Na longa missiva, o Tigre Branco (apelido recebido quando ainda estava na escola e que se refere àquelas pessoas que são raras), revela a sociedade indiana de forma irônica, ácida, retratando as diferenças entre ricos e pobres, entre a Luz e a Escuridão.

Se vocês ainda não conhecem o livro, sugiro fortemente sua leitura. E desculpem a pressa!!!

No Comments

No mundo dos livros

jm1Visitei a livraria Saraiva hoje (para quem não sabe, sou de Salvador e fui ao Salvador Shopping) e lá me deparei com um livrinho pequeno, mas que me deixou curioso. Era “No mundo dos livros”, de José Mindlin. Bibliófilo, ou seja, amante dos livros, José Mindlin, ao longo de 8 décadas juntou um acervo de 38 mil obras.

Então, folheando o exemplar, resolvi sentar em uma das cadeiras da megastore e lê-lo. A leitura é rápida e saborosa, graças à curiosidade que desperta em nós e por suas 104 páginas. É muito legal, pelo menos eu acho, ler um livro que fala de livros e que nos dá tantas referências literárias. Saí com vontade de comprar livros de Montaigne, Marx, Voltaire, Machado de Assis etc.

Outra coisa muito legal quando lemos um livro desses é que muitas das referências do autor são as nossas referências. Uma que me ocorre agora foi quando ele citou “Crime e Castigo”, do russo Dostoiévski, como um dos grandes livros que leu. Quando tinha 18 ou 20 anos, li este livro e desde então se tornou um dos romances que mais me marcaram.

O grande mérito do livro é incitar a curiosidade nos que ainda não se iniciaram na aventura da leitura e fazer os já iniciados a descobrirem novos nomes e obras. É um livro que serve de alerta sobre a importância da leitura para a vida. Um livro que respeita a individualidade e não dita quais são as melhores obras, pois cada leitor tem seu perfil e preferências.

Fica a dica!

 

1 Comment

O Som do Pasquim

pasquimEu sou um jornalista que não defendo muito assessorias de imprensa. Poderia ser mais um ganha-pão para mim, como é, mas o fato é que acho a assessoria de imprensa o lado menos nobre do fazer jornalístico. Simplesmente por um motivo: NÃO CONSIDERO ASSESSORIA DE IMPRENSA JORNALISMO!

 

Tive duas experiências que me dão provas sobre a frase acima. Mas esta é uma discussão que rende mais de um texto. O assunto aqui é outro.

 

Abri este post falando de assessorias de imprensa porque estou começando a ler um livro muito interessante: O Som do Pasquim, organizado por Tárik de Souza. Nele, a turma do Pasquim, que inclui mestres da nossa cultura, como Ziraldo, entrevista personalidades da música nos anos 1970. São nomes fundamentais como Tom Jobim, Luiz Gonzaga e Caetano Veloso.

 

É fato notar, fazendo uma comparação com as entrevistas lidas, como essa prática se tornou burocrática, esquematizada, gélida. Um mundo muito politicamente correto, cercado por agentes, assessores de imprensa, marqueteiros e todo tipo de profissional que cuida com esmero da imagem do artista, como se este fosse incapaz de conceder uma entrevista sem destruir sua imagem – obviamente, já que a imagem é tudo em um mundo politicamente correto. Então, pisar em ovos faz parte do jogo.

 

Será que o trecho abaixo, retirado da entrevista com Chico Buarque, seria possível hoje? Difícil, muito difícil!

 

***

 

Ivan – “Você só se politiza depois que for acordado às três da manhã com a polícia batendo na sua porta”. Bertold Brecht.

 

Chico – Brecht falou por mim. (para o garçom). Traz uma caipirinha de vodca, pouco açúcar.

 

Jaguar – Duas! Pouco açúcar!

 

Ziraldo – Registro: o Chico já tomou Fernet Branca, chope e agora vai de vodca.

 

Chico – O chope é para quebrar o Fernet, que, sozinho dá dor de barriga. Tem que tomar os dois.

 

***

 

Vocês imaginariam este bate-papo hoje? Não, porque hoje não existe papo. É tudo muito rápido, cronometrado. E quando Chico confessa que pegava “emprestado” carros dos outros para dar uma volta? Ele fazia ligação direta e se mandava!!! Dessa, eu não sabia.

 

O que relatei para vocês é apenas um aperitivo. Indico fortemente este livro para quem é ou pensa se tornar jornalista, para aqueles que acham que para fazer entrevistas basta um microfone ou um gravador ou simplesmente adoram ler entrevistas com personalidades que admira.

 

FELIZ PÁSCOA A TODOS!!!

 

 

 

 

 

1 Comment

Entre Deus e vampiros

deus

Ontem comecei o terceiro volume da saga escrita por Stephenie Meyer sobre a paixão proibida entre dois adolescentes: um vampiro e uma garota. O terceiro volume é “Eclipse”. E pelo que percebi, parece ser melhor que os outros dois, apesar de ainda não ser grande coisa. Falo isso sem querer ser pedante. Realmente não acho os livros ótimos, apenas bom passatempo. Histórias de vampiros sempre me atraem e estes romances não são de se jogar fora (penso eu).

O outro livro que comecei é mais polêmico e tenta comprovar a ideia de que a existência de Deus é  improvável. “Deus, um delírio”, de Richard Dawkins (ocnsiderado um dos maiores intelectuais da atualidade), zoólogo e divulgador científico, já suscitou várias respostas de apoio e repulsa. Por ser um defensor feroz da teoria evolucionista de Darwin, recebeu o apelido de  “rottweiler de Darwin”.

E eu? Acredito em Deus? Sinceramente busco respostas, penso, sofro, às vezes creio, às vezes nego de forma veemente. Uma das questões que mais me atormentam é a origem de Deus. Como surgiu tal ser onisciente? Por qual razão surgiu um Deus? Estamos à deriva no universo, sem sentido, sem razão? Ou não é preciso existir uma razão, apenas aproveitar o milagre (olha aí uma palavra religiosa) da vida? São muitas questões e quase nenhuma ou nenhuma possui resposta. O embate intelectual continua, com os diversos lados tomando a certeza para si, mas sem oferecer a luz defininitva.

Bom, estou entre o fantástico e a filosofia. Os dois me dão prazer, me excitam, me fazem pensar, mas chegar a alguma verdade sobre a vida é se arriscar demais.

Se vocês já leram um desse livros ou outros com temática parecida, me indiquem, critiquem, falem sua opinião sobre essas e outras obras.

eclipse

6 Comments

Um conto de fadas para adultos

livro

 

Acho que tem uns dois meses, no máximo, que terminei de ler um livro bem interessante, mais pelo seu caráter polêmico do que pela história em si. O livro é “Um Romance Sentimental”, de Alain Robbe-Grillet, morto em fevereiro do ano passado. O escritor é pai do Noveau Roman, no qual as estruturas do romance são quebradas: linearidade narrativa e a ordem cronológica, por exemplo.

Passeava pela livraria, quando dei de cara com uma faixa amarela que dizia: LACRADO POR CONTEÚDO IMPRÓPRIO. Claro que me interessei! Este livro, adverte o editor logo na capa, pode chocar certas sensibilidades. E choca mesmo!!!

O autor

O autor

A história de Gigi, uma garota de 14 anos que recebe uma educação sexual nada ortodoxa, não é para qualquer um. Aposto que muitos desistem de ler nas primeiras páginas.

O pai de Gigi a educa obrigando-a a ler textos eróticos do século XVIII, completamente nua. Além disso, faz sexo com ela. Mas não é papai-filhinha (trocadilho infame!), mas sexo sadomasoquista, onde orgias são constantes. Para completar, Gigi ganha de presente uma escrava sexual de 13 anos, Odile. Tempere as orgias já citadas com torturas das mais terríveis - até mesmo com crianças.

Mas nada é crime. Essas orgias e torturas estão previstas dentro de uma sociedade que aceita esses padrões sexuais. O crime é cometido pelas adolescentes ou mulheres que não se entregam, por exemplo, aos desejos dos seus maridos ou pais. O estupro, entre outras práticas, fazem parte da norma. Entendo isso como um crítica à submissão das mulheres durante os séculos.

Apesar do livro ser bem escrito, a história é banal. O seu valor está na maneira como Alain descreve as cenas . Outro ponto, nem tão confortável assim, é nos depararmos com as sensações que o livro nos causa. Do que falo? Do desejo, que mesmo que repudiemos, emerge em nosso corpo. Mas, falor por mim, esse desejo nasce mais como um fetiche colocado em prática pela imaginação dentro dos meus limites morais. Jamais torturaria crianças e adolescentes!!!

Enfim, eu indico este livro, mas já deixo claro que pode fazer você revirar o estômago.

1 Comment