Archive for category Livros
O livro é como a roda
Posted by Sandro Caldas in Livros on agosto 27th, 2010
Crer no fim do livro em papel é como crer, como um dia foi, no fim do cinema por conta da invenção do videocassete ou no fim da pintura por causa da fotografia. Nada disso aconteceu. O cinema, mesmo depois da chegada do DVD ou Blu-Ray, continua atraindo milhões de pessoas às suas salas escuras. Experiência que ainda permanece excitante, emocionante. O livro em papel, esse objeto perfeito, é como a roda: uma vez inventada, não tem como ser aperfeiçoada.
O fim do livro, ou melhor, a não extinção desse objeto de conhecimento e beleza, é o que trata uma outra obra em papel chamada “Não contem com o fim do livro” (Ed. Record, 269 páginas). O livro gira em torno do diálogo entre o semiólogo e escritor Umberto Eco (que escreveu, entre outros livros, o premiado “O Nome da Rosa”, que virou filme com Sean Conery) e Jean-Claude Carrière, escritor e roteirista que trabalhou com o cineasta Luis Buñuel. O diálogo é mediado pelo jornalista Jean-Philipe de Tonnac.
O livro é interessante porque, apesar dos dois protagonistas serem eruditos, não cai na chatice do intelectualismo muitas vezes vazio e compreensivo apenas para os poucos que têm a chave para decifrar os hieroglifos verbais que caracterizam alguns “intelectuais”.
Tanto Umberto Eco quanto Jean-Claude são bibliófilos, colecionadores apaixonados por livros, com bibliotecas pessoais que variam entre 30 a 50 mil volumes. Claro, como eles mesmo dizem, nem todos foram lidos, porque o que importa muitas vezes é a aquisição de um exemplar raro, cuja importância merece estar nas mãos de quem conhece do assunto. Uma coisa, talvez boba, mas que me deixou feliz, é que pelo menos umas três a quatro vezes o nome de José Mindlin é citado.
Dentre os assuntos tratados pelos dois escritores está a impossibilidade de lermos tudo que queremos, os livros que fazem de tudo para cair nas nossas mãos até os incensados e-books - como não falar deles? São qunize capítulos com grande variedade de citações literárias, cinematográficas, etc. Ou seja, muitas dicas podem ser pescadas.

Umberto Eco e Jean-Claude Carrière
Um dos capítulos, entre muitos interessantes, que gostaria de comentar é sobre essa questão dos suportes duráveis, que para os dois, e com razão, nada mais são do que suportes efêmeros. Incrível como muitos pensam que esses meios são mais seguros, eternos quase. Quem se lembra do disquete? Quem ainda tem um CD-ROM? Até os DVDs, coitados, estão próximos da extinção. O livro em papel, no entanto, atravessou séculos e continua vivo como suporte confiável de armazenamento de dados e perfeito como objeto que podemos carregar de um lado para o outro, sem precisar de bateria, nem tomada.
Os leitores de e-books como o Kindle ou o brasileiro Positivo Alva, além de serem caros, não são confortáveis para a leitura. E mesmo que cheguemos a um suporte de leitura maravilhoso (que por sinal, deve imitar a absorçao de luz da folha de papel), ainda assim a perfeição do livro impresso não será substituída. Esse estardalhaço em volta dos leitores digitais tem uma razão mercadológica, está em fase de aperfeiçoamento, de discussão. Mas vai passar e o livro impresso coexistirá ao lado do seu parente eletrônico.
Sexualidade sem culpa
Posted by Sandro Caldas in Livros on agosto 9th, 2010
Um dos livros mais importantes que li nestes últimos tempos chama-se ‘A cama na varanda’, da escritora e psicanalista carioca Regina Navarro Lins. E por quais motivos este livro é tão importante? Digo ‘quais’ porque são muitos os temas que ele trata sobre a sexualidade humana.
A primeira vez que me apaixonei por uma mulher foi aos 17 anos, ela tinha 14. Passei quase 7 anos da minha vida esperando uma chance, um beijo quem sabe. Nada. Durante sete anos sofri, criei dezenas de canções, escrevi contos regados a vinho, escrevi até um livro, veja só. Livro horrível, mal escrito, mas meu desabafo em 140 páginas.
Não me arrependo de ter amado esta pessoa. Foi de um importância fundamental em minha vida, me fez crescer, amadurecer, me fez criticar a paixão, o amor, o sentimento de dilaceramento que nos percorre. Eu acreditava fielmente no amor romântico, aquele em que duas pessoas passam a ser uma, aquele que afirma que duas pessoas vão se amar e se desejar eternamente. Existem casais que conseguem, na prática, viver o amor romântico? Creio que sim, embora ache que sempre exija sacrifícios pessoais.
A origem do amor romântico está muito bem descrita por Regina Navarro em seu livro. A busca frenética por um par que nos complete gera sofrimento, culpa, sensação de fracasso. Nossa alma gêmea está em algum canto desse planeta a nossa espera e basta encontrá-la para que nossos dias de tristeza cheguem ao fim. Mentira. Isso é falso, porque no amor romântico ama-se o fato de estar amando, não necessariamente ama-se a pessoa. Foi o que me fez sofrer tanto por aquela menina do segundo parágrafo. Eu amava a impossibilidade de tê-la.
A primeira história na literatura que descreve o mito do amor romântico é ‘Tristão e Isolda’, que no final das contas não se amam. Tristão e Isolda precisam um do outro para sentir paixão, mas não querem o outro como ele verdadeiramente é. E como a nossa cultura valoriza tanto o amor romântico, nos filmes, nas novelas, nas músicas, tem-se a impressão de que ele é o certo, de que ele é a única forma de amar. Não é.
O conjunto de valores da nossa cultura contemporânea, já devidamente impregnado depois de séculos de lavagem cerebral, diz que amar é amar uma única pessoa. Sexo e fidelidade se misturam (para que etendam: Regina Navarro defende a ideia - aceita por mim - de que infidelidade se separa da sexualidade. Ser infiel é passar a pessoa pra trás, não querer seu bem etc. O mesmo para a palavra ‘trair’). Trair é moralmente errado. Homossexuais são discriminados. Homens são fortes, mulheres são frágeis. Homens fazem sexo, mulheres fazem amor. Homens são naturalmente infiéis, mulheres são vítimas da descaração masculina. Sem ciúme não há amor, etc, etc!

Regina Navarro Lins
Regina Navarro prova, utilizando nossa própria história, que homens e mulheres não viviam em guerra de gêneros, que homens e mulheres viviam sua sexualidade sem tratar o outro como sua propriedade. Que homens e mulheres eram parceiros. Infelizmente essa realidade data de um período milhares de anos antes de Cristo.
Atualmente vivemos sufocados por culpas religiosas, fruto de uma cultura judaico-cristã que inferioriza a mulher e transforma o sexo em algo pecaminoso quando não vivido dentro das grades da moral estabelecida.
Quero que chegue o dia no qual ninguém sinta ciúme, que ninguém deposite no outro a culpa da sua infelicidade, que qualquer um possa viver sua sexualidade sem se sentir culpado, que uma pessoa possa amar várias sem precisar escolher com qual ficar. Ou seja, quero que qualquer ser humano seja livre para escolher seu modelo de felicidade. Claro, para chegarmos a esse nível leva tempo, reflexão, mudança de costumes. Mesmo para quem concorda com tudo que eu disse aqui, não é fácil, precisa-se de coragem. Mas o primeiro passo é ler e refletir.
Já li obras de autores que me abriram muito os olhos para o erro que estamos vivendo quando assunto é sexo, quando deixamos de exercer nossa capacidade de seduzir para corresponder aos ideais de uma cultura que mais despreza o amor do que o valoriza. Mas foi a leitura do texto de Dra. Regina que retirou o último véu que cobria meus olhos. A cada livro, seja de Camille Paglia ou de Mirian Goldenberg, um véu escorregava pela minha face e caía no chão. As coisas iam ficando claras, límpidas. Mas foi ‘A cama na varanda’ que me deu a consciência máxima de que um dos motivos para o sofrimento humano vem de uma cultura que nos tiraniza, que não nos deixa brincar com a mais poderosa energia presente em nosso ser: a sexual.
Para ir além:
‘Por que homens e mulheres traem?‘

‘Personas sexuais’

O Filho da Revolução
Posted by Sandro Caldas in Livros on abril 11th, 2010
Quase um mês sem escrever no blog. O tempo quando me dava folga, também já tinha me deixado sem a mínima vontade de escrever. A única coisa que eu pensava era descansar, mesmo que eu não conseguisse da forma que eu queria.
Enquanto o Vinil esperava por um texto novo, eu vi uns filmes, entre eles “Alice no País das Maravilhas”, de Tim Burton. Gostei muito. Eu adoro a estética gótica de Burton. Ele nos trouxe uma Alice mais madura, em busca da própria felicidade. Ouvi alguns discos, entre eles o “Volume Two”, da dupla She & Him, da maravilhosa e linda atriz Zooey Deschanel e do produtor Matt Ward. Recomendo o primeiro álbum, como já escrevi aqui, e também este segundo, que segue a mesma linha de melodias doces, sonhadoras e inspiradas. E li alguns livros, entre eles a biografia de Renato Russo escrita pelo jornalista Carlos Marcelo, “Renato Russo – O Filho da Revolução”. E é sobre ela que vou falar.
Quando passei pela livraria, há alguns meses, e me deparei com este livro, aquela força, que só quem ama os livros sabe, me puxou para esta obra.
Eu sempre gostei de Legião Urbana, fez parte da minha pré-adolescência e adolescência de forma muito forte. O primeiro disco deles que ouvi foi o “Quatro Estações”, ainda em vinil. As músicas do grupo sempre mexeram comigo. O mais legal é que até hoje descubro coisas muito bonitas nas letras de Renato Manfredini Júnior, que hoje considero o maior da geração 80. Não, minha admiração por Cazuza continua, simplesmente adoro. Mas confesso que Renato - apesar de “Brasil”, “O Tempo Não Para” e “Pro Dia Nascer Feliz” (que se tornou um hino da redemocratização do Brasil) – criou uma obra que radiografa de forma mais contundente o fim da ditadura e o início da abertura para a democracia. Renato foi mais sensível, atacou as filigranas dos sentimentos, dos anseios de uma geração. E olha que, repito, sou um grande fã de Cazuza!
O jornalista Carlos Marcelo - que nasceu em João Pessoa (PB), mas vive em Brasília desde 1985 - fez uma pesquisa monumental, trouxe muitos detalhes que talvez um fã de Legião e Renato não conheça. O livro é recheado de belas fotos da turma, além das imagens de parte das anotações dos cadernos de Renato.
Não me considero um especialista no assunto, mas já li muita coisa sobre a geração 80 e o rock de Brasília. Mesmo assim, me foram reveladas minúcias que desconhecia completamente. Não vou contar tudo, obviamente, mas quem sabe que Renato Russo foi colega de classe no 2º grau do nosso Geddel Vieira Lima, ex-ministro da Integração Nacional? Pior, que Renato vetou a participação dele num trabalho em grupo? E quem desconfiava que Renato foi ator com participação em algumas peças teatrais e um filme-curta-metragem? Melhor, era reconhecidamente bom ator.
As melhores descobertas que fiz lendo o livro ficam por conta do processo criativo de Renato, do seu talento em escrever letras simples, mas muito profundas, fruto de uma época que as mensagens já não precisavam ser tão cifradas (mais ainda assim, algumas letras foram censuradas), como em décadas anteriores. Renato foi filho do punk, adorava Sid Viciuos, do Sex Pistols; Renato escrevia como quem dava um soco, nada mais contundente.
Ler sobre a transformação de Renato Manfredini Júnior em Renato Russo foi emocionante: a banda imaginária que tomou cadernos e mais cadernos do jovem Renato; sua primeira banda oficial, o Aborto Elétrico; os livros que lia; os discos que ouvia; o Renato professor de inglês; o Renato ídolo.
O mérito do livro, no entanto, é justamente não focar o tempo todo no seu personagem principal, como se ele vivesse fora do seu tempo e do espaço, pairando sobre as cabeças dos que viveram aquele período. Pelo contrário, Carlos Marcelo fala dos pormenores da vida naquela época, dos fatos que marcaram as pessoas que viveram aquele momento histórico. Dessa forma, o biógrafo nos mostra o ambiente no qual a mente de Renato foi criada.
“Renato Russo – O Filho da Revolução” é a tentativa bem-sucedida de revelar a sensibilidade de um homem que foi capaz de catalisar o que se passava (se passa) nos corações de milhões de brasileiros.
Prêmio literário
Posted by Sandro Caldas in Livros on fevereiro 9th, 2010
Pessoal, sei que este blog não tem um número de leitores muito grande. Se tem, não tenho acesso a esta estatística. No entanto, resolvi publicar e dividir com vocês o que para mim é uma conquista.
Acho que a maioria sabe que ser publicado no Brasil por uma editora é muito complicado. Os “nãos” são parte constante dessa luta. Em um determinado concurso tive a boa notícia de que uma editora publicaria um livro meu, mas eu teria que pagar parte da quantia, dinheiro que não tinha para dispor no momento. Desisti. Mais tarde, por intermédio de uma amiga chamada Carla Martins, mandei meus textos para outro concurso, o de Valdeck Almeida (jornalista e poeta nascido em Jequié).
Para a minha felicidade um soneto meu foi selecionado para entrar na coletânea que será publicada. Mais 132 autores também terão seus textos inseridos na obra.
O livro será lançado na Bienal de São Paulo, que ocorre em agosto deste ano. O livro sai em julho.
O primeiro passo foi dado!
Abaixo, o texto de divulgação:
O livro “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2009” é o resultado de um concurso realizado em 2009. Foi mais de 600 poetas inscritos e 133 selecionados para participarem da publicação. O livro será lançado durante a 21ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no Pavilhão de Feiras do Anhembi. Dentre os poetas estão 27 baianos, além de portugueses e um americano.
Valdeck Almeida acalentou a ideia do concurso desde seus 12 anos de idade, quando teve o primeiro contato com a poesia de Drummond, Castro Alves, Augusto dos Anjos e os cordéis escritos por vários gênios da literatura popular nordestina. Há 32 anos Valdeck compõe poemas e se aventura pelo mundo dos contos e crônicas.
O primeiro livro-filho de poesias, “Feitiço Contra o Feiticeiro”, no entanto, só veio à luz após vinte anos de gestação. Foi parido, parto normal, e caminha até hoje por este Brasil a fora.
Valdeck Almeida de Jesus sabe o que correr atrás de editoras e receber não como resposta. Não queria que outros poetas tivessem a mesma falta de sorte. Por isso, criou o “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus”, que dá oportunidade a gente do mundo inteiro.
Sobre o Organizador
Valdeck Almeida de Jesus é um poeta e sonhador. Lançou os seguintes livros: “Heartache Poems. A Brazilian Gay Man Coming Out from the Closet”, iUniverse, New York, USA, 2004; “Feitiço Contra o Feiticeiro”, Scortecci, São Paulo, 2005; 20% da renda doada às Obras Sociais de Irmã Dulce; “Memorial do Inferno. A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, Scortecci, São Paulo, 2005; 1ª edição – 100% da renda doada às Obras Sociais de Irmã Dulce; “Jamais Esquecerei do Brother Jean Wyllys”, Casa do Novo Autor, São Paulo, 2006; “1ª Antologia Poética Valdeck Almeida de Jesus”, Casa do Novo Autor, São Paulo, 2006; “Memorial do Inferno. A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, Giz Editorial, São Paulo, 2007 – 2ª edição; Participa de mais de vinte antologias de poesias. Por seus trabalhos em prol da literatura e da paz, foi nomeado Embaixador Universal da Paz em janeiro de 2010, pelo Círculo dos Embaixadores da Paz da Suíça e França. A entidade é ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).
Site pessoal: www.galinhapulando.com
Título: “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2009” - poesias
Org. Valdeck Almeida de Jesus
Editora: Giz Editorial
Páginas: 215
Onde comprar: Giz Editorial (on-line) ou direto com o organizador.
21ª BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DE SÃO PAULO 2010
http://www.bienaldolivrosp.com.br/
12 a 22 de agosto de 2010, das 10 às 22 horas
Parque de Exposições Anhembi
Avenida Olavo Fontoura, 1209
Bairro Santana – São Paulo–SP
Vampiras Lésbicas e Paulo Coelho
Posted by Sandro Caldas in Cinema, Livros on janeiro 23rd, 2010
Dessa vez não vou me deter muito demoradamente nesses dois produtos tão distintos que acabo de absorver. Um, é a biografia de Paulo Coelho, “O Mago”, escrita pelo excelente Fernando Morais. O outro, um filme chamado “Matadores de Vampiras Lésbiscas”, uma produção inglesa.
Nunca fui um fã de Paulo Coelho e talvez tenha entrado na onda nacional de não aceitar sua obra (e quando digo não aceitar, é um gigante eufemismo). A crítica nacional, que muitas vezes não era crítica, mas um mero ataque à pessoa de Paulo, produziu frases do tipo “Não li e não gostei”. Frase que soa muito pretensiosa e pedante.
Lendo a fascinante história desse escritor que já vendeu mais de 100 milhões de livros pelo mundo, cresceu em mim uma grande curiosidade pela sua obra, pelo que está escrito em seus livros. O que tanto fascina os leitores? Nunca é uma resposta muito fácil de desenvolver, mas Paulo traz em seus textos uma magia, uma espécie de linguagem meio messiânica, que envolve o leitor em um universo de encanto e fé, de certezas pela beleza da vida, embora com todas as suas pedras pelo caminho. Talvez por isso Paulo seduza de Bill Clinton a Sharon Stone, passando por monarcas e ditadores.
Minha experiência com um texto de Paulo Coelho foi desastrosa. Ainda no Rio de Janeiro, em 1996, quando tentei fazer o curso de Publicidade e Propaganda, comprei “O Monte Cinco”. Na página de número 100 desisti e vendi o livro. De lá pra cá, ignorei Paulo Coelho como escritor.
Após a leitura de “O Mago”, nasceu em mim, como disse acima, a vontade de dá-lo mais uma chance. Muito do que li na biografia tem relação com coisas que eu me identifico, como a religião Wicca, por exemplo e a descoberta de Deus. Dessa forma, encomendei “O Diário de um Mago” e “O Alquimista” por módicos R$ 16. Terei eu ao final dessas leituras, me rendido a Paulo Coelho? Veremos.
De qualquer forma, recomendo a leitura de “O Mago”. É muito bem escrito e instigante. Mesmo que você deteste Paulo Coelho, não pode ignorar sua importância para a cultura brasileira.
E o que dizer de “Matadores de Vampiras Lésbicas”? Eu, como alguns já sabem, sou fã de vampiros e logo me interessei pelo filme. Quem gosta de uma comédia leve, sensual e produzida inteligentemente para ser despretensiosa, vai gostar desse filme.
O filme conta a história de dois amigos bobões que acabam viajando para um vilarejo a fim de acampar e esquecer seus problemas. Um perdeu o emprego e o outro levou fora da namorada. Lá, descobrem que uma maldição transforma todas as meninas a partir dos 18 anos em vampiras lésbicas.
É bobo? Pode ser, mas é muito divertido e tem piadas bem legais. E algo me diz que quando as vampiras são mortas, o que sai delas é algo parecido com esperma. Uma piada, será?
Liquidificador
Posted by Sandro Caldas in Livros, Música on dezembro 14th, 2009
Como vocês vão ver, a postagem saiu psicodélica…e não houve meio de consertar!!!
São esses “caras” abaixo que estão passando pela minha cabeça neste momento. Música, literatura noir, biografia, livro de entrevistas…
Nos sites que costumo ir, duas dicas de álbuns: Remain in Light, do Talking Heads e Stone Roses (Legacy Edition), o disco que comemora os 2o anos do primeiro e perfeito disco da banda inglesa. Desses dois, fico com o segundo. Bateu na veia e ainda é um álbum brilhante, com músicas perfeitas.
Remain in Ligh
t, do genial David Byrne, não fica atrás como referência no mundo pop, mas foi uma questão de “pele” e pronto.
No meu aniversário - sim, eu fiz no dia 9 de dezembro - me dei de presente dois livros. Um é sobre a vida de Paulo Coelho, a biografia O Mago, escrita pelo ótimo Fernando Morais. Talvez se outro cara tivese escrito, não comprasse. Mas depois de ter lido Chatô - O Rei do Brasil virei fã desse jornalista. O fato é que independente de eu gostar ou não dos livros de Paulo Coelho (e confesso que tentei ler O Monte Cinco e achei chatão), o cara é uma figura muito importante na nossa cultura, tirando o fato dele ter sido parceiro de Raul Seixas.
O outro livro foi Conversas com Woody Allen. Bom, sou fã, muito fã desse baixinho genial. Adoro seus filmes, seus diálogos, sua direção, suas paranoias, tudo. Tava na minha lista e tive a felicidade de adquirir agora.
Para fechar, estou lendo o segundo livro da trilogia Millenium, A Menina que Brincava com Fogo. Estou quase terminando. A essa altura posso afirmar que o livro é bom, mas se há um pecado é o excesso de detalhes. O mesmo excesso do primeiro. Quando isso ajuda na construção dos personagens e é fundamental para ahistória, tudo bem, mas não é o caso. Essa enxurrada de informações só mostra que o autor teve muita imaginação, o que nem sempre se traduz em boa narrativa.
E claro, tudo isso temperado com os dois álbuns da minha nova musa:


Chico e Lady
Posted by Sandro Caldas in Livros, Música on novembro 30th, 2009
Hoje quero falar sobre duas descobertas. Uma é nacional, carioca; outra é de fora, dos Estados Unidos. Vou falar de Chico Buarque e Lady Gaga.
Chico Buarque todo mundo conhece, gostando ou não. Mas a descoberta que fiz não foi na área musical e, apesar de tardia, valeu muito a pena. Falo do novo romance desse também escritor, que já se aventurou com sucesso pelo teatro.
Já sou fã de Chico há muito tempo, admirador eterno das suas letras e melodias. Extremamente difícil um país produzir músicos tão refinados lírica e melodicamente. E fico com Tom Jobim sem dúvida: os três países que fazem a melhor e mais diversificada música do mundo são Brasil, Cuba e Estados Unidos. Mas não vou me alongar mais nesse quesito. Descobri o Chico romancista por aquele que é considerado o melhor dos seus romances, “Leite Derramado”, lançado esse ano. Os outros são “Estorvo”, Benjamin” e “Budapeste”.
O livro narra a história de um senhor muito idoso que se encontra no hospital e conta para quem quiser ouvir sua história de vida e seu amor por Matilde, grande amor de sua vida que o deixou aos 17 anos.
A obra de Chico tem o mérito de contar uma saga familiar de mais de duzentos anos em menos de duzentas páginas. Feito fabuloso, já que sagas desse tipo, que percorrem gerações, são livros geralmente muito grandes, calhamaços. E o mais incrível é que Chico consegue dar substância a todos os personagens citados, e não são poucos.
Fiquei apaixonado pelo romance, pela sua sensibilidade, sua poesia, sua maneira de contar a história dando voltas que apenas parecem se repetir, mas que sempre trazem uma nova informação e nos coloca um pouco mais ciente da trama.
Descobri um novo Chico e adorei.
A minha segunda descoberta é na área musical. Acho também que poucos ainda não devem ter ouvido falar de Stefani Joanne Angelina Germanotta, ou apenas Lady Gaga, essa jovem cantora e compositora de 23 anos, nascida em Nova York. Mas se ainda não ouviram falar em seu nome ou não escutaram sua música, peço um pouco de atenção. E para ser mais enfático, mesmo que não convença ninguém, acho que ela deve ser a melhor artista pop que surgiu esses últimos anos. E para quem também não sabe, seu nome foi inspirado na música “Radio Gaga”, do Queen, uma de suas influências.
Quando ouvi o burburinho ao redor do seu nome, não dei muita importância. Segui em frente escutando outras coisas, coisas boas até, muito boas, mas que já eram de artistas consagrados ou até de novos artistas. Mas e o impacto, o tal do “Poxa, é bem diferente de tudo que há por aí”? Isso eu senti com Lady Gaga. E senti vendo o clipe de “Bad Romance” um dia desses. Me apaixonei. O vídeo é engraçado, sexy e a música é inteligente. Saquei a influência do Queen de cara e pensei que essa garota ainda vai fazer muito barulho. Já tem alguns críticos que a consideram sucessora de Madonna, outra influência.
São dois discos de estúdio, “The Fame” (2008) e The Fame Monster” (2009). Baixei os dois. Adorei os dois. Ambos são êxitos de crítica e público. Lady é performática, Kistch, retrô, futurista, é moda, é sexo, é dance e é rock e além de tudo toca muito bem piano e canta muito bem.
Abaixo vocês podem assistir a dois vídeos da minha nova musa, “Bad Romance” e da linda balada “Speechless”. Espero que gostem. Me contem o que acharam de Lady Gaga.
Deus existe?
Posted by Sandro Caldas in Livros on novembro 25th, 2009
Alguns podem dizer que a evolução explica as espécies animais e vegetais, mas mesmo a famosa teoria de Darwin fica ameaçada quando nos deparamos com a descoberta de que a vida não surgiu em nosso planeta, que os primeiros microorganismos devem ter vindo do espaço para Terra, para que a partir daí a vida pudesse se desenvolver. Isso porque todos os maiores cientistas da atualidade afirmam que o ser humano teve pouco tempo para pular de um mero microrganismo (já complexo, diga-se de passagem) até um ser inteligente, capaz de pensar sobre si mesmo. Ou seja, a vida surgiu antes, em algum lugar do cosmos e foi trazida, via meteorito, por exemplo, para o nosso planeta.
Essa e outras questões são levantadas por Fred Heeren em “Mostre-me Deus”, um jornalista científico dos Estados Unidos que, justamente por ser cético, dedica sua vida a tentar entender os mistérios do universo, buscando entre as fontes o mais importante físico teórico desde Einstein, Stephen Hawking. Heeren nos mostra como as descobertas do século XX e XXI foram decisivas para um novo pensamento sobre Deus e afirma que a leitura da Bílbia é fundamental para entendermos o pensamento Dele. Nesse ponto, o jornalista cita inúmeros cientistas que acabaram se convencendo da veracidade histórica dos relatos das escrituras.
Sim, Heeren acredita num Deus que criou o universo e tudo mais nele, que transcende o tempo e o espaço e que sacrificou Seu próprio filho para nos passar a mensagem de amor que a humanidade teima em não seguir.
Esse jornalista nos dá as provas de que seria impossível a existência da vida se não houvesse uma inteligência magnífica por detrás disso tudo. E a conclusão dessa afirmação não é imposta por ele como uma doutrina pessoal, mas à luz de fatos científicos irrefutáveis. Dizem alguns dos grandes cientistas citados pelo autor:
Fred Hoyle: “Uma interpretação de bom senso dos fatos sugere que um superintelecto brincou com a Física”
Freeman Dyson: “Quanto mais examino o universo e os detalhes de sua arquitetura, mas evidências encontro de que o universo de algum modo deve ter sabido que estávamos chegando”.
Stephen Hawking, citando o fato das massas precisas do próton e do elétron: “O fato extraordinário é que os valores desses números parecem ter sido precisamente ajustados para tornar o desenvolvimento da vida possível”.
E para quem quiser tentar refutar esses e muitos outros argumentos da impossibilidade da vida ter surgido, caso tantas “coincidências” não tivessem acontecido, apenas dizendo que tinha que ser assim ou que foi um processo natural, vai encontrar inúmeras provas de que tudo podia acontecer, menos coincidência. A verdade é que tudo se ajusta de uma forma tão fabulosamente precisa, que fica quase impossível não crer em um design divino.

Fred Heeren
Tem livros que ao chegarmos ao fim da leitura, nos deixam uma marca muito forte. Como se nos iluminasse um caminho que estava escuro, mas sempre existiu. O livro de Heeren teve esse poder sobre mim, porque sempre foi difícil para eu aceitar esse Criador onisciente. Mas ao mesmo tempo sempre tive uma esperança de que existia um sentido muito além de nascer, casar, trabalhar, se aposentar e morrer. Algo em mim sempre gritou por uma extensão da vida, uma eternidade. Sentimentos que não tenho como expressar em palavras, mas que mexem com minhas mais profundas emoções.
Cético como sou, fiquei muito entusiasmado em saber da existência dessa obra e como ela iria ser recebida por mim. Felizmente os argumentos de Heeren fazem todo o sentido. É uma obra escrita por alguém que busca a verdade, que decidiu decifrar nossa existência, seguindo os fatos científicos.
Fé e ciência podem não se misturar, embora já seja conhecido o termo Teologia da Ciência, mas creio que as descobertas desses cosmólogos, astrônomos etc, podem nos fazer enxergar coisas que estão diante de nossas faces, mas não nos damos conta. A ciência tem o seu limite. Chega um ponto que ela não ultrapassa, não consegue ir adiante, não consegue formular teorias nem achar repostas.
Talvez (e agora creio que sim) exista uma palavra que possa ser a explicação para tudo aquilo que não compreendemos, para todos os enigmas que ainda não foram desvendados nem pelas mais brilhantes mentes do nosso planeta. E essa palavra é Deus.
Fred Heeren está escrevendo mais três livros seguindo essa lógica na busca humana pela compreensão da origem do universo, da vida e das crenças. Juntamente com “Mostre-me Deus”, os quatro livros receberam o nome de Maravilhas.
Sinceramente recomendo a leitura desse livro para todos que pensam a respeito das questões fundamentais que cercam nossas vidas.
Meu próximo passo agora é ler integralmente a Bíblia.
Sexo como a arte de dar e receber prazer
Posted by Sandro Caldas in Livros on novembro 13th, 2009
Quero dividir com vocês um livro que acabei de ler e que se chama “A vida sexual de Catherine Millet”. A obra causou muita polêmica pelos quatro cantos do mundo, pois trata-se de uma autobiografia, na qual esta eminente crítica de arte relata com pormenores pornográficos sua intensa vida sexual.
Catherine é francesa e atualmente está com 61 anos. Fundadora da elogiada revista “Art Press”, Catherine tem um olhar aguçado, clínico, e detalha de forma muito bem construída sua relação com o sexo.
Não foram poucos parceiros que a tocaram, que usufruiram do seu corpo em orgias que podiam chegar a ter 150 pessoas, ménage à trois, apenas um parceiro e mesmo sozinha - Catherine se diz expert na arte do onanismo. E não é só isso, ela fala de filmes pornográficos, felação como prática preferida, lambidas em lugares que muitos achariam escatológico e por aí vai.

Catherine um pouco mais jovem
Atitude corajosa dessa intelectual refletir de forma filosófica sobre suas aventuras, seus desejos mais particulares, seus gostos mais secretos. O que achei muito bonito no livro de Catherine foi a maneira como ela fala de sexo como se respirasse, como algo natural e que fizesse parte da vida. E no fundo não é isso? Mas séculos de convenções, culpas e pecados, tabus e repressões fizeram desse assunto algo um tanto distante da realidade humana, como se o sexo não estivesse intimamente ligado à nossa vida cotidiana: trabalho, casa, artes, etc. Não há humanidade sem sexualidade.
Talvez nem todos consigam falar de sexo como Catherine ou mesmo achem que sua sexualidade não diz respeito a mais ningúem, só a você e aos seus parceiros (até mesmo a autora tem suas reservas). Isso também é válido. Mas Catherine nos faz pensar que não há sentido distanciar o sexo da vida, como um objeto intocável. Sexo é o ar que respiramos, a comida que nos dá energia e o prazer que devemos e temos direito irrestrito de sentir: sozinhos ou acompanhados de uma, duas ou muitas pessoas.
À flor da pele
Posted by Sandro Caldas in Livros on outubro 5th, 2009
Terminei no início da manhã o livro “Menina dos olhos de ouro”, de Balzac. Sim, mais uma vez um texto baseado na obra dele. Um livro fininho, que muitos devem terminar em um dia de leitura, mas que faz a gente pensar em muita coisa. E é sobre elas, ou no que compreendi lendo este livro, que vou falar.
Antes, quero dizer que este livro foi uma sugestão retirada da obra “Personas Sexuais”, de Camille Paglia (autora que uma pessoa chamada Nardele Gomes teve a honra de entrevistar em Porto Alegre, para a minha inveja, rs).
Bom, o sexo é tabu em todas as sociedades, por mais avançadas intelectualmente. Não é fácil falar sobre incesto ou assuntos que hoje discutimos com certa facilidade, como o homossexualismo. Neste livro de Balzac encontramos estes dois assuntos, entre outros, descritos com maestria.
Tudo começa quando Henri de Marsay, um almofadinha culto que encontramos aos montes por aí e que se gabam de conquistar qualquer mulher que seus olhos alcancem (e às vezes conseguem mesmo), vê uma garota que mais parece ter saído de uma pintura, a fabulosa Paquita Valdès. De Marsay enlouquece e jura que aquele ser será dele. A partir daí, monta seu plano de conquista.
Consegue o encontro com ela e mais outro e outro. Em um dos encontros, Paquita pede para que De Marsay use um vestido. Ele usa e os dois se amam. Travestismo é mais um assunto que encontramos. Paquita pede a Henri para se travesti, não apenas por mera fantasia, mas porque ama outra mulher e vê nele, moço de beleza feminina, alguém que possa saciá-la e que a faz lembrar do seu amor pela outra mulher, já que ela não pode concretizá-lo. Henri é apenas um instrumento que ela manipula. Paquita é:
A estranha união do misterioso e do real, da sombra e da luz, do horrível e do belo, do prazer e do perigo, do paraíso e do inferno.
O incesto fica por conta das cenas finais, quando a irmã de Henri de Marsay mata Paquita com um punhal. A morte de Paquita é a felicidade dos dois, já que a bela mulher poderia devorar Henri. Irmãos se beijam e o pacto de silêncio é feito. A irmã de De Marsay mata por ciúme.
Penso que ainda não sabemos nada sobre sexo e é por isso que este tema sempre me fascina. A energia mais poderosa que existe e tantos tabus em volta, tantos preconceitos. Fidelidade, estupro, incesto, pedofilia, bissexualidade, travestismo etc etc. O melhor que podemos fazer é ler, pensar, refletir, e se for o caso, experimentar. Claro, cada um na sua, com seus limites.
Acho que há instituições demais interferindo na sexualidade das pessoas, da Igreja até a escola - que é outro local que muitas vezes deseduca e incute preconceitos.
Sou a favor da pornografia (existe sim, boa pornografia) porque a acho um canal de liberação e aprendizagem muito grande, tanto para homens quanto para mulheres. Da arte clássica até a considerada arte popular de massa estão impregnadas de sexo, de pornografia, de erotismo (aqui indico “Personas Sexuais” e “Vampes e Vadias”, de Camille Paglia). Música, pintura, literatura, cinema e quadrinhos. O tempo todo estas artes nos mostram sexo, erotismo, pornografia.
Não se iludam - e essa é uma das verdades que carrego comigo - achando que o contrato de fidelidade firmado entre duas pessoas, exclui sua mente de pensar e seu corpo de sentir. Podem ter certeza, isto não é pecado. Por mais monogâmico que sejamos, temos algo de primitivo que nos queima.
Balzac contribuiu muito para que pudéssemos aprender um pouco mais sobre o sexo, suas armadilhas e a força do poder feminino, além de tantos outros temas.
Chico Buarque tem uma música chamada “O que será (à flor da pele)”, acho que todo mundo conhece. Sexo, sexo, sexo, é o tema dessa música. Chico é outro que sabia do que estava falando, quando escreveu estes versos. Ouçam abaixo essa maravilha, na interpretação dele e Milton Nascimento:


