Archive for category Livros
Prêmio literário
Posted by Sandro Caldas in Livros on fevereiro 9th, 2010
Pessoal, sei que este blog não tem um número de leitores muito grande. Se tem, não tenho acesso a esta estatística. No entanto, resolvi publicar e dividir com vocês o que para mim é uma conquista.
Acho que a maioria sabe que ser publicado no Brasil por uma editora é muito complicado. Os “nãos” são parte constante dessa luta. Em um determinado concurso tive a boa notícia de que uma editora publicaria um livro meu, mas eu teria que pagar parte da quantia, dinheiro que não tinha para dispor no momento. Desisti. Mais tarde, por intermédio de uma amiga chamada Carla Martins, mandei meus textos para outro concurso, o de Valdeck Almeida (jornalista e poeta nascido em Jequié).
Para a minha felicidade um soneto meu foi selecionado para entrar na coletânea que será publicada. Mais 132 autores também terão seus textos inseridos na obra.
O livro será lançado na Bienal de São Paulo, que ocorre em agosto deste ano. O livro sai em julho.
O primeiro passo foi dado!
Abaixo, o texto de divulgação:
O livro “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2009” é o resultado de um concurso realizado em 2009. Foi mais de 600 poetas inscritos e 133 selecionados para participarem da publicação. O livro será lançado durante a 21ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no Pavilhão de Feiras do Anhembi. Dentre os poetas estão 27 baianos, além de portugueses e um americano.
Valdeck Almeida acalentou a ideia do concurso desde seus 12 anos de idade, quando teve o primeiro contato com a poesia de Drummond, Castro Alves, Augusto dos Anjos e os cordéis escritos por vários gênios da literatura popular nordestina. Há 32 anos Valdeck compõe poemas e se aventura pelo mundo dos contos e crônicas.
O primeiro livro-filho de poesias, “Feitiço Contra o Feiticeiro”, no entanto, só veio à luz após vinte anos de gestação. Foi parido, parto normal, e caminha até hoje por este Brasil a fora.
Valdeck Almeida de Jesus sabe o que correr atrás de editoras e receber não como resposta. Não queria que outros poetas tivessem a mesma falta de sorte. Por isso, criou o “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus”, que dá oportunidade a gente do mundo inteiro.
Sobre o Organizador
Valdeck Almeida de Jesus é um poeta e sonhador. Lançou os seguintes livros: “Heartache Poems. A Brazilian Gay Man Coming Out from the Closet”, iUniverse, New York, USA, 2004; “Feitiço Contra o Feiticeiro”, Scortecci, São Paulo, 2005; 20% da renda doada às Obras Sociais de Irmã Dulce; “Memorial do Inferno. A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, Scortecci, São Paulo, 2005; 1ª edição – 100% da renda doada às Obras Sociais de Irmã Dulce; “Jamais Esquecerei do Brother Jean Wyllys”, Casa do Novo Autor, São Paulo, 2006; “1ª Antologia Poética Valdeck Almeida de Jesus”, Casa do Novo Autor, São Paulo, 2006; “Memorial do Inferno. A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, Giz Editorial, São Paulo, 2007 – 2ª edição; Participa de mais de vinte antologias de poesias. Por seus trabalhos em prol da literatura e da paz, foi nomeado Embaixador Universal da Paz em janeiro de 2010, pelo Círculo dos Embaixadores da Paz da Suíça e França. A entidade é ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).
Site pessoal: www.galinhapulando.com
Título: “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2009” - poesias
Org. Valdeck Almeida de Jesus
Editora: Giz Editorial
Páginas: 215
Onde comprar: Giz Editorial (on-line) ou direto com o organizador.
21ª BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DE SÃO PAULO 2010
http://www.bienaldolivrosp.com.br/
12 a 22 de agosto de 2010, das 10 às 22 horas
Parque de Exposições Anhembi
Avenida Olavo Fontoura, 1209
Bairro Santana – São Paulo–SP
Vampiras Lésbicas e Paulo Coelho
Posted by Sandro Caldas in Cinema, Livros on janeiro 23rd, 2010
Dessa vez não vou me deter muito demoradamente nesses dois produtos tão distintos que acabo de absorver. Um, é a biografia de Paulo Coelho, “O Mago”, escrita pelo excelente Fernando Morais. O outro, um filme chamado “Matadores de Vampiras Lésbiscas”, uma produção inglesa.
Nunca fui um fã de Paulo Coelho e talvez tenha entrado na onda nacional de não aceitar sua obra (e quando digo não aceitar, é um gigante eufemismo). A crítica nacional, que muitas vezes não era crítica, mas um mero ataque à pessoa de Paulo, produziu frases do tipo “Não li e não gostei”. Frase que soa muito pretensiosa e pedante.
Lendo a fascinante história desse escritor que já vendeu mais de 100 milhões de livros pelo mundo, cresceu em mim uma grande curiosidade pela sua obra, pelo que está escrito em seus livros. O que tanto fascina os leitores? Nunca é uma resposta muito fácil de desenvolver, mas Paulo traz em seus textos uma magia, uma espécie de linguagem meio messiânica, que envolve o leitor em um universo de encanto e fé, de certezas pela beleza da vida, embora com todas as suas pedras pelo caminho. Talvez por isso Paulo seduza de Bill Clinton a Sharon Stone, passando por monarcas e ditadores.
Minha experiência com um texto de Paulo Coelho foi desastrosa. Ainda no Rio de Janeiro, em 1996, quando tentei fazer o curso de Publicidade e Propaganda, comprei “O Monte Cinco”. Na página de número 100 desisti e vendi o livro. De lá pra cá, ignorei Paulo Coelho como escritor.
Após a leitura de “O Mago”, nasceu em mim, como disse acima, a vontade de dá-lo mais uma chance. Muito do que li na biografia tem relação com coisas que eu me identifico, como a religião Wicca, por exemplo e a descoberta de Deus. Dessa forma, encomendei “O Diário de um Mago” e “O Alquimista” por módicos R$ 16. Terei eu ao final dessas leituras, me rendido a Paulo Coelho? Veremos.
De qualquer forma, recomendo a leitura de “O Mago”. É muito bem escrito e instigante. Mesmo que você deteste Paulo Coelho, não pode ignorar sua importância para a cultura brasileira.
E o que dizer de “Matadores de Vampiras Lésbicas”? Eu, como alguns já sabem, sou fã de vampiros e logo me interessei pelo filme. Quem gosta de uma comédia leve, sensual e produzida inteligentemente para ser despretensiosa, vai gostar desse filme.
O filme conta a história de dois amigos bobões que acabam viajando para um vilarejo a fim de acampar e esquecer seus problemas. Um perdeu o emprego e o outro levou fora da namorada. Lá, descobrem que uma maldição transforma todas as meninas a partir dos 18 anos em vampiras lésbicas.
É bobo? Pode ser, mas é muito divertido e tem piadas bem legais. E algo me diz que quando as vampiras são mortas, o que sai delas é algo parecido com esperma. Uma piada, será?
Liquidificador
Posted by Sandro Caldas in Livros, Música on dezembro 14th, 2009
Como vocês vão ver, a postagem saiu psicodélica…e não houve meio de consertar!!!
São esses “caras” abaixo que estão passando pela minha cabeça neste momento. Música, literatura noir, biografia, livro de entrevistas…
Nos sites que costumo ir, duas dicas de álbuns: Remain in Light, do Talking Heads e Stone Roses (Legacy Edition), o disco que comemora os 2o anos do primeiro e perfeito disco da banda inglesa. Desses dois, fico com o segundo. Bateu na veia e ainda é um álbum brilhante, com músicas perfeitas.
Remain in Ligh
t, do genial David Byrne, não fica atrás como referência no mundo pop, mas foi uma questão de “pele” e pronto.
No meu aniversário - sim, eu fiz no dia 9 de dezembro - me dei de presente dois livros. Um é sobre a vida de Paulo Coelho, a biografia O Mago, escrita pelo ótimo Fernando Morais. Talvez se outro cara tivese escrito, não comprasse. Mas depois de ter lido Chatô - O Rei do Brasil virei fã desse jornalista. O fato é que independente de eu gostar ou não dos livros de Paulo Coelho (e confesso que tentei ler O Monte Cinco e achei chatão), o cara é uma figura muito importante na nossa cultura, tirando o fato dele ter sido parceiro de Raul Seixas.
O outro livro foi Conversas com Woody Allen. Bom, sou fã, muito fã desse baixinho genial. Adoro seus filmes, seus diálogos, sua direção, suas paranoias, tudo. Tava na minha lista e tive a felicidade de adquirir agora.
Para fechar, estou lendo o segundo livro da trilogia Millenium, A Menina que Brincava com Fogo. Estou quase terminando. A essa altura posso afirmar que o livro é bom, mas se há um pecado é o excesso de detalhes. O mesmo excesso do primeiro. Quando isso ajuda na construção dos personagens e é fundamental para ahistória, tudo bem, mas não é o caso. Essa enxurrada de informações só mostra que o autor teve muita imaginação, o que nem sempre se traduz em boa narrativa.
E claro, tudo isso temperado com os dois álbuns da minha nova musa:


Chico e Lady
Posted by Sandro Caldas in Livros, Música on novembro 30th, 2009
Hoje quero falar sobre duas descobertas. Uma é nacional, carioca; outra é de fora, dos Estados Unidos. Vou falar de Chico Buarque e Lady Gaga.
Chico Buarque todo mundo conhece, gostando ou não. Mas a descoberta que fiz não foi na área musical e, apesar de tardia, valeu muito a pena. Falo do novo romance desse também escritor, que já se aventurou com sucesso pelo teatro.
Já sou fã de Chico há muito tempo, admirador eterno das suas letras e melodias. Extremamente difícil um país produzir músicos tão refinados lírica e melodicamente. E fico com Tom Jobim sem dúvida: os três países que fazem a melhor e mais diversificada música do mundo são Brasil, Cuba e Estados Unidos. Mas não vou me alongar mais nesse quesito. Descobri o Chico romancista por aquele que é considerado o melhor dos seus romances, “Leite Derramado”, lançado esse ano. Os outros são “Estorvo”, Benjamin” e “Budapeste”.
O livro narra a história de um senhor muito idoso que se encontra no hospital e conta para quem quiser ouvir sua história de vida e seu amor por Matilde, grande amor de sua vida que o deixou aos 17 anos.
A obra de Chico tem o mérito de contar uma saga familiar de mais de duzentos anos em menos de duzentas páginas. Feito fabuloso, já que sagas desse tipo, que percorrem gerações, são livros geralmente muito grandes, calhamaços. E o mais incrível é que Chico consegue dar substância a todos os personagens citados, e não são poucos.
Fiquei apaixonado pelo romance, pela sua sensibilidade, sua poesia, sua maneira de contar a história dando voltas que apenas parecem se repetir, mas que sempre trazem uma nova informação e nos coloca um pouco mais ciente da trama.
Descobri um novo Chico e adorei.
A minha segunda descoberta é na área musical. Acho também que poucos ainda não devem ter ouvido falar de Stefani Joanne Angelina Germanotta, ou apenas Lady Gaga, essa jovem cantora e compositora de 23 anos, nascida em Nova York. Mas se ainda não ouviram falar em seu nome ou não escutaram sua música, peço um pouco de atenção. E para ser mais enfático, mesmo que não convença ninguém, acho que ela deve ser a melhor artista pop que surgiu esses últimos anos. E para quem também não sabe, seu nome foi inspirado na música “Radio Gaga”, do Queen, uma de suas influências.
Quando ouvi o burburinho ao redor do seu nome, não dei muita importância. Segui em frente escutando outras coisas, coisas boas até, muito boas, mas que já eram de artistas consagrados ou até de novos artistas. Mas e o impacto, o tal do “Poxa, é bem diferente de tudo que há por aí”? Isso eu senti com Lady Gaga. E senti vendo o clipe de “Bad Romance” um dia desses. Me apaixonei. O vídeo é engraçado, sexy e a música é inteligente. Saquei a influência do Queen de cara e pensei que essa garota ainda vai fazer muito barulho. Já tem alguns críticos que a consideram sucessora de Madonna, outra influência.
São dois discos de estúdio, “The Fame” (2008) e The Fame Monster” (2009). Baixei os dois. Adorei os dois. Ambos são êxitos de crítica e público. Lady é performática, Kistch, retrô, futurista, é moda, é sexo, é dance e é rock e além de tudo toca muito bem piano e canta muito bem.
Abaixo vocês podem assistir a dois vídeos da minha nova musa, “Bad Romance” e da linda balada “Speechless”. Espero que gostem. Me contem o que acharam de Lady Gaga.
Deus existe?
Posted by Sandro Caldas in Livros on novembro 25th, 2009
Alguns podem dizer que a evolução explica as espécies animais e vegetais, mas mesmo a famosa teoria de Darwin fica ameaçada quando nos deparamos com a descoberta de que a vida não surgiu em nosso planeta, que os primeiros microorganismos devem ter vindo do espaço para Terra, para que a partir daí a vida pudesse se desenvolver. Isso porque todos os maiores cientistas da atualidade afirmam que o ser humano teve pouco tempo para pular de um mero microrganismo (já complexo, diga-se de passagem) até um ser inteligente, capaz de pensar sobre si mesmo. Ou seja, a vida surgiu antes, em algum lugar do cosmos e foi trazida, via meteorito, por exemplo, para o nosso planeta.
Essa e outras questões são levantadas por Fred Heeren em “Mostre-me Deus”, um jornalista científico dos Estados Unidos que, justamente por ser cético, dedica sua vida a tentar entender os mistérios do universo, buscando entre as fontes o mais importante físico teórico desde Einstein, Stephen Hawking. Heeren nos mostra como as descobertas do século XX e XXI foram decisivas para um novo pensamento sobre Deus e afirma que a leitura da Bílbia é fundamental para entendermos o pensamento Dele. Nesse ponto, o jornalista cita inúmeros cientistas que acabaram se convencendo da veracidade histórica dos relatos das escrituras.
Sim, Heeren acredita num Deus que criou o universo e tudo mais nele, que transcende o tempo e o espaço e que sacrificou Seu próprio filho para nos passar a mensagem de amor que a humanidade teima em não seguir.
Esse jornalista nos dá as provas de que seria impossível a existência da vida se não houvesse uma inteligência magnífica por detrás disso tudo. E a conclusão dessa afirmação não é imposta por ele como uma doutrina pessoal, mas à luz de fatos científicos irrefutáveis. Dizem alguns dos grandes cientistas citados pelo autor:
Fred Hoyle: “Uma interpretação de bom senso dos fatos sugere que um superintelecto brincou com a Física”
Freeman Dyson: “Quanto mais examino o universo e os detalhes de sua arquitetura, mas evidências encontro de que o universo de algum modo deve ter sabido que estávamos chegando”.
Stephen Hawking, citando o fato das massas precisas do próton e do elétron: “O fato extraordinário é que os valores desses números parecem ter sido precisamente ajustados para tornar o desenvolvimento da vida possível”.
E para quem quiser tentar refutar esses e muitos outros argumentos da impossibilidade da vida ter surgido, caso tantas “coincidências” não tivessem acontecido, apenas dizendo que tinha que ser assim ou que foi um processo natural, vai encontrar inúmeras provas de que tudo podia acontecer, menos coincidência. A verdade é que tudo se ajusta de uma forma tão fabulosamente precisa, que fica quase impossível não crer em um design divino.

Fred Heeren
Tem livros que ao chegarmos ao fim da leitura, nos deixam uma marca muito forte. Como se nos iluminasse um caminho que estava escuro, mas sempre existiu. O livro de Heeren teve esse poder sobre mim, porque sempre foi difícil para eu aceitar esse Criador onisciente. Mas ao mesmo tempo sempre tive uma esperança de que existia um sentido muito além de nascer, casar, trabalhar, se aposentar e morrer. Algo em mim sempre gritou por uma extensão da vida, uma eternidade. Sentimentos que não tenho como expressar em palavras, mas que mexem com minhas mais profundas emoções.
Cético como sou, fiquei muito entusiasmado em saber da existência dessa obra e como ela iria ser recebida por mim. Felizmente os argumentos de Heeren fazem todo o sentido. É uma obra escrita por alguém que busca a verdade, que decidiu decifrar nossa existência, seguindo os fatos científicos.
Fé e ciência podem não se misturar, embora já seja conhecido o termo Teologia da Ciência, mas creio que as descobertas desses cosmólogos, astrônomos etc, podem nos fazer enxergar coisas que estão diante de nossas faces, mas não nos damos conta. A ciência tem o seu limite. Chega um ponto que ela não ultrapassa, não consegue ir adiante, não consegue formular teorias nem achar repostas.
Talvez (e agora creio que sim) exista uma palavra que possa ser a explicação para tudo aquilo que não compreendemos, para todos os enigmas que ainda não foram desvendados nem pelas mais brilhantes mentes do nosso planeta. E essa palavra é Deus.
Fred Heeren está escrevendo mais três livros seguindo essa lógica na busca humana pela compreensão da origem do universo, da vida e das crenças. Juntamente com “Mostre-me Deus”, os quatro livros receberam o nome de Maravilhas.
Sinceramente recomendo a leitura desse livro para todos que pensam a respeito das questões fundamentais que cercam nossas vidas.
Meu próximo passo agora é ler integralmente a Bíblia.
Sexo como a arte de dar e receber prazer
Posted by Sandro Caldas in Livros on novembro 13th, 2009
Quero dividir com vocês um livro que acabei de ler e que se chama “A vida sexual de Catherine Millet”. A obra causou muita polêmica pelos quatro cantos do mundo, pois trata-se de uma autobiografia, na qual esta eminente crítica de arte relata com pormenores pornográficos sua intensa vida sexual.
Catherine é francesa e atualmente está com 61 anos. Fundadora da elogiada revista “Art Press”, Catherine tem um olhar aguçado, clínico, e detalha de forma muito bem construída sua relação com o sexo.
Não foram poucos parceiros que a tocaram, que usufruiram do seu corpo em orgias que podiam chegar a ter 150 pessoas, ménage à trois, apenas um parceiro e mesmo sozinha - Catherine se diz expert na arte do onanismo. E não é só isso, ela fala de filmes pornográficos, felação como prática preferida, lambidas em lugares que muitos achariam escatológico e por aí vai.

Catherine um pouco mais jovem
Atitude corajosa dessa intelectual refletir de forma filosófica sobre suas aventuras, seus desejos mais particulares, seus gostos mais secretos. O que achei muito bonito no livro de Catherine foi a maneira como ela fala de sexo como se respirasse, como algo natural e que fizesse parte da vida. E no fundo não é isso? Mas séculos de convenções, culpas e pecados, tabus e repressões fizeram desse assunto algo um tanto distante da realidade humana, como se o sexo não estivesse intimamente ligado à nossa vida cotidiana: trabalho, casa, artes, etc. Não há humanidade sem sexualidade.
Talvez nem todos consigam falar de sexo como Catherine ou mesmo achem que sua sexualidade não diz respeito a mais ningúem, só a você e aos seus parceiros (até mesmo a autora tem suas reservas). Isso também é válido. Mas Catherine nos faz pensar que não há sentido distanciar o sexo da vida, como um objeto intocável. Sexo é o ar que respiramos, a comida que nos dá energia e o prazer que devemos e temos direito irrestrito de sentir: sozinhos ou acompanhados de uma, duas ou muitas pessoas.
À flor da pele
Posted by Sandro Caldas in Livros on outubro 5th, 2009
Terminei no início da manhã o livro “Menina dos olhos de ouro”, de Balzac. Sim, mais uma vez um texto baseado na obra dele. Um livro fininho, que muitos devem terminar em um dia de leitura, mas que faz a gente pensar em muita coisa. E é sobre elas, ou no que compreendi lendo este livro, que vou falar.
Antes, quero dizer que este livro foi uma sugestão retirada da obra “Personas Sexuais”, de Camille Paglia (autora que uma pessoa chamada Nardele Gomes teve a honra de entrevistar em Porto Alegre, para a minha inveja, rs).
Bom, o sexo é tabu em todas as sociedades, por mais avançadas intelectualmente. Não é fácil falar sobre incesto ou assuntos que hoje discutimos com certa facilidade, como o homossexualismo. Neste livro de Balzac encontramos estes dois assuntos, entre outros, descritos com maestria.
Tudo começa quando Henri de Marsay, um almofadinha culto que encontramos aos montes por aí e que se gabam de conquistar qualquer mulher que seus olhos alcancem (e às vezes conseguem mesmo), vê uma garota que mais parece ter saído de uma pintura, a fabulosa Paquita Valdès. De Marsay enlouquece e jura que aquele ser será dele. A partir daí, monta seu plano de conquista.
Consegue o encontro com ela e mais outro e outro. Em um dos encontros, Paquita pede para que De Marsay use um vestido. Ele usa e os dois se amam. Travestismo é mais um assunto que encontramos. Paquita pede a Henri para se travesti, não apenas por mera fantasia, mas porque ama outra mulher e vê nele, moço de beleza feminina, alguém que possa saciá-la e que a faz lembrar do seu amor pela outra mulher, já que ela não pode concretizá-lo. Henri é apenas um instrumento que ela manipula. Paquita é:
A estranha união do misterioso e do real, da sombra e da luz, do horrível e do belo, do prazer e do perigo, do paraíso e do inferno.
O incesto fica por conta das cenas finais, quando a irmã de Henri de Marsay mata Paquita com um punhal. A morte de Paquita é a felicidade dos dois, já que a bela mulher poderia devorar Henri. Irmãos se beijam e o pacto de silêncio é feito. A irmã de De Marsay mata por ciúme.
Penso que ainda não sabemos nada sobre sexo e é por isso que este tema sempre me fascina. A energia mais poderosa que existe e tantos tabus em volta, tantos preconceitos. Fidelidade, estupro, incesto, pedofilia, bissexualidade, travestismo etc etc. O melhor que podemos fazer é ler, pensar, refletir, e se for o caso, experimentar. Claro, cada um na sua, com seus limites.
Acho que há instituições demais interferindo na sexualidade das pessoas, da Igreja até a escola - que é outro local que muitas vezes deseduca e incute preconceitos.
Sou a favor da pornografia (existe sim, boa pornografia) porque a acho um canal de liberação e aprendizagem muito grande, tanto para homens quanto para mulheres. Da arte clássica até a considerada arte popular de massa estão impregnadas de sexo, de pornografia, de erotismo (aqui indico “Personas Sexuais” e “Vampes e Vadias”, de Camille Paglia). Música, pintura, literatura, cinema e quadrinhos. O tempo todo estas artes nos mostram sexo, erotismo, pornografia.
Não se iludam - e essa é uma das verdades que carrego comigo - achando que o contrato de fidelidade firmado entre duas pessoas, exclui sua mente de pensar e seu corpo de sentir. Podem ter certeza, isto não é pecado. Por mais monogâmico que sejamos, temos algo de primitivo que nos queima.
Balzac contribuiu muito para que pudéssemos aprender um pouco mais sobre o sexo, suas armadilhas e a força do poder feminino, além de tantos outros temas.
Chico Buarque tem uma música chamada “O que será (à flor da pele)”, acho que todo mundo conhece. Sexo, sexo, sexo, é o tema dessa música. Chico é outro que sabia do que estava falando, quando escreveu estes versos. Ouçam abaixo essa maravilha, na interpretação dele e Milton Nascimento:
A mulher de 32 anos
Posted by Sandro Caldas in Livros on outubro 1st, 2009
Tem quase um ano, me parece, que eu li pela primeira vez o escritor francês Honoré de Balzac. O livro que escolhi foi “A mulher de trinta anos” porque tinha imensa curiosidade em saber o motivo pelo qual as mulheres de 30 eram chamadas de balzaquianas. Claro, a despeito do título do livro, devia existir mais do que uma referência ao nome do autor.
Linguagem rebuscada, construída a cinzel. Análise dos costumes de sua época escritas por uma mente observadora, que estava atenta aos detalhes da alma ou das almas do seu tempo e uma personagem magnífica, considera a primeira personagem da literatura a demonstrar a emancipação feminina. Seu nome: Julieta Aiglemont.
Fiquei apaixonado por ela, pelas suas frases, pela sua força, pelo temperamento que exalava sensualidade. Como uma mulher do século XIX podia estar tão a frente dos valores arraigados, fixos no cimento? Julieta estava.
Balzac traça Julieta com extrema força, mas sem nunca desprezar suas características femininas, sua personalidade entre uma grande mulher e um ser que transmite a necessidade de querermos cuidar, proteger. A mulher de trinta anos de Balzac possui a maturidade necessária para dissimular sua infantilidade.
Eis que chego a uma mulher de 32 anos, uma amiga do meio virtual, que na primeira vez que vi me lembrou Julieta. Talvez pela sua beleza, pelo seu sorriso, pela aparência de quem mal passou dos 20 anos. Ela me inspirou a escrever sobre esse tema.
Lendo seus textos, descortina-se sua inteligência e gosto refinado. Creio que ela seja um perfeito exemplo da balzaquiana que li no livro. Pelo menos, imagino.
Dedico esse texto a ela, Elga, e a todas as mulheres de trinta anos, trinta e dois, mais até.
Quando conheço uma mulher de trinta anos, olho perplexo para a fúria da natureza, que esconde beleza e medo. Somos irremediavelmente atraídos, não temos controle sobre nada. Criança de colo que é mãe, filha e Afrodite.
E quem não conhece seu blog, o link está logo ao lado: Prometeu Acorrentado.
O fim de uma saga
Posted by Sandro Caldas in Livros on setembro 9th, 2009
Acabei de ler o 4º volume da série Crepúsculo, da autora americana Stephenie, que se chama Amanhecer, e confesso que me decepcionei com o último livro. Na minha análise é o pior dos quatro. Penso que se a autora condensasse em uma trilogia, poderia tornar a história de amor entre Bella Swan e Edward Cullen um pouco menos arrastada.
Stephenie abarrota Amanhecer de páginas e mais páginas de pura enrolação. E sabem qual o nome do último capítulo? “Felizes para sempre”. Nada mais clichê, não? Ela estica tanto a massa, que quase cria buracos.E por falar em buracos, os livros estão cheios de falhas narrativas. Vou citar uma de Amanhcer, que afinal está mais fresco em minha memória. Antes, uma aviso: quem ainda não leu o livro e pretende fazê-lo, não leia as linhas abaixo. Mas caso você seja um leitor que não se importa com spoiler, siga em frente.
Qual pai e mãe não se dariam conta da estranheza de um casamento que foge aos padrões católico? Falo nesse caso específico. Será que uma mãe e um pai não perguntariam a sua filha o motivo de não casar na igreja, mesmo por mínima curiosidade? Não, Charlie e Renné, respectivamente pai e mãe, apenas deixam o barco seguir, sem nenhum tipo de questionamento. Assim também o fazem todos os convidados humanos: ninguém questiona em nenhum minuto a escolha de Bella em prescindir dos rituais católico.
Bom, a série é um fenômeno de sucesso no mundo e claro, como todo produto da cultura pop, arregimentou fãs enlouquecidos. Quem encontra falhas narrativas nos livros ou os acha escritos de forma medíocre (eu, por exemplo), no mínimo não entendeu a história ou não conseguiu compreender a “linguagem” da autora. Li isso em comentários em outros blogs.
Para mim, o que fica dessas quase 2 mil páginas dos romances é uma história previsível, cheia de furos, com poucos coisas interessantes a acrescentar na mitologia dos vampiros, como por exemplo o fato deles não queimarem ao sol, mas irradiarem pontos de luz que os tormam brilhantes. Desa forma, suas identidades seriam reveladas. Isso achei legal. Agora, vampiros sem presas? Ficam muito menos assutadores. Isso eu não gostei! Outra coisa que eu não gostei é que os livros são quase assexuados, sem tesão. Vampiros e sedução andam juntos; sempre há um forte apelo erótico. Coisa que não li e nem senti, talvez pela formação religiosa da autora.
Os livros de Stephenie Meyer já começaram a ganhar os cinemas. Crepúsculo foi adaptado em 2008. Fui ver na esperança de quê a narrativa cinematográfica tornasse a história melhor. Não aconteceu. Achei o filme chato, ruim, bobo. Lua Nova, segundo volume da série, está programado para estreiar em novembro deste ano. O diretor foi trocado. Será o começo da salvação da saga cinematográfica. Veremos.
O que jamais Alice vai esquecer
Posted by Sandro Caldas in Livros on junho 6th, 2009
Alice Howland é uma mulher com um intelecto invejável. Professora de Psicologia de Harvard e pesquisadora reconhecida, escreveu junto com seu marido um livro que se tornou referência no meio acadêmico. Alice é daquelas mulheres que guardam como um computador bibliografias inteiras. Mas, para a sua surpresa, vem esquecendo coisas básicas do seu dia-a-dia, como onde deixou o carregador de seu celular ou mesmo uma tradicional receita de Natal que é acostumada a fazer desde a infância.
A eminente profissional desconfia que seus surtos de esquecimento estejam ligados ao estresse ou à menopausa que está prestes a se instalar. Nada disso, Alice Howland é diagnosticada com o mal de Alzheimer e pouco a pouco vai deixando de ser quem ela é para se tornar uma sombra de si mesma. Mas é justamente neste ponto que página a página, embora não reconheçamos mais a brilhante profissional, nos deparamos sempre com Alice, pois ela nunca vai deixar de ser ela mesma e de amar sua família.

Lisa Genova
Lisa Genova é ph.D. em neurociência por Harvard e este é seu primeiro romance. Para Sempre Alice é uma história comovente, muito bem escrita, que revela a necessidade primordial a qual todos ansiamos: o amor. Não basta ser um prestigiado membro da sociedade, que tenha contribuído com um pensamento fértil e inteligente no desvendamento do ser humano. Necessitamos dos mais “fúteis” presentes que a vida nos dá. Seja tomar um sorvete ou assistir ao pôr-do-sol. E vivemos melhor essas pequenas grandiosas coisas se estamos ao lado da nossa família.
Talvez todas as famílias tenham problemas e suas desavenças, mas é nela que nos encontramos, que parte de nossa identidade está guardada e que mesmo com uma doença tão devastadora como o mal de Alzheimer, não nos esquecemos de quem somos. Alice sente essa certeza e no fundo do seu ser que já não lembra de tudo, há algo que grita que ela sempre será a Alice que tem um marido, três filhos e dois netos.
Lendo o romance percebemos que o texto parece ele mesmo ter o mal de Alzheimer. Por vezes lemos a mesma frase repetida em um parágrafo anterior. Isso nos dá a noção dos efeitos da doença de Alice e sua evolução.
Para sempre Alice é um livro muito delicado, que fala das pequenas alegrias, do valor da família e que a única verdade a ser descoberta e jamais esquecida é a verdade derramada pelo amor, mesmo que um dia esqueçamos nosso próprio nome.
Clique aqui para visitar o mini-site de Para Sempre Alice


Balanço do Oscar 2010