Karate Kid (2010)
Posted by Sandro Caldas in Cinema on setembro 3rd, 2010
Já disse aqui no Vinil que o primeiro filme que vi em vídeo cassete foi “Indiana Jones e o Templo da Perdição” (1984), de Steven Spielberg. Na época eu tinha por volta de 7 anos e me apaixonei pelo personagem. Aquele ano de 84, além de Indiana, outros filmes fizeram minha cabeça: O Exterminador do Futuro, Os Caça-Fantasmas, Um Tira da Pesada, A Hora do Pesadelo, Gremlins, Footloose, Tudo por uma Esmeralda, Top Secret! e Splash – Uma Sereia em Minha Vida.
A refilmagem de Karate Kid, dirigido por Harald Zwart, me deixou feliz, porque gosto muito do filme original. A dupla Ralph Macchio e Pat Morita…ou melhor, Daniel San e senhor Miyagi é inesquecível. Já se passaram 26 anos desde que a produção original chegou aos cinemas, mas ainda funciona muito bem como entretenimento de qualidade.
O fato de ter uma criança, interpretada por Jaden Smith (filho de Will Smith, de 12 anos), no papel do aprendiz, não é problema. Até porque em 84, os adolescentes eram mais ingênuos. Então, a escolha por crianças seja até adequada, para preservar um espécie de inocência que o filme tinha (tem).
A trama segue a original, com suas particularidades, claro. Dessa vez, Dre Parker (Jaden Smith) vai com sua mãe (Taraji P. Henson) para a China. Lá, encontram as adversidades de se viver em um local com uma cultura oposta a do seu país de origem, além de enfrentar a fúria de violentos garotos da escola - falamos aqui do atual tema bullying.

Jaden e Chan
Eis que o zelador do condomínio onde Dre mora o salva de uma surra monumental. Jackie Chan, ou melhor Senhor Han, massacra seus adversários usando contra eles os golpes desferidos pelos seus oponentes. Uma cena muito legal. Apesar de Jaden está muito expressivo no papel, Chan é o melhor do filme, com sua caracterização cansada e triste. Para quem está acostumado a ver o ator em atuações engraçadas, vai ter uma grata surpresa. Eu adorei.
Agora, as falhas do filme. Não sei se isso pode ser considerada uma falha, mas Karate é arte marcial que dá nome ao filme, não o Kung Fu. Pois bem, o filme traz a especialidade de Bruce Lee para o centro. É um detalhe que para quem não distingue entre as duas artes, não vai se importar, mas soa meio estranho. É como “O Senhor dos Anéis” trazendo um colar como o precioso.
E o que dizer de um mestre, sábio como todo mestre deve ser, afirmar que somente depois de ter iniciado a amizade com Dre conseguiu enxergar que há somente duas possibilidades na vida depois da queda: levantar ou permanecer no chão. Poxa, qualquer livro de autojuda pode trazer isso.
Outro ponto: a música!!! O filme original traz uma bela canção chamada “Glory of Love”. A atual canção-tema é “interpretada” pela péssima voz de Justin Bieber. Não preciso dizer mais nada.
Karate Kid (2010) é um filme bom, mas ainda prefiro o original com toda as suas referências oitentistas e, quem sabe, ultrapassadas.
O livro é como a roda
Posted by Sandro Caldas in Livros on agosto 27th, 2010
Crer no fim do livro em papel é como crer, como um dia foi, no fim do cinema por conta da invenção do videocassete ou no fim da pintura por causa da fotografia. Nada disso aconteceu. O cinema, mesmo depois da chegada do DVD ou Blu-Ray, continua atraindo milhões de pessoas às suas salas escuras. Experiência que ainda permanece excitante, emocionante. O livro em papel, esse objeto perfeito, é como a roda: uma vez inventada, não tem como ser aperfeiçoada.
O fim do livro, ou melhor, a não extinção desse objeto de conhecimento e beleza, é o que trata uma outra obra em papel chamada “Não contem com o fim do livro” (Ed. Record, 269 páginas). O livro gira em torno do diálogo entre o semiólogo e escritor Umberto Eco (que escreveu, entre outros livros, o premiado “O Nome da Rosa”, que virou filme com Sean Conery) e Jean-Claude Carrière, escritor e roteirista que trabalhou com o cineasta Luis Buñuel. O diálogo é mediado pelo jornalista Jean-Philipe de Tonnac.
O livro é interessante porque, apesar dos dois protagonistas serem eruditos, não cai na chatice do intelectualismo muitas vezes vazio e compreensivo apenas para os poucos que têm a chave para decifrar os hieroglifos verbais que caracterizam alguns “intelectuais”.
Tanto Umberto Eco quanto Jean-Claude são bibliófilos, colecionadores apaixonados por livros, com bibliotecas pessoais que variam entre 30 a 50 mil volumes. Claro, como eles mesmo dizem, nem todos foram lidos, porque o que importa muitas vezes é a aquisição de um exemplar raro, cuja importância merece estar nas mãos de quem conhece do assunto. Uma coisa, talvez boba, mas que me deixou feliz, é que pelo menos umas três a quatro vezes o nome de José Mindlin é citado.
Dentre os assuntos tratados pelos dois escritores está a impossibilidade de lermos tudo que queremos, os livros que fazem de tudo para cair nas nossas mãos até os incensados e-books - como não falar deles? São qunize capítulos com grande variedade de citações literárias, cinematográficas, etc. Ou seja, muitas dicas podem ser pescadas.

Umberto Eco e Jean-Claude Carrière
Um dos capítulos, entre muitos interessantes, que gostaria de comentar é sobre essa questão dos suportes duráveis, que para os dois, e com razão, nada mais são do que suportes efêmeros. Incrível como muitos pensam que esses meios são mais seguros, eternos quase. Quem se lembra do disquete? Quem ainda tem um CD-ROM? Até os DVDs, coitados, estão próximos da extinção. O livro em papel, no entanto, atravessou séculos e continua vivo como suporte confiável de armazenamento de dados e perfeito como objeto que podemos carregar de um lado para o outro, sem precisar de bateria, nem tomada.
Os leitores de e-books como o Kindle ou o brasileiro Positivo Alva, além de serem caros, não são confortáveis para a leitura. E mesmo que cheguemos a um suporte de leitura maravilhoso (que por sinal, deve imitar a absorçao de luz da folha de papel), ainda assim a perfeição do livro impresso não será substituída. Esse estardalhaço em volta dos leitores digitais tem uma razão mercadológica, está em fase de aperfeiçoamento, de discussão. Mas vai passar e o livro impresso coexistirá ao lado do seu parente eletrônico.
Sexualidade sem culpa
Posted by Sandro Caldas in Livros on agosto 9th, 2010
Um dos livros mais importantes que li nestes últimos tempos chama-se ‘A cama na varanda’, da escritora e psicanalista carioca Regina Navarro Lins. E por quais motivos este livro é tão importante? Digo ‘quais’ porque são muitos os temas que ele trata sobre a sexualidade humana.
A primeira vez que me apaixonei por uma mulher foi aos 17 anos, ela tinha 14. Passei quase 7 anos da minha vida esperando uma chance, um beijo quem sabe. Nada. Durante sete anos sofri, criei dezenas de canções, escrevi contos regados a vinho, escrevi até um livro, veja só. Livro horrível, mal escrito, mas meu desabafo em 140 páginas.
Não me arrependo de ter amado esta pessoa. Foi de um importância fundamental em minha vida, me fez crescer, amadurecer, me fez criticar a paixão, o amor, o sentimento de dilaceramento que nos percorre. Eu acreditava fielmente no amor romântico, aquele em que duas pessoas passam a ser uma, aquele que afirma que duas pessoas vão se amar e se desejar eternamente. Existem casais que conseguem, na prática, viver o amor romântico? Creio que sim, embora ache que sempre exija sacrifícios pessoais.
A origem do amor romântico está muito bem descrita por Regina Navarro em seu livro. A busca frenética por um par que nos complete gera sofrimento, culpa, sensação de fracasso. Nossa alma gêmea está em algum canto desse planeta a nossa espera e basta encontrá-la para que nossos dias de tristeza cheguem ao fim. Mentira. Isso é falso, porque no amor romântico ama-se o fato de estar amando, não necessariamente ama-se a pessoa. Foi o que me fez sofrer tanto por aquela menina do segundo parágrafo. Eu amava a impossibilidade de tê-la.
A primeira história na literatura que descreve o mito do amor romântico é ‘Tristão e Isolda’, que no final das contas não se amam. Tristão e Isolda precisam um do outro para sentir paixão, mas não querem o outro como ele verdadeiramente é. E como a nossa cultura valoriza tanto o amor romântico, nos filmes, nas novelas, nas músicas, tem-se a impressão de que ele é o certo, de que ele é a única forma de amar. Não é.
O conjunto de valores da nossa cultura contemporânea, já devidamente impregnado depois de séculos de lavagem cerebral, diz que amar é amar uma única pessoa. Sexo e fidelidade se misturam (para que etendam: Regina Navarro defende a ideia - aceita por mim - de que infidelidade se separa da sexualidade. Ser infiel é passar a pessoa pra trás, não querer seu bem etc. O mesmo para a palavra ‘trair’). Trair é moralmente errado. Homossexuais são discriminados. Homens são fortes, mulheres são frágeis. Homens fazem sexo, mulheres fazem amor. Homens são naturalmente infiéis, mulheres são vítimas da descaração masculina. Sem ciúme não há amor, etc, etc!

Regina Navarro Lins
Regina Navarro prova, utilizando nossa própria história, que homens e mulheres não viviam em guerra de gêneros, que homens e mulheres viviam sua sexualidade sem tratar o outro como sua propriedade. Que homens e mulheres eram parceiros. Infelizmente essa realidade data de um período milhares de anos antes de Cristo.
Atualmente vivemos sufocados por culpas religiosas, fruto de uma cultura judaico-cristã que inferioriza a mulher e transforma o sexo em algo pecaminoso quando não vivido dentro das grades da moral estabelecida.
Quero que chegue o dia no qual ninguém sinta ciúme, que ninguém deposite no outro a culpa da sua infelicidade, que qualquer um possa viver sua sexualidade sem se sentir culpado, que uma pessoa possa amar várias sem precisar escolher com qual ficar. Ou seja, quero que qualquer ser humano seja livre para escolher seu modelo de felicidade. Claro, para chegarmos a esse nível leva tempo, reflexão, mudança de costumes. Mesmo para quem concorda com tudo que eu disse aqui, não é fácil, precisa-se de coragem. Mas o primeiro passo é ler e refletir.
Já li obras de autores que me abriram muito os olhos para o erro que estamos vivendo quando assunto é sexo, quando deixamos de exercer nossa capacidade de seduzir para corresponder aos ideais de uma cultura que mais despreza o amor do que o valoriza. Mas foi a leitura do texto de Dra. Regina que retirou o último véu que cobria meus olhos. A cada livro, seja de Camille Paglia ou de Mirian Goldenberg, um véu escorregava pela minha face e caía no chão. As coisas iam ficando claras, límpidas. Mas foi ‘A cama na varanda’ que me deu a consciência máxima de que um dos motivos para o sofrimento humano vem de uma cultura que nos tiraniza, que não nos deixa brincar com a mais poderosa energia presente em nosso ser: a sexual.
Para ir além:
‘Por que homens e mulheres traem?‘

‘Personas sexuais’

Beba mais brancos!
Posted by Sandro Caldas in Textos Diversos on agosto 1st, 2010

Foto: Sandro Caldas
Neste domingo, primeiro dia de agosto, resolvi sair da hibernação. Foi necessário. Ler mais, ouvir mais, ver mais, e trazer coisas interessantes (espero que seja interessante pra quem ler).E aí, parece que vem tudo de vez!
Nesse texto, que retira o urso polar, resolvi falar sobre vinhos brancos. Eu nunca tinha feito um texto sobre vinhos, uma das minhas paixões. Embora não seja nenhum sommelier, acho que tenho o direito de escrever sobre essa bebida tão apreciada, cheia de segredos e magias.
Durante o período em que estive ausente do blog, li um livro muito interessante chamado ‘Superdicas para entender de vinho’ (Editora Saraiva, R$ 12,90), da sommelier Lis Cereja. E digo uma bobagem aqui: Lis estudou Gastronomia na Universidade Anhembi-Morumbi, em São Paulo, onde estudei Comunicação por dois semestres.
Mas, quem sabe o que significa ser sommelier? Este profissional é o responsável pelo serviço do vinho, por eleger os rótulos de uma carta de vinho, saber harmonizá-los, saber serví-los à mesa corretamente.
Bom, mas apesar de todas as 60 dicas desse pequeno e precioso livro serem maravilhosas, uma me chamou a atenção: por qual razão ou razões, em um país como o Brasil, tropical, quente quase o ano todo, as pessoas consideram os vinhos brancos inferiores? Criou-se o mito de que vinho bom é vinho tinto e a verdade está muito longe disso.
Eu mesmo, sempre que compro um vinho, escolho um tinto. Não por não gostar dos brancos, mas por puro vício. Confesso que gosto mais dos tintos, mas resolvi mudar meus hábitos e comprar um branco.
Comprei um Concha y Toro, chileno, sauvignon blanc (uma uva mais ácida). E quem disse que vinho bom é vinho caro? Vinho é uma bebida abstrata, que depende muito do paladar de quem a bebe. Então, nao adianta ter uma garrafa de R$ 1000 na mão. O vinho pode ser excelente tecnicamente, mas não agradar a todo mundo. Meu veredito: adorei.
Conclamo: bebamos mais brancos. Há uma infinidade de rótulos!
É como diz Lis em seu livro: a vida é muito curta para nos restringirmos a um só tipo de vinho.
Para saber mais:
www.sitedovinhobrasileiro.com.br
Dica de leitura:
Superdicas para entender de vinho, de Lis Cereja

Hibernar
Posted by Sandro Caldas in Uncategorized on junho 28th, 2010
Um mês já se passou. Mais uns quinze dias e saio da hibernação.

O choro do blues
Posted by Sandro Caldas in Música on maio 25th, 2010
Vez ou outra eu me pego imitando o choro da guitarra de Gary Moore em “Still Got The Blues”, música de 1990.
Me lembro que ao ouvir esta música eu sempre me emocionava e em situações de paixão (em 1990 era Veruska…divagações), onde a alma fica sensível ao toque, eu chorava.
Sem mais delongas, deixo vocês com o vídeo desta linda balada.
Os homens que não amavam as mulheres, o filme
Posted by Sandro Caldas in Cinema on maio 19th, 2010
“É um filme que vale a pena ser visto, antes que Hollywood o estrague”, diz Alysson Oliveira, do Estadão, em uma crítica publicada dia 13 de maio. A afirmação dele refere-se ao fato de que David Fincher (Clube da Luta, Se7en) talvez faça a sua versão da trama. Não concordo com a afirmação. Hollywood faz muita bobagem, sim, mas muita coisa boa, instigante e inteligente. Dito isto, vamos lá.
Vi “Os homens que não amavam as mulheres” e gostei muito. O filme é uma co-produção entre Suécia, Dinamarca e Alemanha e foi dirigido pelo dinamarquês Niels Arden Oplev.
Para quem ainda não conhece, “Os homens que não amavam as mulheres” é a primeira parte da trilogia escrita pelo jornalista sueco Stieg Larsson (1954-2004). Infelizmente, Stieg não pode aproveitar o sucesso que seus livros estão fazendo. Em seu país natal, a trilogia já foi adaptada para o cinema.
O filme conta a história de Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist), um jornalista econômico e um dos criadores da prestigiada revista Millenium. Ele acaba de ser condenado a três meses de prisão por supostamente ter difamado um poderoso empresário. Poucos dias depois é contratado por Henrik Vanger, outro grande empresário, que o incumbe de descobrir o paradeiro de Harriet Vanger, sua sobrinha desaparecida há 40 anos. Essas poucas linhas resumem a história e foi exatamente isso que eu escrevi quando fiz a resenha do livro.
O fato, agora, é que estamos lidando com outra linguagem: o cinema. E se eu achei o livro por vezes excessivamente descritivo, exagerado até, na tela isso some. Apesar de ter 2 horas e 30 minutos de duração, o filme não cansa. A estimulante trama desenvolvida por Stieg foi bem adaptada para o cinema nas mãos dos roteiristas Nikolaj Arcel e Rasmus Heisterberg.

Lisbeth e Mikael
E claro, quem ajuda Mikael Blomkvist a certa altura da trama? Ela, a hacker antissocial Lisbeth Salander, interpretada por Noomi Rapace, que mergulhou na personagem e fez um trabalho muito bom. A interação improvável (relacionamento sexual, inclusive) entre um quarentão e a jovem problemática é um dos pontos interessantes do longa.
O diretor consegue conduzir bem a grande quantidade de personagens existentes na obra, além de suprimir fatos desnecessários para o entendimento da história, como alguns relacionamentos amorosos de Blomkvist. Senti isso, porque mesmo tendo lido o livro e sabendo quem é o assassino desde o começo, por exemplo, consegui me surpreender com as descobertas da dupla.
Outro fato importantíssimo da obra e que não foi deixado de lado ou amenizado é a questão da perversão sexual. Fundamental para entendermos porque estes homens não amavam as mulheres.
“Os homens que não amavam as mulheres” merece ser visto simplesmente porque é um thriller muito bem feito.
Confira o trailer abaixo:
Crítica de disco: Manuscrito
Posted by Sandro Caldas in Música on maio 8th, 2010
Foram 17 anos de carreira junto ao irmão Júnior. Este, antes de Sandy, lançou um disco em 2008 com sua banda de rock 9 Mil Anjos (9MA), que infelizmente não foi bem-sucedido. O disco não é bom.
O tão esperado 1° álbum solo de Sandy Leah, que chama-se Manuscrito, e que chegou às lojas nesta sexta-feira (7), parece a continuação dos discos que a cantora fazia com o irmão, especialmente os álbuns que se diziam mais amadurecidos, como o último da dupla. E para fazer um parêntese, este comentário não deprecia a dupla, já que, apesar de nunca ter sido um grande fã, gosto muito de algumas canções.
Manuscrito tem 13 faixas de um pop que não traz acréscimo à carreira de Sandy. Tanto melodicamente quanto liricamente. As letras confessionais de Sandy não revelam nada de muito…revelador e desfilam clichês como “a vida não tem manual”!. “Discutível Perfeição”, do último disco de Sandy como dupla, tem uma letra muito mais confessional. As músicas tem arranjos pouco inventivos, opacos, sem graça.
Este tempo que Sandy ficou de molho, fazendo pequenos shows, nos quais cantava basicamente músicas da MPB tradicional e clássicos do Jazz, em minha cabeça indicava um caminho diferente para a artista, que explorasse sua bela voz, inclusive com letras mais bem compostas, dela ou não. Com esse disco ficou claro, como ela mesma afirmou, que enveredar por esse tipo de canção ainda está longe de sua capacidade como artista, embora cante bem determinados temas.
Mas, sinceramente, esperava muito mais das músicas, do canto, das letras de Manuscrito. Achei que Sandy pudesse fazer um pop mais consistente.
Todas essas minhas observações talvez sejam fruto de alguns fatos que giram este disco. Dois deles têm os nomes de Lucas Lima e Júnior Lima, produtores do trabalho. Quase todas as faixas são dela juntamente com o irmão e o marido. Para mim, o disco tem cara de Sandy e Júnior, com muito menos força pop e com alguma chatice musical da Família Lima.
A melhor música do disco, para mim, é “O que faltou ser”, justamente um das duas canções que ela fez sozinha. Sim, “Pés Cansados” é outra faixa bonitinha. Mas talvez Sandy devesse esperar mais tempo e tentasse compor o álbum inteiro ou procurasse parceiros que lhe dessem outras perspectivas, outras cores musicais. Saiu insosso.
Eu torcia para que este disco batesse em mim como uma Juliana Khel ou Céu: boas letras, bons arranjos, boas melodias. Não aconteceu, embora seja nitidamente um disco bem produzido pela dupla citada acima e que soe (ponto para ela) como se Sandy não quisesse impressionar a crítica, que ainda torce o nariz para a sua trajetória.
Músicas:
1. Pés cansados (Sandy Leah / Lucas Lima)
2. Quem eu sou (Sandy Leah / Lucas Lima)
3. Tempo (Sandy Leah / Lucas Lima)
4. Ela / Ele (Sandy Leah / Lucas Lima)
5. Dedilhada (Sandy Leah / Junior Lima / Lucas Lima)
6. Sem jeito (Sandy Leah / Lucas Lima)
7. Duras pedras (Sandy Leah / Lucas Lima)
8. O que faltou ser (Sandy Leah)
9. Perdida e salva (Sandy Leah / Lucas Lima)
10. Dias iguais (Sandy Leah / Nerina Pallot)
11. Mais um rosto (Sandy Leah / Lucas Lima / Junior Lima)
12. Tão comum (Sandy Leah / Junior Lima / Lucas Lima)
13. Esconderijo (Sandy Leah)
Você pode ouvir Manuscrito aqui
O Filho da Revolução
Posted by Sandro Caldas in Livros on abril 11th, 2010
Quase um mês sem escrever no blog. O tempo quando me dava folga, também já tinha me deixado sem a mínima vontade de escrever. A única coisa que eu pensava era descansar, mesmo que eu não conseguisse da forma que eu queria.
Enquanto o Vinil esperava por um texto novo, eu vi uns filmes, entre eles “Alice no País das Maravilhas”, de Tim Burton. Gostei muito. Eu adoro a estética gótica de Burton. Ele nos trouxe uma Alice mais madura, em busca da própria felicidade. Ouvi alguns discos, entre eles o “Volume Two”, da dupla She & Him, da maravilhosa e linda atriz Zooey Deschanel e do produtor Matt Ward. Recomendo o primeiro álbum, como já escrevi aqui, e também este segundo, que segue a mesma linha de melodias doces, sonhadoras e inspiradas. E li alguns livros, entre eles a biografia de Renato Russo escrita pelo jornalista Carlos Marcelo, “Renato Russo – O Filho da Revolução”. E é sobre ela que vou falar.
Quando passei pela livraria, há alguns meses, e me deparei com este livro, aquela força, que só quem ama os livros sabe, me puxou para esta obra.
Eu sempre gostei de Legião Urbana, fez parte da minha pré-adolescência e adolescência de forma muito forte. O primeiro disco deles que ouvi foi o “Quatro Estações”, ainda em vinil. As músicas do grupo sempre mexeram comigo. O mais legal é que até hoje descubro coisas muito bonitas nas letras de Renato Manfredini Júnior, que hoje considero o maior da geração 80. Não, minha admiração por Cazuza continua, simplesmente adoro. Mas confesso que Renato - apesar de “Brasil”, “O Tempo Não Para” e “Pro Dia Nascer Feliz” (que se tornou um hino da redemocratização do Brasil) – criou uma obra que radiografa de forma mais contundente o fim da ditadura e o início da abertura para a democracia. Renato foi mais sensível, atacou as filigranas dos sentimentos, dos anseios de uma geração. E olha que, repito, sou um grande fã de Cazuza!
O jornalista Carlos Marcelo - que nasceu em João Pessoa (PB), mas vive em Brasília desde 1985 - fez uma pesquisa monumental, trouxe muitos detalhes que talvez um fã de Legião e Renato não conheça. O livro é recheado de belas fotos da turma, além das imagens de parte das anotações dos cadernos de Renato.
Não me considero um especialista no assunto, mas já li muita coisa sobre a geração 80 e o rock de Brasília. Mesmo assim, me foram reveladas minúcias que desconhecia completamente. Não vou contar tudo, obviamente, mas quem sabe que Renato Russo foi colega de classe no 2º grau do nosso Geddel Vieira Lima, ex-ministro da Integração Nacional? Pior, que Renato vetou a participação dele num trabalho em grupo? E quem desconfiava que Renato foi ator com participação em algumas peças teatrais e um filme-curta-metragem? Melhor, era reconhecidamente bom ator.
As melhores descobertas que fiz lendo o livro ficam por conta do processo criativo de Renato, do seu talento em escrever letras simples, mas muito profundas, fruto de uma época que as mensagens já não precisavam ser tão cifradas (mais ainda assim, algumas letras foram censuradas), como em décadas anteriores. Renato foi filho do punk, adorava Sid Viciuos, do Sex Pistols; Renato escrevia como quem dava um soco, nada mais contundente.
Ler sobre a transformação de Renato Manfredini Júnior em Renato Russo foi emocionante: a banda imaginária que tomou cadernos e mais cadernos do jovem Renato; sua primeira banda oficial, o Aborto Elétrico; os livros que lia; os discos que ouvia; o Renato professor de inglês; o Renato ídolo.
O mérito do livro, no entanto, é justamente não focar o tempo todo no seu personagem principal, como se ele vivesse fora do seu tempo e do espaço, pairando sobre as cabeças dos que viveram aquele período. Pelo contrário, Carlos Marcelo fala dos pormenores da vida naquela época, dos fatos que marcaram as pessoas que viveram aquele momento histórico. Dessa forma, o biógrafo nos mostra o ambiente no qual a mente de Renato foi criada.
“Renato Russo – O Filho da Revolução” é a tentativa bem-sucedida de revelar a sensibilidade de um homem que foi capaz de catalisar o que se passava (se passa) nos corações de milhões de brasileiros.
Outro belo clipe, Gaga
Posted by Sandro Caldas in Música on março 13th, 2010
Sou fã de Lady Gaga, alguns sabem. Excelente cantora, boa letrista e boa compositora, além do seu visual indefinível e sempre criativo, que brinca com a moda de forma inteligente. Não bastasse tudo isso, seus clipes são muito interessantes: Bad Romance e Paparazzi estão aí e não me deixam mentir.
O clipe abaixo é da música Telephone e já se tornou um hit instantâneo, sendo visto por mais de meio milhão de pessoas em aproximadamente 12 horas. O vídeo traz a participação de Beyoncé.
Outro belo clipe, Gaga!


