Estante virtual

Sou fã do programa Pequenas Empresas Grandes Negócios, que é veiculado pela rede Globo aos domingos bem cedo. Durantes esses anos vi muitas matérias interessantes e o programa sempre me passou a impressão verdadeira de que o capitalismo não é o demônio, mas um aliado do desenvolvimento social. Piratas existiriam e sempre existiram em qualquer sistema político e econômico. Gosto do capitalismo.

Foi, se não me engano, no programa de duas semanas atrás que vi uma matéria sobre um empresário que resolveu criar um site que juntasse sebos de todo o Brasil pra facilitar a venda e troca de livros, entre outros serviços oferecidos.

A Estante Virtual é um portal criado para revolucionar a comercialização de livros usados pela internet, colocando todos os recursos que a tecnologia é capaz de oferecer a serviço da comunidade de livreiros e do público amante dos livros.

psSão 1.476 sebos e quase 22 milhões de livros novos e usados à disposição. Pensei: “Faz uns sete anos que busco Personas Sexuais. Se não achar em um desses sebos, não acho mais em lugar nenhum”. Até em livrarias como a Cultura, de São Paulo, o livro está esgotado. Resolvi tentar e para a minha surpresa encontrei vários sebos que dispunham da obra da minha, nunca é demais dizer, ídola Camille Paglia.

Fiquei numa alegria incrível. Coloquei o livro em meu carrinho, esperei contato da livraria - que me enviou um email com os dados no dia seguinte - e neste mesmo dia depositei 38 reais - oito foram do frete cobrado - (um calhamaço como Personas, de quase 700 páginas, facilmente custaria uns 60 paus em alguma Megastore). Em cinco dias úteis a angústia dessas anos todos terminou. Estava com meu exemplar, em ótimo estado, de um livro que já se tornou clássico por desafiar, com extrema inteligência e erudição, o que achávamos que sabíamos sobre sexo. O sebo Comasa, de Florianópolis, deu fim a essa busca.

Bom, para quem procura um livro há muito tempo e não conseguiu achar ainda, fica a dica. De qualquer forma, vale a pena uma visita à Estante Virtual. 

E claro, nunca é demais sugerir a leitura de Personas Sexuais. Vocês certamente não irão se arrepender.

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Pílulas

mjConfesso que relutei, mas não tem jeito, vou ter que dar o meu pitaco sobre a morte prematura de Michael Jackson.  Nada do que eu diga aqui vai ser de grande valia para o entendimento dessa personalidade, mas vá lá…

Nunca fui grande fã de MJ (apenas fã), apesar de buscar suas músicas e adorar muitas. Até os anos 80 seus discos são bons e interessantes. Lá pelos idos dos anos 90 até hoje, já não faziam a minha cabeça. Intérprete de talento, dançarino magistral, bom compositor e homem de visão, que revolucionou o mundo pop com seus clipes inovadores (não preciso nem citar Thriller). Essa é a parte de MJ que devemos lembrar e reverenciar. O lado pessoal talvez seja uma incógnita eterna, com seus traumas, seu embraquecimento, as dívidas e as acusações de pedofilia.

Pedofilia? Sim, ele foi acusado, mas nada foi provado. E se ele tinha o prazer de dormir com crianças, não necessariamente precisava molestá-las. Mas a sociedade puritana e medonha, nao aceita determinados comportamentos em nome de uma decência tosca e acrítica. Se realmente abusou dessas crianças, merecia uma punição, mas se apenas sentia prazer (talvez até um prazer sensual), não podemos condená-lo. Esse assunto dá muito pano pra manga!

Enfim, seu legado continua mais vivo do que nunca e a ironia é que talvez ele consiga se livrar das dívidas, já que sua obra e os milhares de produtos ligados à sua imagem vão vender muito, mas muito!

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vvNão podia esperar para comentar um livro que comecei a ler: Vampes e Vadias (1994), da sempre maravilhosa Camille Paglia (não adianta, sou fã dos seus pensamentos). Ela destrona o puritanismo babaca que assola as sociedades ao construir ideias pungentes sobre pedofilia, estupro, assédio sexual, felação, sodomia, homossexualidade e por aí vai, sempre com uma erudição fabulosa, relacionando esses assuntos com a história da arte e conhecimento sobre antropologia, psicologia, biologia e outras áreas.

Para quem quer revirar do avesso sua visão sobre esses assuntos ou simplesmente deixar sua argumentação mais consistente, recomendo fortemente esse livro.

 

 

 

 

 

 

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ccO Brasil venceu a Copa das Confederações, mas tem muitos torcedores que ainda estão com o pé atrás com a direção de Dunga. Como não entendo muito de futebol, não posso me deter em análises farsescas, mas o fato é que a seleção jogou bem. Mas jogou bem ou pegou adversários que não jogaram bem? Sei lá. Só sei que Dunga ganhou um certo fôlego depois desse título. Vamos em frente!

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Camille Paglia ao escrever sobre a princesa Diana em Vampes e Vadias, redigiu algo que se adequa perfeitamente a Michael Jackson ou a qualquer grande personalidade.

“A deificação tem seus custos. A megacelebridade moderna, suportando o fardo do simbolismo, projeção e fantasia coletivos,  é uma vítima ritual, canibalizada por nosso compadecimento e temor. Aqueles que estão no vértice da pirâmide são intocáveis, codenados a uma solidão horripilante”

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O sabor de Zélia Duncan

zdZélia Duncan está entre as cantoras que mais gosto. Gosto de mulheres com vozes graves. Até hoje considero Cássia Eller uma das minhas intérpretes favoritas.

Com “Pelo sabor do gesto”, lançado no início de junho, a cantora continua trazendo boas letras e melodias pop bem feitas. Claro, apesar de ser boa letrista, Zélia está muito bem acompanhada por Zeca Baleiro, Chico César, Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, Moska, entre outros. 

O disco foi dirigido por John Ulhoa, guitarrista do Pato Fu e traz, entre outras,  a participação de Fernanda Takai, a vocalista do Patu Fu e esposa de John.

Neste nono álbum da cantora carioca, ela continua trazendo para o seu repertório a obra do fantástico e pouco divulgado Itamar Assumpção. Acho isso muito legal, já que Itamar é completamente ignorado. Se não fossem os esforços de poucos, o artista continuaria no limbo e certamente seria uma tremenda burrice.

Gostei do disco. Ele é mais um ponto de valor na carreira dessa grande cantora.

Lista de músicas do álbum:

1- Boas razões

2- Todos os verbos

3- Telhados de Paris

4- Tudo sobre você

5- Sinto encanto

6- Pelo sabor do gesto

7- Ambição

8- Esporte fino confortável

9- Os dentes brancos do mundo

10- Se eu fosse

11- Aberto

12- Se um dia me quiseres

13- Duas namoradas

14- Nem tudo

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Sandy e os rituais

Ser famoso ou anônimo são dois lados da mesma moeda. Quem nunca sentiu o gosto da fama, imagina como deve ser receber a atenção, os olhares e até os comentários maldosos daqueles que te observam. Uns com ódio, outros com desprezo e demais com admiração e amor. Não é à toa que milhares de pessoas se candidatam a uma vaga em reality shows como o Big Brother. Por outro lado, quem já desfruta da fama (merecida ou não), sonha em poder ir ao cinema ou passear pelas ruas da sua cidade sem ser abordado em troca de uma foto.

A personagem deste texto é Sandy Leah Lima, uma garota que desde muito pequena é famosa e já conta com 17 anos de carreira, se não me engano.

Sei que Sandy faz análise, mas não atribuo o casamento, a formatura e a festa de 15 anos a algum conselho profissional. Ela podia sinceramente não querer tudo isso, já que não precisa provar que é normal. Mas quis, justamente porque o é. Considero Sandy bastante madura e consciente das suas escolhas e atribuo à família que possui está sólida formação de caráter.

15 anos

15 anos

 

Acho muito bonito como ela conduz sua vida e falo isso sem medo de parecer idiota. Admiro seu gosto aos rituais. Faz parte de nossa época, e isso não tem nada de ruim também, não prescindir de simbolismos como o casamento, a festa de 15 anos ou a formatura. Eu mesmo não fiz a mínima questão de me formar com solenidade e não dou tanta importância aos rituais de qualquer espécie, mas os acho bonitos e válidos.

Sandy realizou sonhos como a festa de 15 anos, com tudo o que tem direito. A menina virou mulher. Sandy se formou em Letras para ganhar mais conhecimento e melhorar como pessoa e artista. Sandy se casou com o homem que ama (sim, muitos se casam sem amar).  Passou por esses rituais humanos porque é humana como todos, apenas tem um emprego que coloca uma lente de aumento em sua persona e descarta sua falibilidade como mortal, seus anseios como mulher, seus medos e incertezas. Como diz em uma das letras que escreveu: o glamour não dura pra sempre, já que também vai ao banheiro.

Nada mais humano.

Vejo muitos artistas, alguns muito pouco artistas, transformarem suas vidas em lama diante do público. Atribuem a si mesmos uma importância que não possuem. Fazem-se de vítimas e atormentados (poucos são mesmo). Nada mais detestável do que um artista que se diz artista. Não vejo Sandy ser assim, diante de quase duas décadas de vida nos palcos.

 Casada

Casada

 

Se Sandy não fosse Sandy, a famosa cantora, continuaria a olhar para o céu e não entendendo nada, como todos nós.

 Formada em Letras

Formada em Letras

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O que jamais Alice vai esquecer

aliceAlice Howland é uma mulher com um intelecto invejável. Professora de Psicologia de Harvard e pesquisadora reconhecida, escreveu junto com seu marido um livro que se tornou referência no meio acadêmico. Alice é daquelas mulheres que guardam como um computador bibliografias inteiras. Mas, para a sua surpresa, vem esquecendo coisas básicas do seu dia-a-dia, como onde deixou o carregador de seu celular ou mesmo uma tradicional receita de Natal que é acostumada a fazer desde a infância.

 

A eminente profissional desconfia que seus surtos de esquecimento estejam ligados ao estresse ou à menopausa que está prestes a se instalar. Nada disso, Alice Howland é diagnosticada com o mal de Alzheimer e pouco a pouco vai deixando de ser quem ela é para se tornar uma sombra de si mesma. Mas é justamente neste ponto que página a página, embora não reconheçamos mais a brilhante profissional, nos deparamos sempre com Alice, pois ela nunca vai deixar de ser ela mesma e de amar sua família.

 

Lisa Genova

Lisa Genova

Lisa Genova é ph.D. em neurociência por Harvard e este é seu primeiro romance. Para Sempre Alice é uma história comovente, muito bem escrita, que revela a necessidade primordial a qual todos ansiamos: o amor. Não basta ser um prestigiado membro da sociedade, que tenha contribuído com um pensamento fértil e inteligente no desvendamento do ser humano. Necessitamos dos mais “fúteis” presentes que a vida nos dá. Seja tomar um sorvete ou assistir ao pôr-do-sol. E vivemos melhor essas pequenas grandiosas coisas se estamos ao lado da nossa família.

 

Talvez todas as famílias tenham problemas e suas desavenças, mas é nela que nos encontramos, que parte de nossa identidade está guardada e que mesmo com uma doença tão devastadora como o mal de Alzheimer, não nos esquecemos de quem somos. Alice sente essa certeza e no fundo do seu ser que já não lembra de tudo, há algo que grita que ela sempre será a Alice que tem um marido, três filhos e dois netos.

 

Lendo o romance percebemos que o texto parece ele mesmo ter o mal de Alzheimer. Por vezes lemos a mesma frase repetida em um parágrafo anterior. Isso nos dá a noção dos efeitos da doença de Alice e sua evolução.

Para sempre Alice é um livro muito delicado, que fala das pequenas alegrias, do valor da família e que a única verdade a ser descoberta e jamais esquecida é a verdade derramada pelo amor, mesmo que um dia esqueçamos nosso próprio nome.

 

Clique aqui para visitar o mini-site de Para Sempre Alice

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Os homens que não amavam as mulheres

m1Mikael Blomkvist é um jornalista econômico e um dos criadores da prestigiada revista Millenium. Acaba de ser condenado a três meses de prisão por difamar um poderoso empresário. Poucos dias depois é contratado por Henrik Vanger, outro grande empresário, que o incumbe de descobrir o paradeiro de Harriet Vanger, sua sobrinha desaparecida há 40 anos.  Este é resumo, em poucas linhas, do primeiro livro da trilogia Millenium, Os homens que não amavam as mulheres, de Stieg Larsson. Tragicamente o autor faleceu aos 50 anos, vítima de um ataque cardíaco, logo após entregar os livros para a editora. 

As 522 páginas fluem depressa, porque somos apresentados a uma história envolvente, com personagens cativantes, reviravoltas, revelações surpreedentes e enigmas indecifráveis. Claro, trata-se de um romance policial bem construído, embora tenha ficado em mim a sensação de que o livro podia ser menor sem comprometer o enredo. Gosto de detalhes e percebi a satisfação do autor em criar um história tão recheada de pormenores. Mas talvez seja excessivo descrever com tamanha filigrana os hábitos dos personagens.

Lisbeth Salander, a hacker punk que ajuda Mikael a resolver o mistério, caiu no meu gosto imediatamente. É uma dessas criaturas que repelem os costumes sociais convencionais e é fechada aos relacionamentos afetivos, embora também seja afetuosa ao modo dela e possa até amar. No fundo, é uma alma boa e prestativa, que usa sua inteligência para o bem. Feminista furiosa, mas sem deixar de amar os homens, Lisbeth pode ser violenta quando encontra um canalha. Bissexual, apenas realiza seus desejos sem mesuras. Lisbeth foi feita para agradar ou ser odiada, depende do leitor. 

Não vou contar como o mistério foi desvendado ou as grandes revelações que aparecem no decorrer da leitura. O fato é que a série Millenium é uma obra que merece atenção, mesmo que caia vez por outra nos clichês.

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Smallville - 8ª temporada

s81Não sei por quais motivos acabei não prestando muita atenção em seriados como Família Soprano e Lost, ambos fenômenos de púlbico e crítica. Se bem que Lost eu cheguei a ver muitos episódios e me considero fã da série. Já Família Soprano mal sei como é a abertura. De qualquer forma, juro que ainda vou ver essas séries de forma mais profunda.  

Mas a série sobre a qual falarei é Smallville. Para quem não sabe, ela reconta a história do Super-Homem, mostrando sua evolução até se tornar o grande super-herói que todos conhecemos e desenvolve como o último homem de Krypton foi descobrindo seus poderes e como aprendeu a controlá-los.

Depois de 22 episódios desta 8ª temporada, ficou a impressão de que já deu o que tinha que dar e mesmo sendo um fã da série, reconheço que seu texto muitas vezes é fraco ou mesmo bem inconsistente. Clichês rolam a toda hora, apenas para justificar uma idéia. Um exemplo: quando Lois e Clark fingem ser um casal para tentar desvendar um caso. Dessa maneira, os roteiristas “criaram” um motivo para juntar o casal e  revelar a tensão sexual que obviamente deve existir entre os dois. Todo mundo sabe que isso é mais do que batido e demonstra falta de criatividade.

O que mais me interessou nesta temporada, apesar desse exemplo que citei, foi justamente a tensão sexual existente ente Lois e Clark. Já estava na hora de fazer surgir a ligação entre eles e confesso que a atriz que faz Lois, Erika Durance, conseguiu apagar Lana Lang da minha memória.

Fazendo uma análise geral, gosto das atuações de todos, talvez menos um pouco do personagem de Justin Hartley, o Arqueiro Verde. Mas considero que ela tenha a importante função de fazer com que Clark ponha para fora seu verdadeiro “ego” de super-herói. Outra que ganhou destaque foi a atriz Cassidy Freeman, com a personagem Tess Mercer. Ela conseguiu substituir, com personalidade, o vilão principal, Lex Lutor, interpretado pelo excelente Michael Rosenbaum (que volta na próxima temporada, acho). O resto dos personagens continuam iguais, sem muitas grandes mutações ou descobertas. Tom Welling, o Clark Kent, aos meus olhos, já consegue atuar de forma mais interessante.

Claro que nem todos gostam de Smallville, eu mesmo não considero uma excelente série. Mas acho interessante ter bolado uma evolução para o Super-Homem, retratando sua juventude. Espero que a 9ª temporada que vem por aí seja a última e a melhor de todas.

Eu gosto, eu gosto.

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Em uma galáxia muito distante…

lcmOntem de madrugada li uma entrevista da “atriz”, “escritora” e “diretora de teatro”, Maria Mariana, 36 anos, filha de Domingos Oliveira. Maria se tornou conhecida por um livro que quase todos conhecem ou já ouviram falar e que logo virou série de  TV: Confissões de Adolescente.

Passados muitos anos, a atual mãe de 4 filhos resolve lançar “Confissões de Mãe” (caça-níquel óbvio? quem sabe!). Fuçando pela internet, encontrei um link para a entrevista que a moça deu parta a revista Época. E a cada linha que lia, me perguntava se Maria Mariana não aprendeu nada com seu pai, este que até namorou Leila Diniz. Acho que o cineasta deve estar muito chateado com as idéias retrógradas da filha.

Para que vocês entendam do que estou falando, abaixo segue a entrevista. Em qual galáxia essa menina esteve para aprender e ter coragem de  falar tanta bobagem?

Maria Mariana - “Deus quer o homem no leme”
A escritora carioca que foi ícone da juventude nos anos 90 volta a polemizar com “Confissões de mãe”

Martha Mendonça 

ÉPOCA – O que a adolescente dos anos 90 e a mãe de quatro filhos têm em comum?
Maria Mariana –
Mudei muito, mas algumas coisas ficaram. Acredito que uma delas seja a criatividade no dia a dia. Eu sei fazer de um limão uma limonada. Tenho sempre um coelho na cartola, um assunto engraçado numa hora chata, uma forma de tornar aconchegante um ambiente ou uma situação difícil. Isso vem também do fato de eu adorar ser mãe. Mas a maternidade está em baixa.

 

ÉPOCA – Por que você diz isso?
Maria –
O valor de ser mãe não está sendo levado em conta. Sinto isso há quase dez anos, desde que eu decidi parar todas as minhas atividades para ter filhos e cuidar deles. A pressão foi inimaginável e veio de todos os lados. Da família, dos amigos, de quem mal me conhecia. Muita gente me perguntou se eu estava deprimida ou tinha síndrome de pânico. Meu pai também custou a entender. Eu era bem-sucedida, e largar a fama é um absurdo para as pessoas. Se alguém saiu da mídia por vontade própria, é porque tem algum problema grave. A verdade é que eu só descobri o que é trabalhar depois de ser mãe! Ser mãe é um trabalho social, o maior deles. É um esforço para garantir a criação de indivíduos de valor, mentalmente sadios, que contribuam para o bem geral. Pessoas equilibradas, educadas, que consigam se manter. Quando pequeno, o filho precisa de atenção especial e exclusiva. É nesse período que se formam a base do que ele será, o caráter, os valores. Depois, é difícil consertar.

 

ÉPOCA – Como foi sair de uma vida badalada no Rio para uma cidade pequena?
Maria –
Eu trabalhava como roteirista, sempre amparada pela sombra do sucesso de Confissões de adolescente, mas alguma coisa não estava fechando. Tive um primeiro casamento, dos 20 aos 23 anos, que não deu certo. Depois fui morar sozinha e tinha a impressão de que a vida se movia em círculos. Ao mesmo tempo, sempre tive a obsessão de ter filhos. Quando meus pais se separaram, eu estava com 7 anos e passei a viver com meu pai. Era filha única, muito madura, lia Dostoiévski e estava sempre cercada por amigos intelectuais dele. Mas eu sonhava com uma enorme mesa de família com aquela macarronada no domingo. Eu queria mudar de degrau, mudar de história. No meio disso tudo, conheci o André, meu marido. Um mês depois, estava grávida. Todos os meus filhos foram planejados. A primeira, Clara, foi de cesariana, o que foi uma decepção para mim. Os outros foram de parto normal.

 

ÉPOCA – No livro, você diz que mulheres que não conseguem o parto normal estão “envolvidas com pequenas questões de ego”. Explique.
Maria –
Respeito a história da maternidade de cada mulher. Mas, depois que tive o parto normal, vi que é uma vivência fundamental. Se a mulher parir naturalmente, será uma mãe melhor. Todos falam do nascimento do bebê, mas esquecem que a mãe também nasce naquela hora. A mulher também tem de estar focada na amamentação.

 

“Apanhar cueca suja que o marido deixa no chão
é um aprendizado de paciência e dedicação “

 

ÉPOCA – A maioria das mulheres não está preocupada em amamentar?
Maria –
Muitas não estão. Amamentar não é um detalhe, é para a mãe que merece. É importante e simplifica a vida. Vejo muitas mulheres com preocupações estéticas, se o peito vai cair, se vai ficar alguma cicatriz se o peito rachar. Aí o leite não vem. Amamento há nove anos seguidos. Só desmamo um quando engravido do outro. Minha caçula, de 2 anos, ainda mama. Existe a realidade de cada um, mas é preciso elevar a consciência sobre o que fazemos. Há mulheres que passam nove meses no shopping, comprando roupinhas, aí depois marcam a cesárea e pronto. Acabou o processo. Aí sabe o que acontece? Elas têm depressão pós-parto.

 

ÉPOCA – Você não teme ser repreendida pelas feministas?
Maria –
Não acredito na igualdade entre homens e mulheres. Todos merecem respeito, espaço. Mas o homem tem uma função no mundo e a mulher tem outra. São habilidades diferentes. Penso nesta imagem: homem e mulher estão no mesmo barco, no mesmo mar. Há ondas, tempestades, maremotos. Alguém precisa estar com o leme na mão. Os dois, não dá. Deus preparou o homem para estar com o leme na mão. Porque ele é mais forte, tem raciocínio mais frio. A mulher tem mais capacidade de olhar em volta, ver o todo e desenvolver a sensibilidade para aconselhar. A mulher pode dirigir tudo, mas o lugar dela não é com o leme.

 

ÉPOCA – Mas você não valoriza a emancipação da mulher?
Maria –
Valorizo. Teve seu momento, foi fundamental para abrir espaços, possibilidades. Mas as necessidades hoje são outras. Precisamos unir a geração de nossas avós com a de nossas mães para chegar a um equilíbrio feminino. Eu não sou dona da verdade. Não à toa, fiz meu livro como um diálogo entre mim e minha filha. Quero dizer às jovens do mundo de hoje que existe uma pressão para que elas sejam autossuficientes profissionalmente, sejam mulher e homem ao mesmo tempo, como se fosse a única forma de realização. Para isso, elas têm de desenvolver agressividade, frieza – sentimentos que não têm a ver com o que é ser mãe. O valor básico da maternidade é cuidar do outro, doar, servir. Nada a ver com o mundo competitivo. Maternidade é tirar seu ego do centro.

 

ÉPOCA – O que pensa sobre o casamento?
Maria –
Casamento é um degrau que a pessoa tem para caminhar para a frente. Quem opta por ficar sozinho não desenvolve aprendizados que o casamento dá. Apanhar cueca suja que o marido deixa no chão é um aprendizado de paciência e dedicação. As pessoas pensam em união apenas como o espaço da alegria, do conforto. Casamento é embate, negociação e paciência. É preciso insistir e vencer. Saber que não se muda o outro. É preciso mudar a nós mesmos.
Comentários:

É de chorar. Tudo bem que ela fala que a maternidade é algo maravilhoso, que ser mão é o máximo etc. Até aí tudo bem. Mas depois da revolução sexual, da emancipação da mulher e de outras evoluções e revoluções nos costumes mundanos, será que ainda há espaço para dizer que é o homem e apenas ele que deve comandar o barco? Ou que a mulher que não tem filhos de parto normal não será tão boa mãe em comparação com aquela que teve normal? Ou que o casamento é a única forma de ser feliz dentro das relações homem-mulher? Pelo amor dos deuses!!!

Cito Camille Paglia, intelectual que admiro muito, que afirmou que a maternidade é algo maravilhoso e que admira as mulheres que decidem largar tudo para cuidar dos filhos. Inteligente, Camille sabe que isso não tem nada a ver com não ser sexualmente ativa, sentir desejos e ser a quem segura o leme. A mulher pode e já mostrou que guia o barco muito bem.

Mulheres e homens não são iguais biologicamente e é claro que existem diferenças que devem ser respeitadas, mas essa moça está aquém de produzir um discurso inteligente sobre qualquer assunto relacionado à essas diferenças e sobre o papel de ser mãe. Ela está muito mal informada e parou no tempo. Acho que Maria Mariana perdeu tempo demais catando as cuecas sujas do marido.

 Simone de Beauvoir deve estar muito triste.

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Zonas úmidas

zuAcabo de ler o primeiro romance da jornalista Alemanhã, Charlotte Roche, 31 anos. Zonas Úmidas é mais um livro que retrata a sexualidade de um jovem, neste caso, a de Helen Memel. E como me interesso pelo tema, já que escrever sobre sexo não é das coisas mais fáceis que existem, resolvi investir no livro.

Helen, 18 anos, é internada no hospital para realizar cirurgia das hemorróidas. Enquanto espera receber alta, relembra suas aventuras sexuais e seus fetiches pessoais, que digam-se de passagem são, creio que para muitos leitores, escatológicos. Será que comer esperma grudado debaixo das unhas é uma iguaria? Helen é avessa à higiene.

Em meio a suas lembranças, a personagem faz uma análise da sua família e da imporância que ela tem em sua vida. E por conta disso, resolve promover o encontro de seus pais, que são divorciados. A moça decide que vai uni-los novamente. Será que vai conseguir?

A autora

O romance é escrito de forma visceral, ágil, e faz com que o leitor queira seguir em frente para saber qual será o próximo pensamento ou plano de Helen. Mas mesmo assim, acho que faltou algo, ou melhor, sobrou algo. A autora descreve muitas paisagens que, para mim, são puro excesso.

Outra coisa que fico chateado é com os textos elogiosos que encontramos nas contra-capas. Neste caso específico, Zonas Úmidas é vendido como um livro sem paralelos. Poxa, quem leu “Secreções, Excreções e Desatinos”, de Rubem Fonseca, sabe que a escatologia foi utilizada como forma de se alcançar o prazer. E muito melhor escrito, diga-se. 

Sim, Helen gosta e sente prazer em comer sua própria meleca e seu pus. Não é pra todo mundo! Fato: a autora disse que o livro é uma espécie de autobiografia.

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O Tigre Branco

Demorei em postar algo novo, porque mudança sempre dá trabalho. 

tigrebrancoVou falar, de forma breve, de um livro muito interessante que se chama O Tigre Branco, do jornalista indiano Aravind Adiga. O romance foi vencedor do Man Booker Prize de 2008, este que é um dos maiores prêmios literários do mundo.

O Tigre Branco é escrito como se fosse uma longa carta endereçada ao primeiro-ministro chinês, que está prestes a visitar a Índia. Esta carta é escrita por Balram Halwai, um sujeito que veio de um mundo pobre, imundo, de crimes, a Escuridão da Índia, como ele mesmo chama. Balram, ex-motorista, muda de vida e passa a ser um grande empresário depois de assassinar seu patrão.

Na longa missiva, o Tigre Branco (apelido recebido quando ainda estava na escola e que se refere àquelas pessoas que são raras), revela a sociedade indiana de forma irônica, ácida, retratando as diferenças entre ricos e pobres, entre a Luz e a Escuridão.

Se vocês ainda não conhecem o livro, sugiro fortemente sua leitura. E desculpem a pressa!!!

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