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Karate Kid (2010)
Posted by Sandro Caldas in Cinema on setembro 3rd, 2010
Já disse aqui no Vinil que o primeiro filme que vi em vídeo cassete foi “Indiana Jones e o Templo da Perdição” (1984), de Steven Spielberg. Na época eu tinha por volta de 7 anos e me apaixonei pelo personagem. Aquele ano de 84, além de Indiana, outros filmes fizeram minha cabeça: O Exterminador do Futuro, Os Caça-Fantasmas, Um Tira da Pesada, A Hora do Pesadelo, Gremlins, Footloose, Tudo por uma Esmeralda, Top Secret! e Splash – Uma Sereia em Minha Vida.
A refilmagem de Karate Kid, dirigido por Harald Zwart, me deixou feliz, porque gosto muito do filme original. A dupla Ralph Macchio e Pat Morita…ou melhor, Daniel San e senhor Miyagi é inesquecível. Já se passaram 26 anos desde que a produção original chegou aos cinemas, mas ainda funciona muito bem como entretenimento de qualidade.
O fato de ter uma criança, interpretada por Jaden Smith (filho de Will Smith, de 12 anos), no papel do aprendiz, não é problema. Até porque em 84, os adolescentes eram mais ingênuos. Então, a escolha por crianças seja até adequada, para preservar um espécie de inocência que o filme tinha (tem).
A trama segue a original, com suas particularidades, claro. Dessa vez, Dre Parker (Jaden Smith) vai com sua mãe (Taraji P. Henson) para a China. Lá, encontram as adversidades de se viver em um local com uma cultura oposta a do seu país de origem, além de enfrentar a fúria de violentos garotos da escola - falamos aqui do atual tema bullying.

Jaden e Chan
Eis que o zelador do condomínio onde Dre mora o salva de uma surra monumental. Jackie Chan, ou melhor Senhor Han, massacra seus adversários usando contra eles os golpes desferidos pelos seus oponentes. Uma cena muito legal. Apesar de Jaden está muito expressivo no papel, Chan é o melhor do filme, com sua caracterização cansada e triste. Para quem está acostumado a ver o ator em atuações engraçadas, vai ter uma grata surpresa. Eu adorei.
Agora, as falhas do filme. Não sei se isso pode ser considerada uma falha, mas Karate é arte marcial que dá nome ao filme, não o Kung Fu. Pois bem, o filme traz a especialidade de Bruce Lee para o centro. É um detalhe que para quem não distingue entre as duas artes, não vai se importar, mas soa meio estranho. É como “O Senhor dos Anéis” trazendo um colar como o precioso.
E o que dizer de um mestre, sábio como todo mestre deve ser, afirmar que somente depois de ter iniciado a amizade com Dre conseguiu enxergar que há somente duas possibilidades na vida depois da queda: levantar ou permanecer no chão. Poxa, qualquer livro de autojuda pode trazer isso.
Outro ponto: a música!!! O filme original traz uma bela canção chamada “Glory of Love”. A atual canção-tema é “interpretada” pela péssima voz de Justin Bieber. Não preciso dizer mais nada.
Karate Kid (2010) é um filme bom, mas ainda prefiro o original com toda as suas referências oitentistas e, quem sabe, ultrapassadas.
Os homens que não amavam as mulheres, o filme
Posted by Sandro Caldas in Cinema on maio 19th, 2010
“É um filme que vale a pena ser visto, antes que Hollywood o estrague”, diz Alysson Oliveira, do Estadão, em uma crítica publicada dia 13 de maio. A afirmação dele refere-se ao fato de que David Fincher (Clube da Luta, Se7en) talvez faça a sua versão da trama. Não concordo com a afirmação. Hollywood faz muita bobagem, sim, mas muita coisa boa, instigante e inteligente. Dito isto, vamos lá.
Vi “Os homens que não amavam as mulheres” e gostei muito. O filme é uma co-produção entre Suécia, Dinamarca e Alemanha e foi dirigido pelo dinamarquês Niels Arden Oplev.
Para quem ainda não conhece, “Os homens que não amavam as mulheres” é a primeira parte da trilogia escrita pelo jornalista sueco Stieg Larsson (1954-2004). Infelizmente, Stieg não pode aproveitar o sucesso que seus livros estão fazendo. Em seu país natal, a trilogia já foi adaptada para o cinema.
O filme conta a história de Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist), um jornalista econômico e um dos criadores da prestigiada revista Millenium. Ele acaba de ser condenado a três meses de prisão por supostamente ter difamado um poderoso empresário. Poucos dias depois é contratado por Henrik Vanger, outro grande empresário, que o incumbe de descobrir o paradeiro de Harriet Vanger, sua sobrinha desaparecida há 40 anos. Essas poucas linhas resumem a história e foi exatamente isso que eu escrevi quando fiz a resenha do livro.
O fato, agora, é que estamos lidando com outra linguagem: o cinema. E se eu achei o livro por vezes excessivamente descritivo, exagerado até, na tela isso some. Apesar de ter 2 horas e 30 minutos de duração, o filme não cansa. A estimulante trama desenvolvida por Stieg foi bem adaptada para o cinema nas mãos dos roteiristas Nikolaj Arcel e Rasmus Heisterberg.

Lisbeth e Mikael
E claro, quem ajuda Mikael Blomkvist a certa altura da trama? Ela, a hacker antissocial Lisbeth Salander, interpretada por Noomi Rapace, que mergulhou na personagem e fez um trabalho muito bom. A interação improvável (relacionamento sexual, inclusive) entre um quarentão e a jovem problemática é um dos pontos interessantes do longa.
O diretor consegue conduzir bem a grande quantidade de personagens existentes na obra, além de suprimir fatos desnecessários para o entendimento da história, como alguns relacionamentos amorosos de Blomkvist. Senti isso, porque mesmo tendo lido o livro e sabendo quem é o assassino desde o começo, por exemplo, consegui me surpreender com as descobertas da dupla.
Outro fato importantíssimo da obra e que não foi deixado de lado ou amenizado é a questão da perversão sexual. Fundamental para entendermos porque estes homens não amavam as mulheres.
“Os homens que não amavam as mulheres” merece ser visto simplesmente porque é um thriller muito bem feito.
Confira o trailer abaixo:
Balanço do Oscar 2010
Posted by Sandro Caldas in Cinema on março 8th, 2010

kathryn Bigelow recebendo o Oscar de Melhor Direção anunciado por Barbra Streisand
Nestes últimos anos não tenho me empolgado muito com as cerimônias do Oscar. Ontem, ainda bem, foi atípico, embora eu nunca fique satisfeito com todos os resultados, o que é normal para qualquer um. Mas no geral, eu gostei muito de quem venceu as estatuetas e nem preciso dizer que fiquei muito feliz por “Guerra ao Terror” ter levado as estatuetas de Melhor Direção e Melhor Filme.
Kathryn Bigelow ter sido a primeira mulher a levar o Oscar de direção em 82 anos de premiação, emociona. Simbolicamente também, já que ela levou o prêmio quando já era 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Mas isso não é tão importante para o cinema, quanto o seguinte fato: “Guerra ao Terror” custou 11 milhões de dólares (detalhe: foi financiado pela França!) É muito, caso esse dinheiro aparecesse em sua conta bancária. Mas em se tratando da indústria de cinema dos Estados Unidos, pode-se dizer que é mixaria, ainda mais quando o principal concorrente de Guerra, “Avatar”, custou 500 milhões de dólares!!!
O que isso significa? Para mim, fica claro que o investimento em um filme pode torná-lo magnífico visualmente e consagrá-lo como um novo paradigma tecnológico, mas isso não garante a inteligência do roteiro e inventividade na direção. Mas para não ser injusto, cito a trilogia “O Senhor dos Anéis”, que é lindo visualmente e tem excelentes direção e roteiro. Voltemos. “Avatar” é um filme bom, sim, lindo de se ver, eu adorei, mas “Guerra” tem duas coisas que o tornam melhor: Roteiro e Direção.
A Academia acertou, a meu ver, em dar os principais prêmios ao filme. Acho que teremos mais filmes de baixo orçamento, assim como foi Bastardos Inglórios (não chegou a 10 milhões de dólares, se não me engano). Com essa decisão, creio eu, teremos mais filmes nos quais a criatividade, a inventividade, a busca pelas melhores soluções não utilizam como suporte apenas o dinheiro.
E para não deixar de comentar, não fiquei triste por Jeremy Renner, o protagonista de “Guerra ao Terror”, ter perdido para Jeff Bridges. O cara já merecia ganhar e a Academia sabiamente o premiou. Eu adoro Jeff Bridges. Acho que tudo que faz é muito intenso e marcante, pelo menos os filmes que vi.
Outra escolha que gostei foi Sandra Bullock como melhor atriz, embora não tenha visto o fime “Um sonho possível”. Eu a acho uma atriz muito interessante, embora não tenha a densidade e a diversidade de uma Helen Mirren, por exemplo. O engraçado é que ela levou a estatueta no mesmo dia que ganhou a Framboesa de Ouro, que elege os piores. Claro, a atriz levou na brincadeira.
Voltando a “Bastardos Inglórios”, que foi o último filmes que vi antes da premiação, achei pouco ele ter levado a penas a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante para Christoph Waltz (aliás, mais do que merecida). Bastardos é um bom filme, muito competente. Não há como negar a inteligência de Quentin Tarantino quando vemos o filme. Ele é muito debochado, irônico, no melhor sentido, e sabe conduzir uma câmera muito bem. Eu adorei ver Adolf Hitler e Joseph Goebbels morrerem fuzilados, como conseqüência de um plano arquitetado por uma judia em busca de vingança.
Bom, não vou me estender tanto quanto a premiação, mas gostaria de comentar as apresentações para Melhor Ator e Melhor Atriz. Achei muito comovente colocar cinco colegas, um para cada indicado, falando um pouco do que essa pessoa representa para a indústria, sua personalidade, etc. Achei muito bacana, mesmo. Um dos pontos altos da premiação deste ano.
Penúltima observação e depois a revelação de um sonho. A dupla de apresentadores se saiu muito bem. Eu acho Steve Martin e Alec Baldwin dois grandes atores. Outro acerto da Academia foi reduzir o tempo dos apresentadores no palco, o que deixa a cerimônia mais leve. Eles conduziram muito bem: discretos, engraçados, articulados. Gostei muito.
Meu sonho é ver uma das minhas musas de todos os tempos, Michelle Pfeiffer, levar a estatueta de Melhor Atriz, seja como protagonista ou coadjuvante. Eu a acho uma das mulheres mais lindas do mundo e uma atriz competente. É só assistir a filmes como “Ligações Perigosas”, “Susie E Os Baker Boys”, “Frankie e Johnny”, “Stardust - O mistério da estrela”, “Nunca é tarde para ama”, “Uma lição de amor”, “Hairspray”, etc.
Agora é correr atrás de alguns filmes que não consegui assistir e me diverti com um bom roteiro e com uma boa direção, seja qual for o estilo e o país.
Confira a lista dos vencedores:
Melhor filme: Guerra ao terror
Melhor direção: Kathryn Bigelow, Guerra ao terror
Melhor atriz: Sandra Bullock, Um sonho possível
Melhor ator: Jeff Bridges, Coração louco
Melhor filme estrangeiro: O segredo dos seus olhos (Argentina)
Melhor edição (montagem): Guerra ao terror
Melhor documentário: The cove
Melhores efeitos visuais: Avatar
Melhor trilha sonora: Up – Altas aventuras
Melhor cinematografia (fotografia): Avatar
Melhor mixagem de som: Guerra ao terror
Melhor edição de som: Guerra ao terror
Melhor figurino: The young Victoria
Melhor direção de arte: Avatar
Melhor atriz coadjuvante: Mo’Nique, Preciosa
Melhor roteiro adaptado: Preciosa
Melhor maquiagem: Star trek
Melhor curta-metragem: The new tenants
Melhor documentário em curta-metragem Music by Prudence
Melhor curta-metragem de animação: Logorama
Melhor roteiro original: Guerra ao terror
Melhor canção: The weary kind, de Coração louco
Melhor animação: Up – Altas aventuras
Melhor ator coadjuvante: Christoph Waltz, Bastardos inglórios
Guerra ao Terror ou Avatar?
Posted by Sandro Caldas in Cinema on fevereiro 25th, 2010
Talvez seja consenso afirmar que apesar da beleza plástica de Avatar, é Guerra ao Terror o melhor filme do ano. Dos dez indicados, até agora, vi três: Distrito 9, que achei excelente, Avatar e Guerra ao Terror. E posso dizer seguramente, que não há comparação entre os dois principais indicados: Guerra ao Terror, que recebeu nove indicações, assim como Avatar, é um filme muito melhor. Estou falando da construção dos personagens, da direção, do roteiro, enfim, do que realmente importa na hora de julgar uma produção.
Quem viu Avatar no cinema, como eu, certamente ficou impressionado com os efeitos visuais do longa. James Cameron nos deu entretenimento de primeira, fascinante, mágico. Construiu Pandora, a cidade dos gigantes Na’vi, com se ela realmente existisse. Foi de tamanha maestria, que é quase impossível dizer que aquela floresta não é real, com sua vegetação e fauna digitais. Deu um passo a frente do Senhor dos Anéis e seu Golum. Os Na’vi são muito mais fluidos em seus movimentos, muito mais reais. Mas a história não passa de uma frágil camada para dar suporte ao atrativo principal do filme: os efeitos visuais! E com certeza Avatar merece ganhar todos os Oscar nos quesitos técnicos.
Mas, ao contrário do que acontece com o longa do diretor do laureado Titanic, Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow, nos traz um filme com personagens profundos, com dramas que nos fazem refletir muito além de um romance banhado em mel. A diretora, que foi ex-mulher de Cameron, dirigiu um filme de guerra, mas uma guerra interna, psicológica, que tem como pano de fundo a inutilidade dos conflitos que cercam o mundo.

Kathryn segura a estatueta do Bafta. Guerra ao Terror vence na categoria Melhor Filme. Avatar também concorreu com 8 indiações.
O longa-metragem conta a história de um grupo de soldados dos Estados Unidos que são especialistas em desativar bombas deixadas por revoltosos em diversos pontos do Iraque, durante a guerra neste país. Guerra esta arquitetada pelo governo norte-americano. O roteiro é do estreante ( e que estreia!) Mark Boal.
No centro das ações está o sargento William James, interpretado pelo ótimo Jeremy Renner. O papel desenvolvido por Jeremy na trama nos mostra que apesar da crueza e da falta de sentido da guerra, o que poderia torná-lo insensível, faz dele uma pessoa preocupada com tudo e todos. Vemos ele sofrer, vemos o quanto está sensível a todo aquele horror, embora seja um tanto imprudente durante a execução de suas tarefas. Difícil não ficar tenso ao vê-lo desarmar uma bomba, que o mataria instantaneamente, sem nenhum tipo de proteção.
Diante daquele conflito é fácil perder o controle e fica difícil julgar os saldados quando estes hostilizam um taxista, pensando se tratar de um terrorista. Creio que não é correto julgar tão facilmente as ações de homens que são colocados no meio do inferno, tendo que tomar decisões para salvar suas vidas e de inocentes. Ao mesmo tempo sabemos que determinadas ações são absolutamente condenáveis. Em uma cena, o coronel interpretado pelo excelente David Morse olha para um iraquiano ferido e a despeito do soldado que diz que o homem ficará bem se levado para um hospital, manda matá-lo sumariamente.
Interessante também é notar, que apesar de todo o sofrimento suscitado pela guerra e pela destruição que ela deixa, o sargento William James nada mais sabe fazer do que vestir sua roupa de desarmador de bombas e entrar em ação. É comovente quando o vemos deslocado em seu lar, depois de ter voltado para casa. Mesmo a mulher e o filho não o fazem se desligar da sua verdadeira vocação e talento. Pouco tempo depois ele está de volta ao seu verdadeiro habitat.
Cada um fará uma leitura política do filme. O que ficou para mim foi a inutilidade das guerras, a destruição em vão de vidas, o esfacelamento psicológico e uma sensação de vazio e incapacidade. Para quê?
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Posted by Sandro Caldas in Cinema on fevereiro 2nd, 2010
Assisti ao filme “Confissões de uma garota de programa”, de Steven Soderbergh - aquele mesmo que fez o clássico cult “Sexo, Mentiras e Videotapes” (1989). O filme traz como protoganista a atriz pornográfica Sasha Grey, que vive a garota de programa do título.
O que posso concluir do filme é o seguinte: ?????????????????????????????????????????????????????????????????????????????
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Sei da importância de Steven Soderbergh para o cinema independente norte americano dos anos 90 e seu talento como cineasta, mas… o que o diretor quis nos dizer com esta experiência?
O longa só não é mais chato porque é relativamente curto, tem 1h15 minutos aproximadamente. Sorderbergh não nos traz nenhum tipo de reflexão sobre o universo das garotas de programa de luxo, nada sobre o porque alguém decide viver de sexo, suas consequências para a vida pessoal etc. É tudo muito diluído em cenas insossas, sem substância.
Não significa falar para dizer algo,nem ter cenas picantes de sexo apenas por se tratar de um filme que gira em torno de uma prostituta. Falo da capacidade do roteiro e do diretor em nos transmitir, mesmo com o silêncio, algum tipo de mensagem. O que não acontece, pelo menos para mim!!!
Chelsea é uma garota de programa de luxo, que possui um relacionamento estável e como qualquer profissional tem de lidar com as dificuldades de sua escolha profissional. OK, esse é o mundo! E daí, Sorderbergh?
O que se salva no filme é justamente a maneira como ele é filmado, a forma como o diretor dirige as cenas, brinca com o tempo, indo e voltando de forma hábil dentro da vida de Chelsea, sem fazer melodramas. E só!
Obsessiva
Posted by Sandro Caldas in Cinema on janeiro 30th, 2010
Vi “Obsessiva” por causa de uma indicação e me decepcionei. No elenco, os fracos atores Idris Elba e Beyoncé Knowles (sim, a cantora, que também é uma das produtoras do longa). Do triângulo principal, a atuação que se salva é a da fêmea fatal Lisa Sheridan, interpretada pela belíssima Ali Larter, da série Heroes. O filme é de Steve Shill com roteiro de David Loughery.
Quando li o storyline do filme (aquelas poucas linhas que dizem o que é a história) imaginei imediatamente a fabulosa Glenn Close no ótimo “Atração Fatal”, filme de 1987, do diretor Adrian Lyne. Só que Idris Elba não é Michael Douglas, Beyoncé não é Anne Archer e Ali Larter não é Glenn Close. Não precisavam ser, mas a comparação é instantânea.
O filme conta a história de Derek Charles (Idris Elba), um bem-sucedido executivo, casado com a linda Sharon (Beyoncé). Sua vida vira de pernas para o ar quando ele conhece Lisa Sheridan (Ali Larter), que se torna sua estagiária. Lisa desenvolve uma obsessão por Derek e tenta destruir sua vida. É ou não é muito “Atração Fatal”? Pois é, a história é batida, mas o que faz a diferença não é exatamente criar algo original, mas como isso é contado e interpretado e dirigido. “Obsessiva” é péssimo em todos eles!
Como disse, Ali Larter é o melhor do filme. Lindíssima e muito melhor atriz que Beyoncé, ela me fez ter a paciência de chegar até o fim da projeção de quase 2 horas! Fez seu papel bem feito, a ponto de eu querer que Sharon a matasse no final…e é o que a ex-Destiny’s Child faz. Derruba Lisa do segundo andar da casa onde mora, mas, claro, antes de tentar ajudá-la.
Quando vi “Atração Fatal” fiquei com medo de Glenn Close e o filme é tão bem construído que lhe deixa tenso. “Obsessiva” não faz isso nem de longe, nem de perto!
Enfim, não recomendo! E só me dei ao trabalho de escrever sobre essa produção porque foi o filme mais recente que vi e estou de bobeira total!
Vampiras Lésbicas e Paulo Coelho
Posted by Sandro Caldas in Cinema, Livros on janeiro 23rd, 2010
Dessa vez não vou me deter muito demoradamente nesses dois produtos tão distintos que acabo de absorver. Um, é a biografia de Paulo Coelho, “O Mago”, escrita pelo excelente Fernando Morais. O outro, um filme chamado “Matadores de Vampiras Lésbiscas”, uma produção inglesa.
Nunca fui um fã de Paulo Coelho e talvez tenha entrado na onda nacional de não aceitar sua obra (e quando digo não aceitar, é um gigante eufemismo). A crítica nacional, que muitas vezes não era crítica, mas um mero ataque à pessoa de Paulo, produziu frases do tipo “Não li e não gostei”. Frase que soa muito pretensiosa e pedante.
Lendo a fascinante história desse escritor que já vendeu mais de 100 milhões de livros pelo mundo, cresceu em mim uma grande curiosidade pela sua obra, pelo que está escrito em seus livros. O que tanto fascina os leitores? Nunca é uma resposta muito fácil de desenvolver, mas Paulo traz em seus textos uma magia, uma espécie de linguagem meio messiânica, que envolve o leitor em um universo de encanto e fé, de certezas pela beleza da vida, embora com todas as suas pedras pelo caminho. Talvez por isso Paulo seduza de Bill Clinton a Sharon Stone, passando por monarcas e ditadores.
Minha experiência com um texto de Paulo Coelho foi desastrosa. Ainda no Rio de Janeiro, em 1996, quando tentei fazer o curso de Publicidade e Propaganda, comprei “O Monte Cinco”. Na página de número 100 desisti e vendi o livro. De lá pra cá, ignorei Paulo Coelho como escritor.
Após a leitura de “O Mago”, nasceu em mim, como disse acima, a vontade de dá-lo mais uma chance. Muito do que li na biografia tem relação com coisas que eu me identifico, como a religião Wicca, por exemplo e a descoberta de Deus. Dessa forma, encomendei “O Diário de um Mago” e “O Alquimista” por módicos R$ 16. Terei eu ao final dessas leituras, me rendido a Paulo Coelho? Veremos.
De qualquer forma, recomendo a leitura de “O Mago”. É muito bem escrito e instigante. Mesmo que você deteste Paulo Coelho, não pode ignorar sua importância para a cultura brasileira.
E o que dizer de “Matadores de Vampiras Lésbicas”? Eu, como alguns já sabem, sou fã de vampiros e logo me interessei pelo filme. Quem gosta de uma comédia leve, sensual e produzida inteligentemente para ser despretensiosa, vai gostar desse filme.
O filme conta a história de dois amigos bobões que acabam viajando para um vilarejo a fim de acampar e esquecer seus problemas. Um perdeu o emprego e o outro levou fora da namorada. Lá, descobrem que uma maldição transforma todas as meninas a partir dos 18 anos em vampiras lésbicas.
É bobo? Pode ser, mas é muito divertido e tem piadas bem legais. E algo me diz que quando as vampiras são mortas, o que sai delas é algo parecido com esperma. Uma piada, será?
Tudo Pode Dar Certo
Posted by Sandro Caldas in Cinema on dezembro 30th, 2009
Ontem terminei “Conversas com Woody Allen”, livro de Eric Lax que traz entrevistas com o diretor e por meio destas tenta nos mostrar um pouco da personalidade de Woody, sua forma de trabalhar, como pintam as ideias, como desenvolve os roteiros, a escolha dos atores, a trilha sonora etc. E claro, quando lemos sobre o artista, lemos o ser humano, para mim não há dissociação.
Hoje vi “Tudo Pode Dar Certo”, seu mais recente trabalho, e confesso que a leitura do livro de Eric Lax fez com que eu enxergasse o longa de forma diferente, como se eu estivesse escutando mais claramente a forma como Woody Allen enxerga a vida. E adianto que gostei do filme, sim, mas ainda prefiro alguns da safra mais recente, como “Vicky Cristina Barcelona” e “Match Point”.
“Tudo Pode Dar Certo” conta a história de Boris Yellnikoff (Larry David – para quem não sabe, Larry é um dos criadores da famosa e cultuada série Seinfeld), que enxerga a vida de forma pessimista e possui a pretensão de compreendê-la melhor por se achar um gênio. Boris não crê em Deus, acha a vida um acaso sem sentido e considera que a melhor maneira de viver é sempre ser gentil com as pessoas, praticar o bem; para ele, esse é o sentido, é com essas atitudes que tudo pode dar certo.
Quando volta de um encontro com os amigos, encontra na porta de sua casa a linda Melodie St. Ann Celestine (Evan Rachel Wood), que lhe pede abrigo, já que fugiu de casa e não quer voltar. Eles iniciam uma amizade, que logo se transforma em uma estranha união conjugal. Aos poucos, a mãe e o pai de Melodie encontram a filha e também têm suas vidas mudadas: a mãe passa de uma fútil senhora de classe média para uma artista plástica prestigiada e o pai, que trocou a mãe de Melodie pela melhor amiga dela, descobre que é gay e termina com um simpático sujeito que encontra em um bar, depois de uma conversa na qual desabafam sobre suas vidas desastrosas.
Como disse anteriormente, ler o livro de Eric Lax me fez enxergar com mais força os gostos de Woody. Não é somente os personagens que se expressam, é Woody dizendo que não gosta do pop contemporâneo, que não crê no sentido da vida, que somos uma espécie fracassada e pronta para destruir tudo que encontrar pela frente e seu amor eterno pelo jazz, pelos músicas dos anos 30 ao 50.
O filme tem excelentes atuações, tanto de Larry David, como de Evan Wood e da mãe de Melodie, interpretada por Patricia Clarkson. Outra coisa que noto com mais ênfase agora são os planos-sequencia (que é filmar a ação contínua, sem cortes) muito utilizados pelo cineasta nos seus filmes: como ele disse, por pura preguiça, já que não é preciso muitos movimentos de câmera etc.

Woody conversa com Evan Wood
“Tudo Pode Dar Certo” é uma obra interessante, divertida, com piadas inteligentes e referências que por vezes a minha mente não captou. É Woody Allen mostrando o que sabe fazer há décadas, nos dando diálogos e situações que nos fazem pensar, mas não é um filme maior dentro da obra dele. Como já disse, “Match Point” é melhor, mais audacioso, mais atraente, mais consistente. Claro, visão deste que vos escreve.
E se me permitem discordar do mestre em um assunto específico, Woody ainda não foi tão profundo em sua argumentação sobre Deus. Claro, crer ou não é algo pessoal e penso que ele não pretende forçar ninguém a aceitar a idéia de que somos serem flutuando em um espaço frio e sem sentido. A minha visão é diametralmente oposta. Pelo que li esses últimos tempos sobre astronomia, as descobertas científicas do século XX, as teorias físicas etc, não acredito no acaso como Woody expõem.
Pode, sim, existir certo nível de caos e acaso no universo, mas tudo que já foi descoberto leva a crer que existe uma organização muito precisa, que existe a certeza (pelo menos para um grande número – senão para todos - de respeitados cientistas) de que a existência da vida só foi possível porque o universo é milimetricamente ajustado para isso, desde a massa dos prótons e elétrons até o tamanho gigantesco dele (indico o livro do jornalista científico Fred Heeren, “Mostre-me Deus”, já comentado neste blog). Woody não me convence com sua argumentação de ateu. E olha que durante muito tempo tive sérias dúvidas sobre a existência de Deus.
“Tudo Pode Dar Certo” é legal, divertido, inteligente, tem boas piadas. É Woody Allen, menor, mas ainda muito melhor que qualquer “Transformers”, com Megan Fox ou não.
Um lobisomem na Amazônia
Posted by Sandro Caldas in Cinema on outubro 16th, 2009
O quê o maestro Júlio Medalha, Daniele Winits, Karina Bacchi, Nuno Leal Maia, Evandro Mesquita, Pedro Nescheling e Sidney Magal têm em comum? Resposta: “Um Lobisomem na Amazônia”, de Ivan Cardoso, filme de terror trash que tem lançamento previsto para novembro deste ano.
Eu adoro filmes trash. Eles não são sinônimo de filme ruim, mas um estilo como outro qualquer. Esse lobisomem eu quero ver! Eu achei engraçado (não sei ainda se isso é bom ou ruim)! Confiram o trailer abaixo.
Garota infernal
Posted by Sandro Caldas in Cinema on outubro 14th, 2009
Assisti ontem ao filme Jennifer’s Body, que aqui recebeu o título de Garota Infernal. O longa é roteirizado por Diablo Cody, aquela ex-stripper que ganhou o Oscar de roteiro original por “Juno”. Karyn Kusama, que dirigiu “Aeon Flux”, assume a câmera.
O filme conta a história de duas garotas que são amigas inseparáveis e improváveis, já que Jennifer Check (Megan Fox, de “Transformers”), uma líder de torcida, é a garota que todos os garotos sonham em levar pra cama e todas as meninas buscam defeitos. O que difere muito de Needy Lesnicky (Amanda Seyfried, de “Meninas Malvadas”), uma garota simples, tímida, até apagada, mas também muito bonita.
As duas amigas resolvem ir ao show de uma banda de rock, a Low Shoulder, e acabam presenciado um incêndio no local, que mata quase todo mundo. A banda e as meninas saem ilesas. Do lado de fora do local, os garotos do Low Shouder resolvem levar Jennifer para um sacrifício demoníaco em troca de fama, dinheiro e mulheres. Temos aqui uma metáfora concretizada: a da banda de rock que vende a alma ao diabo.
Mas Jennifer não morreu e acaba por se transformar em um demônio que precisa devorar os garotos para sobreviver. Desta vez a metáfora da mulher fatal e devoradora de homens é materializada nas formas perfeitas e lábios magnéticos de Megan Fox. E é Needy que tem a missão de destruir Jennifer. Needy é mordida por Jennifer antes de acabar com a vida dela. Logo após é internada em um reformatório. Está mudada, adquiriu alguns poderes com a mordida. Foge para matar os integrantes da banda, que pagam seu preço afinal.

As amigas Jennifer e Needy
Como foi Diablo Cody quem escreveu o filme e sabe muito bem dos jogos sexuais que eletrificam as relações homem-mulher, homem-homem, mulher-mulher e o que mais vier, o filme não pode ser lido como uma mera matança assexuada no estilo Jason, de Sexta-feira 13.
Cody escreve sobre ciúme, inveja, desejo bissexual (Needy tem uma queda visível por Jennyfer, apesar de namorar o simpático Chip - Johnny Simmons), poder feminino, destruição que uma bela mulher pode fazer na sociedade e de background, o rock. Música de energia juvenil e sexual, filosofia musical que liberta o corpo e a mente nas viagens hormonais.
Dito isto, achei o filme legal, com todos os seus possíveis clichês. Será que estou muito influenciado pelas leituras de livros que falam sobre sexo? Será que tendo a teorizar demais sobre isso? Não sei, mas a impressão que tive do filme é que ele é inteligente, embora muita gente ache esse tipo de filme boboca. Mas creio que há uma leitura interessante abaixo da superfície. E de novo me pergunto: será que minha visão foi influenciada por eu saber que a roteirista foi uma ex-stripper? Novamente, não sei. Gostei e ponto.
Trailer abaixo:


