Archive for category Comportamento

Clipe do dia!

Já se passaram vinte anos desde que ouvi o R.E.M. pela primeira vez, banda que continua sendo minha predileta de todos os tempos e olha que gosto de muitas coisas. Apesar da Saída de Bill Berry, o baterista das caras da Georgia, Michael Stipe, Mike Mills e Peter Buck continuam firmes e sempre bons.
“Accelerate”, mais recente e já clássico disco da banda, comprova isso. Já ouvi esse álbum dezenas de vezes e está entre os meus preferidos, junto com “Automatic for the People”, “Murmur” e “Out of Time”.
Amanheci esse 19 de janeiro ouvindo “Man Size-Wreath”, segunda faixa do “Accelerate”. Adoro.
Coloco abaixo o vídeo dessa música para que vocês - se não conhecem - sejam apresentados. Mas indico o disco inteiro. Não é o clipe original.

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Você tem twitter?

twitterDe um tempo para cá tenho lido sobre o Twitter. Minha curiosidade levantou as orelhas, mas confesso que pelo que tinha lido, não me pareceu grande coisa: um microblog, no qual o usuário tem no máximo 140 caracteres para escrever um texto. Este parágrafo não caberia em um post no twitter. Enfim, para que serve o twiiter mesmo?

Criado em 2006 por Jack Dorsey, ganhou o apelido de SMS da Internet. Como qualquer rede social, como Orkut, Facebook e MySpace, o Twiiter (que também é uma) é apenas uma forma mais dinâmica, em tempo real, de seguir e ser seguido pelas pessoas, seja ela amiga, desconhecida ou alguma personalidade que você admira (Sandy, Luciano Huck e Pitty são algumas que aderiram à ferramenta). Estima-se que 11 milhões de pessoas já tenham uma conta no site.

A meu ver, o Twiiter é mais pessoal e revelador do que os outros, além de fazer com que o usuário sinta-se “amigo” de um cantor ou ator de sua preferência. No Twitter existe a possibilidade de um deles responder a você, interegir com seus textos. Coisa que é mais difícil com um perfil no Facebook ou MySpace. O Twiiter é como se você tivsse o MSN de Sandy, por exemplo, embora ela não esteja, maioria das vezes, falando com você, mas com todos que a seguem.

A semelhança com os outros sites de relacionamento é simples: voyeurismo e exibicionismo. Creio que todos esses sites fazem sucesso porque temos sede do outro e todos queremos nos mostrar. Isso não é ruim, pelo contrário. Faz parte da nossa ânsia em ser visto e querer ver, conhecer os detalhes, por vezes bobo, da vida do outro. E claro, somos ainda mais tentados quando esse outro é um ser que tem como profissão a arte de atuar ou cantar, por exemplo. Profissões que os distanciam da realidade ordinária. O intressante é que quando lemos uma frase de Luciano Huck ou Sandy, nos perguntamos se são eles mesmo. Por qual motivo não seriam? Nâo são humanos como nós? Então quer dizer que Sandy não gosta de barulho de construção em dia de feriado? Claro que não…e quem gosta?

Enfim, resolvi há alguns dias aderir ao Twitter. E confesso que é divertido, mesmo que ningúem ache relevante saber que eu tomei vinho no almoço. Mas há muitas dicas que seguidores e seguidos dão: de sites, de filmes, de notícias etc. É saber aproveitar.

Caso você queira seguir algum famoso, cheque se o perfil é Fake.

Obs: Graças ao Twitter um post meu passou a ser o texto que, até agora, apresenta o maior número de comentários. E é um post sobre uma grande cantora.

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Sandy e os rituais

Ser famoso ou anônimo são dois lados da mesma moeda. Quem nunca sentiu o gosto da fama, imagina como deve ser receber a atenção, os olhares e até os comentários maldosos daqueles que te observam. Uns com ódio, outros com desprezo e demais com admiração e amor. Não é à toa que milhares de pessoas se candidatam a uma vaga em reality shows como o Big Brother. Por outro lado, quem já desfruta da fama (merecida ou não), sonha em poder ir ao cinema ou passear pelas ruas da sua cidade sem ser abordado em troca de uma foto.

A personagem deste texto é Sandy Leah Lima, uma garota que desde muito pequena é famosa e já conta com 17 anos de carreira, se não me engano.

Sei que Sandy faz análise, mas não atribuo o casamento, a formatura e a festa de 15 anos a algum conselho profissional. Ela podia sinceramente não querer tudo isso, já que não precisa provar que é normal. Mas quis, justamente porque o é. Considero Sandy bastante madura e consciente das suas escolhas e atribuo à família que possui esta sólida formação de caráter.

Acho muito bonito como ela conduz sua vida e falo isso sem medo de parecer idiota. Admiro seu gosto aos rituais. Faz parte de nossa época, e isso não tem nada de ruim também, não prescindir de simbolismos como o casamento, a festa de 15 anos ou a formatura. Eu mesmo não fiz a mínima questão de me formar com solenidade e não dou tanta importância aos rituais de qualquer espécie, mas os acho bonitos e válidos.

15 anos

15 anos

 

 

Sandy realizou sonhos como a festa de 15 anos, com tudo o que tem direito. A menina virou mulher. Sandy se formou em Letras para ganhar mais conhecimento e melhorar como pessoa e artista. Sandy se casou com o homem que ama (sim, muitos se casam sem amar).  Passou por esses rituais humanos porque é humana como todos, apenas tem um emprego que coloca uma lente de aumento em sua persona e descarta sua falibilidade como mortal, seus anseios como mulher, seus medos e incertezas. Como diz em uma das letras que escreveu: o glamour não dura pra sempre, já que também vai ao banheiro.

Nada mais humano.

Vejo muitos artistas, alguns muito pouco artistas, transformarem suas vidas em lama diante do público. Atribuem a si mesmos uma importância que não possuem. Fazem-se de vítimas e atormentados (poucos são mesmo). Nada mais detestável do que um artista que se diz artista. Não vejo Sandy ser assim, diante de quase duas décadas de vida nos palcos.

 Casada

Sendo Sandy, a famosa cantora ou não, continua a olhar para o céu e não entendendo nada, como todos nós.

Casada

 

 

 Formada em Letras

Formada em Letras

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Em uma galáxia muito distante…

lcmOntem de madrugada li uma entrevista da “atriz”, “escritora” e “diretora de teatro”, Maria Mariana, 36 anos, filha de Domingos Oliveira. Maria se tornou conhecida por um livro que quase todos conhecem ou já ouviram falar e que logo virou série de  TV: Confissões de Adolescente.

Passados muitos anos, a atual mãe de 4 filhos resolve lançar “Confissões de Mãe” (caça-níquel óbvio? quem sabe!). Fuçando pela internet, encontrei um link para a entrevista que a moça deu parta a revista Época. E a cada linha que lia, me perguntava se Maria Mariana não aprendeu nada com seu pai, este que até namorou Leila Diniz. Acho que o cineasta deve estar muito chateado com as idéias retrógradas da filha.

Para que vocês entendam do que estou falando, abaixo segue a entrevista. Em qual galáxia essa menina esteve para aprender e ter coragem de  falar tanta bobagem?

Maria Mariana - “Deus quer o homem no leme”
A escritora carioca que foi ícone da juventude nos anos 90 volta a polemizar com “Confissões de mãe”

Martha Mendonça 

ÉPOCA – O que a adolescente dos anos 90 e a mãe de quatro filhos têm em comum?
Maria Mariana –
Mudei muito, mas algumas coisas ficaram. Acredito que uma delas seja a criatividade no dia a dia. Eu sei fazer de um limão uma limonada. Tenho sempre um coelho na cartola, um assunto engraçado numa hora chata, uma forma de tornar aconchegante um ambiente ou uma situação difícil. Isso vem também do fato de eu adorar ser mãe. Mas a maternidade está em baixa.

 

ÉPOCA – Por que você diz isso?
Maria –
O valor de ser mãe não está sendo levado em conta. Sinto isso há quase dez anos, desde que eu decidi parar todas as minhas atividades para ter filhos e cuidar deles. A pressão foi inimaginável e veio de todos os lados. Da família, dos amigos, de quem mal me conhecia. Muita gente me perguntou se eu estava deprimida ou tinha síndrome de pânico. Meu pai também custou a entender. Eu era bem-sucedida, e largar a fama é um absurdo para as pessoas. Se alguém saiu da mídia por vontade própria, é porque tem algum problema grave. A verdade é que eu só descobri o que é trabalhar depois de ser mãe! Ser mãe é um trabalho social, o maior deles. É um esforço para garantir a criação de indivíduos de valor, mentalmente sadios, que contribuam para o bem geral. Pessoas equilibradas, educadas, que consigam se manter. Quando pequeno, o filho precisa de atenção especial e exclusiva. É nesse período que se formam a base do que ele será, o caráter, os valores. Depois, é difícil consertar.

 

ÉPOCA – Como foi sair de uma vida badalada no Rio para uma cidade pequena?
Maria –
Eu trabalhava como roteirista, sempre amparada pela sombra do sucesso de Confissões de adolescente, mas alguma coisa não estava fechando. Tive um primeiro casamento, dos 20 aos 23 anos, que não deu certo. Depois fui morar sozinha e tinha a impressão de que a vida se movia em círculos. Ao mesmo tempo, sempre tive a obsessão de ter filhos. Quando meus pais se separaram, eu estava com 7 anos e passei a viver com meu pai. Era filha única, muito madura, lia Dostoiévski e estava sempre cercada por amigos intelectuais dele. Mas eu sonhava com uma enorme mesa de família com aquela macarronada no domingo. Eu queria mudar de degrau, mudar de história. No meio disso tudo, conheci o André, meu marido. Um mês depois, estava grávida. Todos os meus filhos foram planejados. A primeira, Clara, foi de cesariana, o que foi uma decepção para mim. Os outros foram de parto normal.

 

ÉPOCA – No livro, você diz que mulheres que não conseguem o parto normal estão “envolvidas com pequenas questões de ego”. Explique.
Maria –
Respeito a história da maternidade de cada mulher. Mas, depois que tive o parto normal, vi que é uma vivência fundamental. Se a mulher parir naturalmente, será uma mãe melhor. Todos falam do nascimento do bebê, mas esquecem que a mãe também nasce naquela hora. A mulher também tem de estar focada na amamentação.

 

“Apanhar cueca suja que o marido deixa no chão
é um aprendizado de paciência e dedicação “

 

ÉPOCA – A maioria das mulheres não está preocupada em amamentar?
Maria –
Muitas não estão. Amamentar não é um detalhe, é para a mãe que merece. É importante e simplifica a vida. Vejo muitas mulheres com preocupações estéticas, se o peito vai cair, se vai ficar alguma cicatriz se o peito rachar. Aí o leite não vem. Amamento há nove anos seguidos. Só desmamo um quando engravido do outro. Minha caçula, de 2 anos, ainda mama. Existe a realidade de cada um, mas é preciso elevar a consciência sobre o que fazemos. Há mulheres que passam nove meses no shopping, comprando roupinhas, aí depois marcam a cesárea e pronto. Acabou o processo. Aí sabe o que acontece? Elas têm depressão pós-parto.

 

ÉPOCA – Você não teme ser repreendida pelas feministas?
Maria –
Não acredito na igualdade entre homens e mulheres. Todos merecem respeito, espaço. Mas o homem tem uma função no mundo e a mulher tem outra. São habilidades diferentes. Penso nesta imagem: homem e mulher estão no mesmo barco, no mesmo mar. Há ondas, tempestades, maremotos. Alguém precisa estar com o leme na mão. Os dois, não dá. Deus preparou o homem para estar com o leme na mão. Porque ele é mais forte, tem raciocínio mais frio. A mulher tem mais capacidade de olhar em volta, ver o todo e desenvolver a sensibilidade para aconselhar. A mulher pode dirigir tudo, mas o lugar dela não é com o leme.

 

ÉPOCA – Mas você não valoriza a emancipação da mulher?
Maria –
Valorizo. Teve seu momento, foi fundamental para abrir espaços, possibilidades. Mas as necessidades hoje são outras. Precisamos unir a geração de nossas avós com a de nossas mães para chegar a um equilíbrio feminino. Eu não sou dona da verdade. Não à toa, fiz meu livro como um diálogo entre mim e minha filha. Quero dizer às jovens do mundo de hoje que existe uma pressão para que elas sejam autossuficientes profissionalmente, sejam mulher e homem ao mesmo tempo, como se fosse a única forma de realização. Para isso, elas têm de desenvolver agressividade, frieza – sentimentos que não têm a ver com o que é ser mãe. O valor básico da maternidade é cuidar do outro, doar, servir. Nada a ver com o mundo competitivo. Maternidade é tirar seu ego do centro.

 

ÉPOCA – O que pensa sobre o casamento?
Maria –
Casamento é um degrau que a pessoa tem para caminhar para a frente. Quem opta por ficar sozinho não desenvolve aprendizados que o casamento dá. Apanhar cueca suja que o marido deixa no chão é um aprendizado de paciência e dedicação. As pessoas pensam em união apenas como o espaço da alegria, do conforto. Casamento é embate, negociação e paciência. É preciso insistir e vencer. Saber que não se muda o outro. É preciso mudar a nós mesmos.
Comentários:

É de chorar. Tudo bem que ela fala que a maternidade é algo maravilhoso, que ser mão é o máximo etc. Até aí tudo bem. Mas depois da revolução sexual, da emancipação da mulher e de outras evoluções e revoluções nos costumes mundanos, será que ainda há espaço para dizer que é o homem e apenas ele que deve comandar o barco? Ou que a mulher que não tem filhos de parto normal não será tão boa mãe em comparação com aquela que teve normal? Ou que o casamento é a única forma de ser feliz dentro das relações homem-mulher? Pelo amor dos deuses!!!

Cito Camille Paglia, intelectual que admiro muito, que afirmou que a maternidade é algo maravilhoso e que admira as mulheres que decidem largar tudo para cuidar dos filhos. Inteligente, Camille sabe que isso não tem nada a ver com não ser sexualmente ativa, sentir desejos e ser a quem segura o leme. A mulher pode e já mostrou que guia o barco muito bem.

Mulheres e homens não são iguais biologicamente e é claro que existem diferenças que devem ser respeitadas, mas essa moça está aquém de produzir um discurso inteligente sobre qualquer assunto relacionado à essas diferenças e sobre o papel de ser mãe. Ela está muito mal informada e parou no tempo. Acho que Maria Mariana perdeu tempo demais catando as cuecas sujas do marido.

 Simone de Beauvoir deve estar muito triste.

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Pela web é traição?

A traição pode ser uma palavra de sentido amplo. A pessoa que se sente traída, certamente ficará triste. E as conseqüências dessa tristeza podem variar do término do relacionamento a um “estou de mal” por alguns dias. Tudo depende de quem recebe e como define a traição.

 

A fidelidade absoluta é uma instituição construída com os tijolos do amor romântico e pitadas de religião. O amor romântico nos diz que devemos amar eternamente uma única pessoa, como nos filmes, novelas e romances que tanto vemos (e o pior é que ainda sonhamos com esse ideal da alma gêmea. Esta é apenas mais uma possibilidade de amar e viver, entre tantas outras). A religião prega que não devemos olhar para mulher do próximo e que determinadas atitudes são pecados, além de pesar nossos ombros com o fantasma da culpa.

 

Bom, dito isto, sexo pela internet é traição? Difícil responder isso, porque, como já disse, depende de quem pensa a questão. Então, vou responder por mim. Quem concordar, beleza. Quem não disser amém, ótimo também.

 

Tenho certeza que muitos de vocês já se amaram solitariamente, não é? Falar masturbação pode ofender. Como este ato requer imaginação, creio que cenários foram montados com vizinhas, o açougueiro, a garçonete, a atriz do filme, o carteiro ou sua prima. Se pensarmos essas fantasias, mesmo namorando ou casados com alguém, ninguém diz que foi traição. E se sonharmos, também não. Se pegarmos as revistas de sexo ou assistirmos filmes eróticos, traímos? Não. Mas nosso corpo não está reagindo ao corpo de outra pessoa, que não é nossa parceira ou parceiro oficiais? Mas ainda assim, não consideramos traição.

 

Então, traição é toque e envolvimento emocional? Pode ser para quem acha que é dessa forma que se trai verdadeiramente.

 

Agora calma, estou chegando a uma conclusão: o virtual sempre existiu nas relações. Vê revistas, pensar em um símbolo sexual ou assistir vídeos pornográficos esquentam as ciosas e não nos fazem esquecer nosso namorados e namoradas ou diminuem nosso amor por eles. Certo, beleza, então tudo isso não é traição. Mas quando utilizamos a nossa webcam para safadezas virtuais, é? Tem muita gente que acha que sim, porque estamos falando em tempo real com a pessoa, como se estivéssemos ao lado do seu corpo. Mas e o toque e o envolvimento emocional? Pela webcam não há toque e há menos que você conheça a pessoa do outro lado, e já tenha tido contato, não há como dizer que exista paixão ou amor ou algum sentimento de amizade.

 

Aquela pessoa do outro lado, que se mexe muito lentamente às vezes, serve como um vídeo pornô, só que você pode entrar em contato com a atriz ou ator e dirigir a cena. Agora, o perigo. Como tudo vicia, o pior é se trocarmos nossos companheiros e companheiras de carne e osso pelo objeto virtual. Todos devem ter ouvidos histórias nas quais algumas pessoas se tornaram viciadas em sites pornográficos. Muitos trocam a família por esse conteúdo explícito.

 

Eu não respondi? É traição ou não? Não acho que seja traição. A prática é utilizada para dar vazão a outros desejos e pode funcionar como uma pimentinha no relacionamento. Prefiro acreditar que se trocarmos nossos parceiros ou deixar de fazer sexo com eles por causa disso, aí algo está errado. E como tudo no comportamento humano, não serve para todo mundo, nem todos se sentem confortáveis ou acham natural o outro utilizar esse método, digamos assim.

 

O fato é que a sexualidade humana é multifacetada. Do papai-mamãe ao grupal, passando pelos filmes pornográficos até a webcam e um mar de posições e objetos e modalidades (fisting, por exemplo. Pesquisem!), o ser humano não merece a culpa por sentir prazer. Sendo assim, quase nada é proibido. O sexo e o desejo só não podem causar dor, seja moral ou física. Isso sim, é o contrário do prazer.

 

PS: Não falo da “dor” que muitas vezes é tesão também. Compreendem?

 

PS2: Sabe o que é trair para mim? Aprisionar o outro em seu modo de pensar. Faze-lo crer que você é sua salvação, quando bem sabemos que escolhemos e somos escolhidos. Trair é usar a violência sutil para fazer com que o outro deixe ser ele mesmo a cada dia. 

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Confissões

Qual a semelhança entre uma bailarina, um boxeador e uma prostituta? Apesar das óbvias diferenças, todos usam seu corpo da maneira que bem entendem.  

 

Em uma época nem tão distante, as prostitutas é que faziam o papel das iniciadoras dos garotos, já que suas amigas ou namoradas não podiam revelar a flor do desejo. Ainda bem que as coisas mudaram, mas as prostitutas, creio, continuam ensinando muito aos homens.

 

Questão de escolha ou necessidade financeira? Descontando os abomináveis casos de prostituição infantil e tráfico de pessoas, a prostituição é opção. E tem gente que gosta e leva a sério, embora outras desejem sair desta vida.

 

A Terra TV fez um documentário com 15 vídeos de três minutos, em média, nos quais as profissionais do sexo relatam suas aventuras e agruras profissionais, além de falarem sobre família, relacionamentos e claro, sexo.

 

O nome é “Confissões de Acompanhantes” e foi realizado pela FICs (Fábrica de Idéias Cinemáticas). Tem roteiro de Newton Cannito e Diego Junqueira e foi produzido por Roberto D’Avila.

 

Bruna Surfistinha está lá, contando de forma breve sua vida. Todos a conhecem, não?

 

Asista aqui todos os vídeos!

 

 

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Relacionamentos instantâneos


Conversando ontem com minha mais nova amiga, Flávia Britto, uma blogueira que admiro muito e que é do Pará (amo açaí e cupuaçu) comecei a pensar sobre a facilidade em se relacionar com as pessoas via programas de mensagens instantâneas. É tão simples iniciar uma conversa e mais fácil ainda falar sobre você mesmo: suas músicas favoritas, seus relacionamentos passados, suas fantasias e sonhos. Tudo se torna mais fácil com a tela como proteção. Sua personalidade pode ser exposta sem medo. Os interlocutores se abrem com estranhos numa rapidez e fluidez que seriam mais difíceis em uma conversa face a face.

Mas isso é bom?

Para mim, há dois lados. Por esses programas, e o MSN é o que mais utilizo, pude conversar com pessoas da Turquia, Alemanha, Austrália e cidades do Brasil nas quais nunca pisei os pés, como Porto de Galinhas, em Recife. Com elas, troquei informações sobre os costumes locais, recebi músicas, fotos e indicação de lugares que deveria visitar. Esse é o lado bom e instigante, a meu ver.

O fato é que alguns meses depois das freqüentes conversas acabamos não nos falando mais. Esse é o lado ruim. A frieza desse tipo de contato acaba transformando a relação em algo mais distante do que já é. Como a pessoa não participa do seu cotidiano, acaba perdendo o interesse, seja porque já conheceu outras pessoas ou porque prefere dividir sua vida com seus amigos próximos e de “carne e osso”. Assim, penso que não devemos cobrar de nossos amigos feitos de bits o mesmo tipo de atenção dos amigos “reais” - chamemos assim.

Pode-se ganhar nessas relações à distância o conforto e a conveniência de só desfrutar o melhor do outro, deixando os problemas e suas chatices e falhas humanas para quando desligamos o computador. Mas até nisso não vejo tanta vantagem. Se é justamente conhecendo os defeitos e as idéias que escolhemos quem queremos preservar do nosso lado. Seria ótimo puxar para a nossa vida alguns desses seres que conhecemos pela web.

Por outro lado, sabemos que manter um relacionamento afetivo nunca é fácil: seja com amigos (as) ou namorados (as). Então, qual a vantagem dos relacionamentos táteis? Digo-lhes que são os abraços, a companhia em um filme ou em um barzinho. A visita em um fim de semana e ver de perto as suas reações humanas. O calor da sua existência.

Colocando na balança, acho que posso fazer uma comparação. Os relacionamentos via programas de mensagens instantâneas são bons e podem até ser proveitosos e prazerosos, como ficar uma noite ou uma semana com alguém, podendo ser essa experiência algo fantástico para quem a viveu. Mas os relacionamentos presenciais e mais extensos possuem o aprofundamento, a descoberta do outro, os seus detalhes, que nenhuma webcam pode prover.

Prefiro o livro ao e-livro.

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Blogando a vida

Logo quando comecei a ter acesso ilimitado à internet, descobri um mundo de possibilidades: músicas, livros, cinema, artigos, possíveis namoradas, paqueras etc. Com o tempo e já com mais percepção do que é a web, meu encanto, embora não tivesse diminuído, ficou mais maduro. Sei que a internet é fabulosa em suas possibilidades, mas tem muita coisa ruim em termos de conteúdo – acho que a maioria, talvez. Por isso, o senso crítico na hora de absorver esse conteúdo em qualquer outro meio de informação, é fundamental.

Alguns anos depois da minha entrada na Matrix, resolvi escrever meu primeiro blog. Isso foi em 2004. O MuCiLi (Música Cinema e Literatura), com era chamado, tratava basicamente desses três assuntos, mas não deixava de meter o bedelho em temas como comportamento, política e amenidades mil.

De lá pra cá, conheci muitos outros. Fui fuçando, lendo as histórias, pegando dicas, entrando em contato com os blogueiros, trocando informações com outros países e cidades, daqui e do mundo. Posso dizer que, talvez, 30% do que vejo e leio é interessante. Um deles foi o Síndrome de Estocolmo, de Denise Arcoverde – blog que continuo lendo. Foi por meio dele que fiz meu primeiro amigo secreto pela web e ganhei o livro Cidade do Sol, de Kaled Hosseini. Tudo funcionou via sedex. Foi muito legal!

Querem outros blogs legais? Cliquem no “recomendados” desse blog.

Até durante a faculdade, o tema “blog” fez parte da minha vida acadêmica. Fiz um trabalho que tentava provar que os blogs são uma espécie de divã contemporâneo, nos quais as pessoas, revelando suas identidades ou criando pseudônimos, expressam seus desejos, seus problemas, suas queixas, suas fantasias, enfim, suas opiniões, sem cortes ou censuras, a não ser delas mesmas. E talvez seja isso mesmo que os blogs representem: a tara, o voyeurismo, o exibicionismo, a vontade do outro ser compreendido, ser lido, ser aceito pelas suas idéias, conhecer pessoas com personalidades parecidas.

Hoje tenho o Vinil Digital e a idéia é basicamente a mesma do antigo: falar de todos os assuntos, talvez com um enfoque mais musical. As diferenças ficam por conta dos poemas que coloco, dos textos que peço para que leitores mandem - blogueiros ou não. Minha visão sobre os blogs também vai além da mera questão psicológica. Os blogs servem para que qualquer um possa publicar seu livro, exibir sua música, postar seu curta metragem. Nesses casos, vocês também podem contar com a ajuda do My Space e do You Tube e de tantos outros sites de propostas similares.

PS: Nunca consegui uma namorada pela internet. O máximo foi um encontro que me deu de suvenir um moletom acinzentado. Isso foi em São Paulo.

PS2: A Revista Época dessa semana trouxe em sua matériade capa uma selação do que ela chama de “80 blogs que você não pode perder”. Quem tiver oportunidade de ler essa matéria, pode conhcer algo interessante. Eu ainda não li…Tempo Rei, ó Tempo Rei!

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Pela moral e os bons costumes (uma parte deles)


Li na revista Época de 20 de outubro uma matéria que falava sobre as qualidades morais dos novos produtos infanto-juvenis surgidos nos últimos anos. O texto exaltava, particularmente, o megasucesso da Disney “High School Musical”, que estréia mundialmente hoje. Diz o texto: A série High School Musical, cujo terceiro episódio estréia nesta semana, quer mais que recordes de bilheteria, audiência de TV e venda de CDs. Ela oferece um pacote de valores morais para as novíssimas gerações. Mas, que valores são esses? Eles realmente são o reflexo da boa conduta e da felicidade eterna?

Vamos refletir.

Eu vi o primeiro “High School Musical” na TV a cabo. Achei um filme divertido, com jovens corretos, enfrentando seus problemas de forma saudável, sem recorrer às drogas (álcool, por exemplo) ou tendo acessos de rebeldia – o que é normal nessa fase. De qualquer forma, esse tipo de produto pretende ser um modelo a ser seguido, não o reflexo do que talvez fosse a realidade.

Quando li que crianças estavam se comunicando melhor com seus pais por causa da boa relação de Troy (Zac Efron) com seu pai, achei isso legal. Zac é protagonista do filme e par romântico de Gabriella (Vanessa Hudgens). Filmes também servem para passar bons ensinamentos e nos fazer pensar. Valores como amizade, respeito aos pais e professores, além de uma vida saudável com esportes e boa alimentação, também fazem parte do pacote. Gosto disso, mas é apenas uma parte da história.

Um historiador dos Estados Unidos, Neil Howe, chamou as pessoas que nasceram de 1981 para cá, de “milênicos”. Para ele, essa palavra se aplica às pessoas que entraram em contato com uma realidade que as transformaram em seres mais críticos, com uma noção de tecnologia maior, com uma quantidade maior de informação disponível ao seu alcance. Outra ponto citado por Howe são, especificamente, as pessoas que nasceram de 1990 até os dias atuais. De acordo com o estudioso, são jovens que são mais convencionais nas escolhas, estilos de vida e valores do qualquer outra geração na mesma idade. Dessa forma, “High School Musical” “reflete o conservadorismo cultural e os valores dessa turma, que é menos provocativa culturalmente, justamente porque não precisa romper barreiras”, diz Howe.

Eu me pergunto se isso é tão bom assim. Talvez não seja, mas é melhor do que vermos crianças e adolescentes destruídos (mas romper barreiras e experimentar é fundamental). Creio que esses valores invadam esses produtos por serem uma espécie de “retrocesso” ao que era considerado o padrão máximo da moral e dos bons costumes: o velho amor romântico, por exemplo. Assim, seria um ataque consciente ou inconsciente à problemas como a AIDS. Valorizando o amor romântico, valoriza-se a monogamia, mesmo que essa idéia já esteja sendo fortemente contestada. Afinal, a liberdade sexual fez surgir o ser instintivo e pornográfico que a maioria de nós é.

Outra virtude valorizada é a virgindade. Os integrantes da banda Jonas Brothers (lançada em mais um filme da Disney) usam até um anel para selar o compromisso de não se entregar aos prazeres antes do casamento. O que dizer de “Harry Potter”, que no último livro passa meses em um acampamento cheio de jovens e não acontece uma paquera sequer? No final, todos casam e são felizes para sempre. Hum, não acho isso muito real.

Outro lado

Ao mesmo tempo que vemos os filmes e programas de TV passarem valores morais, notamos que seus atores, adolescentes que são (humanos, também), cometerem seus atos de natural transgressão e ebulição hormonal. Vamos aos exemplos. A bela Miley Cirus, 15 anos, que faz o papel da cantora “Hanna Montana” (outro produto Disney), pousou para a revista Vanity Fair usando apenas um lenço cobrindo os seios. Outro exemplo, mais picante, foi o de Vanessa Hudgens, que mandou fotos como veio ao mundo para um namorado. Fotos que foram colocadas pelo ex-namorado no mundo sem fronteiras da web.

Apesar de sabermos que esses programas passam idéias legais de convivência entre amigos, pais e professores, além de darem dicas sobre saúde e comportamento em relação ao sexo, não devemos tapar o sol com a mão. Acho importante termos uma sólida formação, que envolva o respeito ao ser humano e à sua diversidade cultural e que contemple nossa formação intelectual aliada ao prazer de viver. Mas com o passar do tempo, a vivência desses futuros adultos os mostrará que o mundo é mais do que eles viram nos filmes e programas. A vida emocional do ser humano é complexa, não há como negar.

Os modelos de família mudaram. A relação dos seres humanos com o sexo, também mudou. A mulher já pode expressar sua sexualidade de forma mais ampla. Um dia, essas crianças e adolescentes vão se deparar com essa realidade diversificada e não menos colorida.

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Entre a simbiose e a liberdade


Estou lendo um livro maravilhoso. Ele se chama “História Sexual da MPB”, de Rodrigo Faour. Mas não é sobre o livro que venho falar agora (em um outros post, pretendo falar de forma geral sobre ele). Venho expor minha opinião sobre um dos temas tocados pelo jornalista: viver entre o desejo de simbiose e o desejo de liberdade. E o que seria isso? Quem é mais tradicional, ainda voltado exclusivamente para os valores monogâmicos e herméticos, talvez se choque. Mas acho que não cabe mais pensarmos que o amor deva ser lacrado dentro da idéia do romantismo: parceiro ideal para a vida toda.

Todos sabemos que a humanidade evoluiu em suas idéias a respeito do sexo e das fantasias ligadas a ele. Embora aceitem com mais respeito os homossexuais e que a mulher já possa ter prazer na cama e até “trair” como homem, ainda somos uma sociedade bastante arcaica quando assunto é sexo. Mesmo que tenhamos um vulcão prestes a explodir.

Transcrevo abaixo um trecho do livro de Faour:

“Para um número ainda restrito mas não invisível de pessoas, já foram dados passos mais largos. Os clubes de suingues são uma realidade nas grandes capitais, ainda que poucos divulgados e funcionando às vezes de forma irregular. Lentamente o sexo grupal, a troca de casais, os casamentos abertos, onde eventualmente um ou outro parceiro podem ter sexo com outras pessoas, e a contratação de profissionais de programa para incrementar uma relação são práticas que começam a deixar de ser tabu. Os brinquedos sexuais (que a própria mídia estimula vez por outra em filmes, novelas e programas de variedade em geral) gradativamente entram no imaginário do brasileiro, e de alguma maneira já não são uma ficção, como em outros tempos. Finalmente, as relações extraconjugais nunca foram tão intensas (de ambos os sexos) – muitas das quais ajudadas pelo advento da internet, terreno farto para a exposição das fantasias mais secretas das pessoas – e vários relacionamentos já não acabam definitivamente por causa de uma ‘traição’”.

Você pode não concordar com determinadas práticas ou gostar de uma mais do que de outra, mas é inegável que o desejo de liberdade sempre esteve presente. É o que atesta as letras das canções, que sempre fizeram a crônica das relações amorosas em todos os tempos. E esse desejo de liberdade sempre entrou em conflito com as aspirações românticas que sempre nos foram estimuladas. Ou seja, temos que encontrar um parceiro ideal, nossa cara-metade que vai nos acompanhar para a vida toda. Temos que amá-lo e não desejar mais ninguém. Isso não condiz com nossa realidade humana, nossos sentimentos mais básicos. Esse tipo de amor, no qual duas pessoas vivem juntas para sempre, existe e é fabuloso, mas não podemos nos esquecer de que é uma entre muitas possibilidades.

Leia o que diz a sexóloga Regina Navarro Lins. Trecho também retirado do livro de Faour:

“O mundo oferece muitas possibilidades, e com o tempo esse tipo de amor gera grande frustração, afinal, ninguém consegue preencher o outro em todos os momentos da vida, inclusive o sexual”.

Estar ligado de forma tão simbiótica e exclusiva a alguém, pode não ser alcançado pela maioria dos mortais. E mesmo que alcancemos tal entrosamento, ainda assim podemos desejar a amar outra pessoa. Acredito que podemos amar eternamente um outro ser, mesmo não estando vinculado a ele formalmente (casamento, por exemplo). Chico Buarque disse:

Prometo te querer
Até o amor cair doente, doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei como encantado ao lado teu

Podemos, como diz Chico, amar alguém para sempre, sem esperar o “felizes para sempre”.

Pode ser doloroso ter que aceitar que nossos parceiros desejam outras pessoas, que fantasiam com outras mãos e pernas e órgãos. O fato é que também fazemos isso e até nos servem de inspiração para nossos relacionamentos atuais. Flávio Gikovate, psicanalista presente no livro, afirma que “sexo se faz e amor se sente”. Acredito que sexo e amor podem conviver juntos, com certeza, mas nem sempre. Homens e mulheres sabem disso muito bem.

Defendo aquela liberdade na qual a pessoa escolha a melhor forma de viver e ser feliz, com ou sem parceiro definido para a vida toda. Gozando sua sexualidade de forma saudável, respeitando os seus limites e dos outros.

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